GPA (PCAR3) melhora rentabilidade, mas não evita prejuízo bilionário no 1T

Wait 5 sec.

O GPA (PCAR3), em recuperação extrajudicial, reportou novo prejuízo bilionário no primeiro trimestre de 2026 (1T26), pressionado por despesas financeiras elevadas e efeitos não recorrentes, apesar da melhora operacional observada no período. A varejista apresentou avanço nas margens, impulsionado por um mix mais rentável de vendas, foco em canais de maior lucratividade e ganhos de eficiência operacional.Às 10h46, as ações dono da rede de supermercados Pão de Açúcar caíam 0,87%, cotadas a R$ 2,28.Na avaliação do JPMorgan, o GPA divulgou resultados mistos no trimestre, com prejuízo por ação (EPS) ajustado de R$ 0,68, pior que a estimativa do banco, de R$ 0,47 negativos, e também abaixo do prejuízo de R$ 0,45 por ação registrado no mesmo período do ano passado, pressionado principalmente pelo aumento das despesas financeiras.Por outro lado, o JPMorgan destaca a rentabilidade como principal ponto positivo do trimestre. Apesar da queda de 8% na receita líquida, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 12% na comparação anual, ficando 7% acima das projeções do banco e 17% acima do consenso de mercado. A margem bruta atingiu recorde de 30,4%, superando a estimativa do JPMorgan, de 28,1%. Quer transformar esses resultados em renda passiva? Acesse a Planilha Viva de Renda gratuitamenteA melhora da rentabilidade foi atribuída a um mix de canais mais saudável, maior lucratividade do e-commerce, avanço da mídia de varejo e melhora na execução das lojas. Segundo o banco, esses fatores compensaram a desalavancagem operacional decorrente da queda das vendas, mesmo diante dos cortes relevantes de despesas administrativas.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoO JPMorgan ressaltou, porém, que as elevadas despesas financeiras seguem pressionando o resultado final da companhia, situação que o GPA tenta endereçar por meio do processo de recuperação extrajudicial da dívida.Após os resultados, o JPMorgan manteve recomendação underweight (exposiçaõ abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para as ações do GPA.GPA apresentou crescimento de vendas mesmas lojas (SSS) de 0,7% no primeiro trimestre, desacelerando em relação aos 2,6% registrados no quarto trimestre e abaixo das estimativas do Morgan Stanley, de 1,5%, e do consenso de mercado, de 1,8%. Segundo o banco, houve desaceleração em todas as bandeiras da companhia.Por outro lado, as margens foram o principal destaque do trimestre. A margem bruta avançou 2,9 pontos percentuais na comparação anual, para 30,4%, enquanto a margem EBITDA ajustada cresceu 1,9 ponto percentual, para 10,5%, acima das projeções do Morgan Stanley, de 9,1%, e do consenso, de 9,2%.Apesar da melhora operacional, o banco destaca que maiores despesas operacionais e financeiras limitaram o ganho na última linha. As despesas financeiras líquidas pressionaram o resultado, em meio ao maior custo da dívida. Além disso, a companhia registrou cerca de R$ 1 bilhão em despesas não recorrentes relacionadas principalmente a impairments de softwares e baixas de créditos tributários, levando o prejuízo líquido das operações continuadas para cerca de R$ 1,35 bilhão no trimestre.Desconsiderando os efeitos extraordinários, o prejuízo líquido ajustado teria sido de aproximadamente R$ 330 milhões, ainda pior que a projeção do Morgan Stanley, de R$ 290 milhões, e do consenso, de R$ 210 milhões.O banco destaca que a administração segue comprometida com o plano de eficiência para 2026. Entre os avanços do trimestre estão a redução de 55% nos investimentos (capex), para cerca de R$ 90 milhões, e corte de aproximadamente R$ 100 milhões em despesas operacionais em relação à base anterior.Ainda assim, o Morgan Stanley afirmou que continua vendo pouca visibilidade para uma trajetória sustentável de lucro positivo e para a resolução das contingências da companhia, estimadas em cerca de R$ 15 bilhões. Com isso, o banco manteve recomendação underweight (equivalente à venda) para as ações do GPA, com preço-alvo de R$ 2.Reitara do poison pillAlém dos resultados, a companhia convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para 15 de junho, com o objetivo de discutir a retirada da chamada “poison pill”, mecanismo de proteção acionária acionado quando um investidor ultrapassa determinada participação no capital, atualmente em 25%. A proposta também prevê alterar o limite de capital autorizado da companhia, que deixaria de ser expresso em número de ações e passaria a ser definido em R$ 5,78 bilhões, valor cerca de 2,3 vezes superior ao capital atual de R$ 2,51 bilhões. Segundo o JPMorgan, a medida abriria espaço para a emissão de dívida conversível prevista na reestruturação financeira e para futuras capitalizações.The post GPA (PCAR3) melhora rentabilidade, mas não evita prejuízo bilionário no 1T appeared first on InfoMoney.