A maior empresa de energia dos Estados Unidos, a Exxon Mobil, está em negociações para adquirir direitos de produção de petróleo na Venezuela quase duas décadas depois de ter sido, na prática, expulsa do país, segundo várias pessoas a par do assunto.O acordo seria uma grande vitória para o presidente Donald Trump, que declarou que a vasta riqueza natural da Venezuela está aberta a empresas americanas.Se for concluído, o negócio marcaria o retorno da Exxon a um país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, depois de anos de disputas judiciais que transformaram a petroleira em inimiga declarada do governista Partido Socialista.Até janeiro deste ano, a própria Exxon classificava a Venezuela como “ininvestível”.Depois de depor o líder do país, Nicolás Maduro, Trump colocou a então vice‑presidente dele à frente da abertura econômica da Venezuela para os Estados Unidos.O acordo, que poderia ser fechado e anunciado já neste mês, envolveria a assinatura de contratos para a Exxon produzir petróleo em até seis campos em diferentes regiões da Venezuela, segundo essas pessoas. Elas falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a comentar negociações privadas.Um porta‑voz da Exxon não quis comentar. O governo venezuelano e a estatal de petróleo também não responderam a pedidos de posicionamento.Qualquer acerto entre esses dois velhos adversários da indústria global de petróleo — a Exxon e o governo da Venezuela — seria um marco na campanha de Rodríguez e Trump para transformar o país em parceiro econômico dos Estados Unidos, depois de décadas de rivalidade.A Venezuela nacionalizou projetos de petróleo estrangeiros em duas ocasiões nas últimas décadas, incluindo ativos da própria Exxon.Um acordo também representaria uma guinada na posição da empresa em relação a um país em que ela começou a operar ainda na década de 1940.Em 2007, o antecessor de Maduro na Presidência, Hugo Chávez, nacionalizou projetos de petróleo da Exxon e de outras petroleiras estrangeiras. Ao contrário da maioria das concorrentes, a Exxon se recusou a negociar, deixou o país e iniciou uma longa batalha judicial em cortes internacionais. O governo venezuelano ainda deve à companhia cerca de US$ 1 bilhão em indenizações concedidas nesses processos.Depois de sair da Venezuela, a Exxon passou a investir pesadamente na vizinha e rival Guiana e a desenvolver grandes campos de petróleo em uma área do Atlântico reivindicada pelos venezuelanos.O peso econômico da Exxon na Guiana fez da companhia um alvo frequente de ataques de Maduro, que a acusava de patrocinar um governo hostil.Nos últimos anos, executivos da Exxon rejeitaram tentativas de Rodríguez — que comandou o setor de petróleo venezuelano sob Maduro — de atrair a empresa de volta ao país, segundo uma pessoa familiarizada com essas investidas.Em uma reunião de alto perfil com executivos do setor, em 9 de janeiro, seis dias depois da queda de Maduro, o CEO da Exxon disse a Trump que a Venezuela representava um grande risco de negócios.“Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que, para voltar uma terceira, seriam necessárias mudanças bastante significativas”, afirmou Darren Woods na ocasião.Desde então, ele suavizou o discurso.Woods disse a analistas, em teleconferência neste mês, que a experiência da companhia na produção de óleo ultrapesado no Canadá lhe dá vantagem na Venezuela, onde boa parte do petróleo tem características semelhantes.“Os investimentos e os retornos parecem promissores”, disse sobre a Venezuela. “Então, estou otimista com o que está acontecendo, com a oportunidade lá.”Alguns fatores mudaram desde que Woods descartou a Venezuela em janeiro.A guerra no Irã elevou os preços globais de petróleo e gás, tornando mais atraentes investimentos em produção em diferentes mercados. A turbulência no Oriente Médio também deu urgência aos planos das petroleiras de diversificar suas fontes de produção.E, no mês passado, a principal rival da Exxon, a Chevron, anunciou uma grande expansão de seu maior campo na Venezuela, movimento que deve consolidar o domínio da empresa sobre um dos maiores depósitos de petróleo do mundo. Vários analistas disseram que a expansão da Chevron tornou estrategicamente mais custoso para a Exxon continuar ignorando a Venezuela.Ainda não está claro se o acordo inicial em negociação entre Exxon e autoridades venezuelanas incluirá obrigações vinculantes ou se será apenas uma manifestação formal de interesse da companhia. Rodríguez reformou a lei de petróleo do país em janeiro para torná‑lo mais atraente a investidores privados, mas ainda finaliza um novo tipo de contrato para produtores.Uma pessoa familiarizada com as conversas disse que os negociadores da Exxon vêm atuando de forma agressiva no país nas últimas semanas, priorizando uma entrada de grande porte em vez de acordos incrementais. Uma segunda fonte disse que um grupo de funcionários da empresa viajou a Caracas, em abril, para avaliar os campos de petróleo colocados à mesa.O governo de Rodríguez tem perseguido o acordo com urgência semelhante, segundo uma terceira pessoa. Para ela, o retorno de uma empresa que, no imaginário popular, simboliza o poder petrolífero americano é peça central da estratégia de Rodríguez para atrair investimentos e ganhar prestígio junto à administração Trump.A busca pelo acordo com a Exxon se tornou prioridade máxima, deixando em segundo plano o avanço de leis internas sobre investimentos em petróleo ou a atração de outras grandes empresas ocidentais de energia, acrescentou essa fonte.c.2026 The New York Times CompanyThe post Exxon pode voltar à Venezuela e encerrar longa disputa com líderes do país appeared first on InfoMoney.