Donald Trump e Xi Jinping se reuniram em um encontro marcado por elogios mútuos, mas também por tensões subjacentes entre as duas maiores potências do mundo. Xi Jinping declarou que a relação entre China e Estados Unidos é a “mais importante do mundo” e que ambos os lados devem fazê-la funcionar e nunca a estragar.Trump chamou Xi Jinping de amigo e o descreveu como um dos grandes líderes mundiais. Os dois líderes discutiram uma ampla gama de tópicos, entre os quais o conflito envolvendo o Irã e a questão de Taiwan foram os mais proeminentes.Xi também afirmou que o mundo está numa encruzilhada, diante das maiores transformações em um século, e que a saída para isso passa pelo reconhecimento da China como uma nova potência global e pelo fim das disputas. Leia mais Xi Jinping visitará EUA após "reunião histórica" com Trump, diz China Jardim secreto na China: saiba por que Xi Jinping convidou Trump ao local Após segunda reunião com Xi, Trump deixa Pequim e retorna aos EUA Os objetivos de cada ladoSegundo o professor de Relações Internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, os objetivos macro de Trump para o encontro podem ser resumidos em três pontos: demonstrar sua capacidade de negociação direta e pessoal, reduzir tensões econômicas antes das eleições de meio de mandato em novembro, e buscar colaboração chinesa em temas estratégicos, sobretudo o Irã e a estabilidade energética.Trump afirmou que Xi Jinping concorda que o Irã não pode possuir armas nucleares e que o Estreito de Ormuz deveria ser reaberto.Do lado chinês, as prioridades eram distintas. Brustolin destacou que Pequim buscava, acima de tudo, conter o apoio americano a Taiwan — o que ficou evidente já no primeiro pronunciamento de Xi Jinping durante a visita.A China também almejava obter previsibilidade tarifária, consolidar sua imagem como potência indispensável nos grandes temas internacionais e ganhar tempo estratégico enquanto amplia seu poder militar e tecnológico.Segundo o analista, a China tem projeção de ter um exército de nível global até 2035 e, portanto, não estaria pronta para um confronto direto no momento atual.Irã e o Estreito de OrmuzO analista sênior de internacional da CNN, Américo Martins, destacou que o próprio governo americano, ao divulgar um documento relatando a conversa entre os dois líderes, fez questão de ressaltar que a China teria se oferecido a ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz.No entanto, esse não foi o tema prioritário para Pequim. “O grande protagonista desse encontro foi o Xi Jinping, muito mais que o Donald Trump”, afirmou Américo, observando que os comunicados divulgados pelos dois países foram bastante diferentes entre si.Enquanto Trump enfatizou a questão do Irã como prioridade de Washington, o Ministério das Relações Exteriores da China divulgou simultaneamente um comunicado afirmando que “a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não deveria nunca ter começado” — uma crítica direta à forma como o conflito foi iniciado.Para Américo, a disposição chinesa em ajudar na mediação virá acompanhada de um preço elevado, que possivelmente inclui concessões relacionadas a Taiwan e à questão tarifária.Taiwan: a agenda centralA analista internacional da CNN, Lorival Sant’Anna, explicou que, desde 1979, quando os Estados Unidos reconheceram a República Popular da China e deixaram de reconhecer oficialmente Taiwan como país, o Congresso americano aprovou uma política de seis pilares, um dos quais prevê não aceitar a anexação forçada de Taiwan pela China.Contudo, a equação geopolítica mudou significativamente desde então, com a China tendo ampliado expressivamente seu poder militar e econômico.Lorival enfatizou que Taiwan não é apenas um item da agenda bilateral — “Taiwan é a agenda inteira”, afirmou.A razão central é a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), que fabrica 90% dos chips mais sofisticados do mundo e 64% de todos os chips globais.Os Estados Unidos criaram um campus da TSMC em Phoenix, no Arizona, mas a quantidade produzida ainda é muito pequena e não replica o complexo ecossistema industrial desenvolvido em Taiwan ao longo de décadas.Nesse contexto, ao retornar aos Estados Unidos, Trump declarou que ainda iria pensar se liberaria a venda de 14 bilhões de dólares em armas para Taiwan — um sinal de que a mensagem de Xi Jinping foi compreendida. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.