A utilização intensiva da Internet e das redes sociais está a aumentar a exposição dos portugueses ao cyberbullying, um fenómeno que continua a ter forte impacto emocional e psicológico, mas que muitos consideram ainda insuficientemente combatido. A conclusão é de um novo estudo da ConsumerChoice, que revela que 95% dos portugueses consideram o cyberbullying um problema sério em Portugal.Segundo o estudo, embora o tema seja amplamente reconhecido pela população, persistem falhas ao nível da prevenção, da formação e da resposta das plataformas digitais e da sociedade.Portugueses passam cada vez mais tempo onlineA crescente digitalização da sociedade portuguesa trouxe novas oportunidades, mas também novos riscos. Atualmente, 79% dos portugueses utilizam a Internet várias vezes por dia, sobretudo para redes sociais (82%), entretenimento, como videojogos (73%), e acesso à informação (72%).No entanto, esta utilização intensiva também aumenta a exposição a comportamentos abusivos no ambiente digital.De acordo com o estudo, 93% dos inquiridos já ouviu falar de cyberbullying, demonstrando um elevado nível de reconhecimento do fenómeno.Mais de metade dos portugueses já testemunhou cyberbullyingOs dados mostram que o problema continua presente no quotidiano digital dos portugueses. Cerca de 50% dos inquiridos considera o cyberbullying um problema muito sério, enquanto 45% o classifica como algo sério.Além disso, 56% afirma já ter testemunhado situações de cyberbullying e 18% admite já ter sido vítima deste tipo de comportamento online.Entre os casos mais frequentes destacam-se:Comentários ofensivos (83%);Partilha de conteúdos sem consentimento (41%);Ameaças (38%);Humilhação pública (32%).Apesar da dimensão do problema, continua a existir uma tendência para a sua desvalorização, dificultando a prevenção e o combate eficaz.Falta de ação continua a ser um problemaEmbora 76% dos utilizadores se considerem informados sobre segurança online, o estudo identifica um desfasamento entre conhecimento e ação. Perante situações de cyberbullying, 10% admite não saber como reagir enquanto que 5% opta por ignorar o problema.Ainda assim, muitos consumidores já recorrem a ferramentas de proteção digital, como:Bloquear utilizadores (68%);Controlar o acesso a dados pessoais (58%);Denunciar conteúdos (53%);Manter perfis privados (44%).No entanto, a utilização destas ferramentas continua a ser inconsistente.Portugueses defendem mais educação digital e sensibilizaçãoPara os participantes no estudo, a prevenção do cyberbullying deve começar nos comportamentos individuais e numa utilização mais responsável da Internet.Controlar a privacidade dos conteúdos, evitar a partilha de informação sensível e adotar uma postura respeitosa online são algumas das atitudes apontadas como fundamentais para reduzir riscos digitais.Mais do que depender apenas de tecnologia, 81% dos inquiridos considera muito importante desenvolver uma verdadeira consciência digital.Falta formação sobre cyberbullying e segurança onlineO estudo evidencia também fragilidades ao nível da formação e da informação disponível. Apenas 38% dos inquiridos recebeu formação sobre segurança online e 61% considera que falta informação sobre como agir em situações de cyberbullying.A responsabilidade pelo combate ao problema é vista como partilhada entre vários agentes da sociedade: família (72%), escola (62%), empresas tecnológicas (36%), estado (31%) e utilizadores (22%).Além disso, 84% afirma que a informação atualmente disponível sobre cyberbullying não é suficientemente clara.Mais ferramentas, apoio psicológico e campanhas de sensibilizaçãoEntre as principais medidas defendidas pelos consumidores para combater o cyberbullying estão:Ferramentas mais eficazes nas plataformas digitais (64%);Mais campanhas de sensibilização (58%);Maior investimento em formação (54%);Mais apoio psicológico às vítimas (53%).No geral, 62% dos portugueses acredita que o cyberbullying continua a ser desvalorizado em Portugal, enquanto 31% considera que é parcialmente desvalorizado.A maioria defende ainda mais educação sobre o tema, sobretudo nas escolas (88%) e nos meios de comunicação social (67%).Ansiedade, depressão e isolamento estão entre os principais impactosO estudo conclui que o impacto do cyberbullying é considerado profundo e transversal pela maioria dos portugueses.Entre as consequências mais referidas surgem:Ansiedade e depressão (92%);Isolamento social (81%);Problemas de autoestima (81%);Impacto no desempenho escolar ou profissional (67%).O conteúdo Cyberbullying continua a ser desvalorizado em Portugal apesar de 95% o considerarem um problema grave aparece primeiro em Revista Líder.