Dois ETFs, uma mesma missão: como o prazo dos títulos muda tudo na hora de bater a inflaçãoEm um cenário de juros elevados e inflação ainda pressionada, investidores voltaram a olhar com mais atenção para os títulos públicos atrelados ao IPCA. E dentro desse universo, os ETFs de renda fixa ganham espaço como uma forma prática de acessar diferentes estratégias de proteção inflacionária pela bolsa.Entre os principais produtos desse segmento estão o B5P211 e o IMAB11, ambos da Itaú Asset. Apesar de terem a mesma missão (proteger o investidor da inflação), os dois ETFs apresentam comportamentos diferentes por conta de um fator central: o prazo dos títulos que compõem suas carteiras.Na prática, quanto maior o prazo dos títulos de um ETF de inflação, maior tende a ser sua sensibilidade às oscilações dos juros. Isso significa que produtos com papéis mais longos podem subir mais em ciclos de queda da Selic, mas também sofrem oscilações maiores no caminho. Já ETFs com títulos mais curtos tendem a apresentar comportamento mais estável, ainda que com menor potencial de valorização via marcação a mercado.Segundo Rodrigo Araújo, especialista de ETFs da Itaú Asset, a principal diferença entre os produtos está justamente na duration dos ativos.“Ambos os índices visam proteger o investidor contra a inflação via títulos públicos atrelados ao IPCA, mas se diferenciam pelo prazo dos títulos na composição de cada índice”, afirma.O que muda entre B5P211 e IMAB11?O B5P211 replica o índice IMA-B 5, composto por NTN-Bs com vencimentos de até cinco anos. Já o IMAB11 acompanha o IMA-B completo, que inclui títulos curtos, médios e longos.Na prática, isso faz com que o IMAB11 tenha uma duration maior, ou seja, uma sensibilidade mais elevada às oscilações das taxas de juros reais.“O índice IMA-B 5 apresenta, de modo geral, menor volatilidade e menor sensibilidade às variações da curva de juros quando comparado ao índice IMA-B”, explica Araújo.Em outras palavras, o B5P211 tende a funcionar como uma opção mais conservadora dentro dos ETFs de inflação, enquanto o IMAB11 costuma responder de forma mais intensa aos movimentos de juros da economia.Como o prazo dos títulos muda o comportamento dos ETFsSegundo a Itaú Asset, os dois produtos podem oferecer retorno real positivo no cenário atual, já que ambos carregam títulos indexados ao IPCA com juros reais considerados atrativos.Ainda assim, o comportamento dos ETFs tende a ser bastante diferente dependendo do ambiente macroeconômico.O B5P211, por concentrar títulos mais curtos, costuma apresentar menor volatilidade e uma dinâmica mais defensiva dentro da renda fixa.Já o IMAB11 tende a ser mais sensível às expectativas para juros futuros e inflação, o que aumenta tanto o potencial de valorização quanto o risco de oscilações mais intensas ao longo do tempo.“Ambos buscam propiciar proteção contra inflação e a oportunidade de carregamento do juro real no período”, afirma Araújo.O que acontece quando os juros caem?A diferença entre os dois ETFs costuma ficar mais evidente em ciclos de queda da Selic.Historicamente, títulos públicos atrelados ao IPCA tendem a se beneficiar em momentos de fechamento da curva de juros, já que a redução das taxas reais eleva o preço dos papéis no mercado secundário.Nesse contexto, ETFs com duration maior normalmente apresentam reações mais intensas.“Historicamente, ambos tendem a se beneficiar em períodos de queda das taxas de juros. Nesse ambiente, o investidor tende a capturar tanto o ganho de variação do IPCA + juros reais quanto o ganho de marcação a mercado”, afirma o especialista.Como o IMAB11 possui títulos mais longos na carteira, ele tende a capturar de forma mais intensa os movimentos positivos de marcação a mercado em ciclos de afrouxamento monetário.Por outro lado, o B5P211 tende a apresentar uma trajetória mais estável, com menor volatilidade durante o percurso.Os dois ETFs podem coexistir na carteira?Na avaliação da Itaú Asset, sim. Segundo Araújo, os dois produtos podem funcionar de maneira complementar dentro de uma estratégia de renda fixa.“Os dois podem conviver muito bem na mesma carteira e, em muitos casos, essa combinação pode fazer bastante sentido”, afirma.A decisão sobre quanto alocar em cada ETF depende principalmente do perfil do investidor, da tolerância ao risco e do horizonte de investimento.Investidores mais conservadores tendem a se sentir mais confortáveis com a dinâmica do B5P211, enquanto aqueles dispostos a aceitar mais volatilidade em troca de potencial de valorização maior podem enxergar mais atratividade no IMAB11.Ainda assim, a gestora reforça que os dois produtos podem contribuir para uma carteira mais equilibrada e diversificada.Como escolher entre B5P211 e IMAB11?Segundo a Itaú Asset, o principal critério para a escolha entre os ETFs deve ser o nível de exposição que o investidor deseja ter ao risco de duration.“O fundamental é que a decisão seja pautada pelo perfil e objetivo do investidor, determinando qual nível de duration é mais apropriado às suas demandas”, afirma Araújo.Na prática, quem busca menor volatilidade e uma dinâmica mais próxima da renda fixa tradicional tende a preferir o B5P211.Já investidores que acreditam em um ciclo mais forte de queda de juros e estão dispostos a lidar com oscilações maiores podem enxergar mais potencial no IMAB11.Para a gestora, porém, a combinação entre os dois ETFs pode ser justamente o caminho mais eficiente para construir uma exposição diversificada à inflação dentro da renda fixa brasileira.