O Governo de São Paulo recebeu, na noite desta quarta-feira (20), estudantes da USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) para uma conversa sobre as pautas reivindicadas pelo movimento grevista.O encontro ocorreu após um ato realizado pelos estudantes entre a tarde e noite desta quarta.Segundo o DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da USP, além dos pedidos defendidos durante a greve dos estudantes, há também a solicitação de retratação pública em relação à desocupação da reitoria realizada pelos policiais militares e o arquivamento do inquérito que investiga os manifestantes. Leia Mais Manifestação estudantil fecha Faria Lima contra Governo de SP Após conflitos, reitoria da USP cria comissão para diálogo com estudantes São Paulo: Greve nas estaduais avança com impasse entre alunos e reitorias A Comissão de Negociação representada pelos universitários no Palácio dos Bandeirantes foi recebida por integrantes da Secretaria Estadual da Casa Civil.Ocupação na USP: polícia abre inquérito para investigar estudantesEm nome das universidades, estiveram na comissão: quatro alunos do DCE da USP, um integrante do DCE da Unesp e um no DCE da Unicamp, além de dois advogados e a deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP).Segundo os organizadores, ao menos 30 mil pessoas estiveram presente no ato, que teve início às 14h, iniciado no Largo da Batata e encaminhado até a sede da administração estadual.Em nota, o Governo de São Paulo informou que os estudantes foram recebidos para o “encerramento pacífico do ato público” e que as pautas serão encaminhadas para análises das pastas responsáveis.Veja imagens do atohttps://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/05/WhatsApp-Video-2026-05-20-at-18.05.42.mp4https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/05/WhatsApp-Video-2026-05-21-at-05.13.39.mp4Entenda os principais pontos reivindicados pelos estudantesAs mobilizações estudantis começaram no dia 14 de abril em apoio aos servidores da USP que se manifestavam contra uma gratificação anunciada pela reitoria apenas para professores. Após pressão, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação.Por outro lado, os estudantes decidiram manter a grave em favor às próprias reinvindicações. Entre os principais pontos, estão o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil.Atualmente os beneficiários recebem R$ 335,00 para estudantes residentes em moradia estudantil e R$ 885,00 para auxílio integral. A proposta é o aumento desses valores para R$ 340,00 e R$ 1.804,00, respectivamente.Além disso, os manifestantes solicitam a melhoria nos serviços prestados, como a gestão do restaurante universitário que apresentou diversos episódios de bichos e larvas nas comidas, a moradia estudantil, e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.Manifestantes citam violência policial durante desocupação da reitoriaO estudante da USP (Universidade de São Paulo) Rael Brito de Paula relatou à CNN Brasil que o processo de desocupação da reitoria da universidade, realizado na madrugada do dia 10 pela Polícia Militar, foi “absurdamente violento” e causou um “trauma psicológico” aos estudantes.A ocupação havia começado no dia 7, em protesto por reivindicações ligadas à vida estudantil e aos salários dos servidores. Segundo Rael, o movimento não demonstrou qualquer sinal de violência ou ameaça.Polícia Militar usa bombas e gás para desocupar reitoria da USP | AGORA CNNDe acordo com o relato, a Tropa de Choque cercou o prédio por volta das 04h15, enquanto os estudantes dormiam. Logo depois, empurraram o grupo para dentro do saguão fechado e teriam iniciado as agressões, incluindo a execução de um “corredor polonês”.Rael pediu que a reitoria seja responsabilizada e que abra a mesa de negociação com os estudantes: “A ocupação se desenvolveu de forma pacífica, com programação cultural, política, assembleias democráticas. Essa ação comandada pelo governo do Estado mostra que essa reitoria não defende o diálogo e a democracia, mas manutenção de um quadro de precarização da educação e de descaso com os estudantes mais pobres”, conclui.*Sob supervisão de Carolina Figueiredo