A economia brasileira perdeu força em 2025 diante do enfraquecimento do consumo e dos setores mais ligados ao ciclo econômico, como comércio e indústria, enquanto o agronegócio sustentou a atividade em regiões como Centro-Oeste e Sul, mostrou o Boletim Regional divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Banco Central.Segundo o relatório, o país e quatro das cinco regiões brasileiras cresceram em ritmo menor do que no ano anterior, refletindo um ambiente de desaceleração da demanda doméstica e de arrefecimento em segmentos mais sensíveis aos juros elevados.O principal contraponto veio do campo. Impulsionado pelo forte desempenho da agropecuária, o Centro-Oeste foi a única região a acelerar o crescimento em relação a 2024. O Sul também foi beneficiado pela recuperação do setor agrícola e avançou acima da média nacional.Já o Norte apresentou expansão superior à média brasileira, apoiado não apenas pela agropecuária, mas também pela indústria de transformação e pelo comércio.Na outra ponta, Sudeste e Nordeste registraram os menores ritmos de crescimento do país. De acordo com o BC, o desempenho mais fraco dessas regiões esteve ligado justamente à perda de fôlego de atividades ligadas ao consumo, como comércio e indústria.O retrato desenhado pelo BC reforça uma economia em duas velocidades: de um lado, regiões impulsionadas pela produção agrícola e pelo setor externo; de outro, áreas mais dependentes do consumo doméstico e do crédito sentindo os efeitos do ambiente monetário mais restritivo.Mercado de trabalho e créditoApesar da desaceleração da atividade, o mercado de trabalho continuou aquecido em 2025. Todas as regiões brasileiras atingiram as menores taxas de desocupação desde o início da série histórica, em 2012.O BC também destacou que houve crescimento da população ocupada em todas as regiões, ainda que em ritmo menor do que nos últimos anos. Além disso, a informalidade recuou de forma disseminada e a participação de trabalhadores com carteira assinada renovou máximas históricas em todo o país.A renda média do trabalho também avançou em termos reais em comparação com 2024, segundo o relatório.No sistema financeiro, o crédito bancário desacelerou em todas as regiões brasileiras, especialmente nas áreas com maior peso do crédito rural, como Centro-Oeste, Sul e Norte.Segundo o Banco Central, a perda de tração ocorreu principalmente no crédito com recursos livres e nas linhas direcionadas às pessoas físicas, categoria que concentra boa parte do financiamento rural.Ao mesmo tempo, a inadimplência aumentou em todas as regiões, refletindo tanto mudanças regulatórias quanto um aumento efetivo dos atrasos, sobretudo no crédito ligado ao agronegócio.