O USDT é uma stablecoin pareada ao dólar criada para levar a estabilidade da moeda norte-americana para dentro da infraestrutura blockchain. Na prática, cada token mantém paridade de 1 para 1 com o dólar, funcionando como uma espécie de “dólar digital” amplamente utilizado em exchanges, pagamentos e transferências no ecossistema cripto.Lançado em 2014 pela Tether, o USDT surgiu com a proposta de facilitar o uso de moedas fiduciárias em ambientes digitais, permitindo transações globais com menor fricção e maior velocidade em comparação ao sistema bancário tradicional. Hoje, mais de uma década depois, o ativo deixou de ser apenas uma ferramenta de suporte ao mercado cripto e se tornou um dos principais pilares de liquidez da indústria.Na prática, essa ampla adoção se explica pelo papel funcional que o USDT passou a desempenhar dentro e fora do ecossistema cripto. Em exchanges, ele se consolidou como o principal par de negociação e a principal unidade de liquidez para entrada e saída de posições em outros criptoativos, reduzindo a exposição à volatilidade entre operações. No universo das finanças descentralizadas (DeFi), também é amplamente utilizado como base de pools de liquidez e colateral em protocolos que dependem de ativos estáveis para funcionamento.Fora do ambiente cripto, ganhou espaço relevante em remessas internacionais e transferências transfronteiriças, ao permitir movimentação rápida e de baixo custo entre países. Em economias com forte desvalorização cambial, como Argentina e Venezuela, o USDT passou ainda a cumprir a função prática de “dólar digital” alternativo, sendo utilizado como proteção contra inflação, reserva de valor e meio de transação em contextos onde o acesso à moeda forte é limitado.No Brasil, a corretora MB | Mercado Bitcoin e a Tether estão oferencendo 2% de cashback em Bitcoin para compras de USDT nesta sexta-feira (15), último dia da atual edição da Super Quarta. A campanha também está pagando 3% de cashback em Bitcoin para compras de XAUT e até 5% em ofertas de renda fixa digital. Saiba mais na página oficial da Super Quarta.Como funciona o USDTO USDT é emitido pela Tether com base em um modelo de lastro em reservas. Segundo a empresa, cada token em circulação é respaldado por ativos equivalentes ao valor emitido, incluindo caixa, equivalentes de caixa e outros instrumentos financeiros, pricipalmente Títulos do Tesouro dos EUA. Na prática, isso significa que novos USDTs são emitidos conforme há demanda de mercado e entrada de capital, enquanto resgates reduzem a oferta circulante. Esse mecanismo é o que sustenta a promessa de paridade com o dólar.A Tether também afirma operar em modelo multichain, com o USDT circulando em diversas blockchains, como Ethereum, Tron, Solana, além de redes como TON, Avalanche e outras. Essa distribuição amplia o alcance do ativo e permite seu uso em diferentes níveis de infraestrutura do mercado cripto.A infraestrutura multichainAo longo dos anos, o USDT se tornou um ativo presente em praticamente todas as grandes redes blockchain. Hoje, a maior parte da circulação está concentrada em duas redes: Ethereum, com cerca de US$ 95 bilhões em circulação; e Tron, com cerca de US$ 88 bilhões.Outras redes também passaram a integrar o ecossistema, como Solana, Aptos e TON, ainda que com volumes menores. Esse modelo multichain transformou o USDT em uma espécie de camada de liquidez global, funcionando como ponte entre diferentes ecossistemas cripto.O crescimento no BrasilNo Brasil, o USDT passou por uma das trajetórias de crescimento mais aceleradas já registradas no mercado cripto. Dados da Receita Federal mostram que o ativo saiu de volumes mensais inferiores a R$ 500 milhões em 2019 para patamares superiores a R$ 30 bilhões por mês em 2025, em um movimento contínuo de expansão que atravessou diferentes ciclos do mercado.Leia também: Volume de stablecoins no Brasil cresce 480x em 6 anos e atinge R$ 361 bilhõesEsse crescimento ganhou força a partir de 2020, ano em que o USDT começou a ganhar tração de forma mais consistente, impulsionado pelo aumento da demanda por dólar digital no ambiente cripto e pela expansão das negociações durante a pandemia. Naquele período, o volume mensal ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão e encerrou o ano já acima de R$ 5 bilhões mensais, marcando a transição de um ativo ainda marginal para uma peça relevante no ecossistema local.Nos anos seguintes, entre 2021 e 2022, o USDT consolidou sua presença e passou a disputar protagonismo diretamente com o Bitcoin no mercado brasileiro em termos de fluxo financeiro. A partir desse período, o ativo deixou de ser apenas um instrumento de conversão e passou a ocupar uma posição estrutural nas negociações, operando de forma recorrente acima de R$ 10 bilhões mensais e ampliando sua relevância como base de liquidez do mercado.A partir de 2023, o movimento se intensificou e o USDT entrou em uma fase de domínio mais claro. Os volumes mensais passaram a superar com frequência a marca de R$ 20 bilhões, com picos próximos de R$ 34 bilhões em 2025, indicando não apenas crescimento, mas consolidação de um novo patamar de uso do ativo no país. Entre 2019 e 2025, o ativo saiu de centenas de milhões de reais em movimentação anual para centenas de bilhões, registrando um crescimento superior a 40.000%. Quando o USDT ultrapassou o BitcoinUm ponto central dessa trajetória no Brasil foi a inversão de protagonismo entre o USDT e o Bitcoin. Até 2020, o Bitcoin ainda liderava os volumes negociados no país, mas já naquele ano o USDT começou a mostrar força: em novembro de 2020, movimentou US$ 831 milhões contra US$ 752 milhões do BTC.Ao longo de 2021, os dois ativos alternaram a liderança. Em janeiro, o Bitcoin ainda predominava (US$ 1,5 bilhão contra US$ 633 milhões em USDT), mas a diferença foi se estreitando até a virada definitiva em outubro de 2021, quando o USDT assumiu a dianteira e não perdeu mais a posição.Desde então, a distância entre os dois se ampliou de forma estrutural. Nos anos seguintes, o USDT passou a movimentar dezenas de bilhões de reais por mês no Brasil, enquanto o Bitcoin permaneceu em patamares significativamente inferiores, em alguns casos representando apenas uma fração do volume da stablecoin. Em outubro de 2025, por exemplo, o USDT registrou cerca de R$ 30,83 bilhões em transações, contra valores muito menores no BTC, consolidando o descolamento entre os dois ativos no mercado brasileiro.Problema judicial em NYO principal obstáculo regulatório envolvendo o USDT ocorreu em Nova York e teve como foco central questionamentos sobre a transparência das reservas e a forma como a empresa reportava seu lastro.Em 2021, após quase dois anos de investigação, a Procuradoria-Geral de Nova York, liderada por Letitia James, anunciou um acordo com a Tether e a Bitfinex que encerrou a disputa judicial entre as partes. Pelo entendimento firmado, as duas empresas foram multadas em US$ 18,5 milhões e proibidas de operar no estado de Nova York, além de serem obrigadas a enviar relatórios trimestrais detalhando suas reservas.A Tether, por sua vez, afirmou ao longo do processo que os problemas foram resolvidos e que o acordo encerrou definitivamente o caso. Desde então, a empresa passou a divulgar relatórios periódicos sobre suas reservas, enquanto o episódio de Nova York permanece como um dos principais marcos de desconfiança regulatória na história da stablecoin e um dos pontos centrais do debate sobre a solidez do seu modelo de lastro.Entrevista com CEO da Tether Em meio às dúvidas recorrentes sobre transparência e solidez das reservas, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, afirmou que a empresa já passou pelo período mais crítico de desconfiança do mercado e hoje opera com reservas superiores ao total de tokens emitidos. Em entrevista ao Portal do Bitcoin em 2023, o executivo disse que o modelo da stablecoin evoluiu ao longo dos anos e que a empresa passou a demonstrar maior capacidade de resistência em momentos de estresse.“Agora, o USDT pode-se dizer que está 104% lastreado”, afirmou Ardoino, ao defender a robustez do sistema de reservas da stablecoin. Segundo ele, a Tether não apenas mantém cobertura integral do token, como também teria acumulado uma reserva adicional ao longo do tempo, reforçando a capacidade de resgate em cenários de grande pressão.O executivo também usou episódios de estresse de mercado como argumento para sustentar a liquidez do ativo. “Em maio de 2022, fomos capazes de resgatar US$ 7 bilhões em 48 horas, que eram 10% de nossas reservas, e mais de US$ 20 bilhões em 20 dias, que eram 25% de nossas reservas”, disse, ao comparar o episódio com colapsos de instituições financeiras tradicionais. Para Ardoino, a capacidade de honrar resgates em larga escala reforça a resiliência do USDT em relação ao sistema bancário convencional.Ao comentar o histórico da empresa, o CEO reconhece que houve problemas no passado, mas afirma que eles fazem parte do processo de amadurecimento da companhia. “A Tether errou no passado, mas isso já foi superado. Nós crescemos, começamos do zero e hoje somos uma empresa com grande capitalização de mercado”, afirmou, ao reforçar que a companhia aprendeu com os episódios anteriores e aprimorou sua estrutura ao longo do tempo.O executivo também argumenta que a companhia não apenas resistiu a ciclos de crise no mercado cripto, como se beneficiou deles em termos de relevância sistêmica. “Muitos disseram nos últimos nove anos que a Tether iria à falência e isso nunca aconteceu”, afirmou. Segundo ele, a sobrevivência da empresa em episódios como os colapsos da FTX e de outras plataformas reforça a posição do USDT como um dos pilares de liquidez do mercado global.Compre ouro e dólar digital com até 5% de cashback em bitcoin! Blinde sua estratégia contra a inflação enquanto acumula a maior cripto do mundo. Abra sua conta no MB!O post USDT: Conheça a stablecoin que virou a espinha dorsal do mercado cripto global apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.