Minerva (BEEF3): BBA corta recomendação e reduz preço-alvoO Itaú BBA reduziu a recomendação para as ações da Minerva (BEEF3) de outperform para market perform e cortou o preço-alvo dos papéis de R$ 9 para R$ 5,50 ao fim de 2026. Em um relatório divulgado nesta quarta-feira (20), o banco afirmou que passou a adotar uma postura mais cautelosa diante da menor visibilidade para o mercado brasileiro de carne bovina e dos riscos envolvendo o ciclo pecuário, a demanda chinesa e o câmbio.Segundo os analistas, a revisão reflete um ambiente operacional menos favorável para a companhia nos próximos trimestres. “Estamos atualizando nosso modelo para a Minerva, reduzindo nosso preço-alvo para R$ 5,50 por BEEF3 ao fim de 2026 (ante R$ 9,00) e rebaixando a companhia para recomendação Market Perform”, escreveram.Apesar do corte, o novo preço-alvo ainda implica potencial de valorização em relação ao preço atual das ações, com um potencial de alta de 29% frente ao fechamento da última terça-feira (19). O banco, porém, destacou que prefere permanecer “na lateralidade” até recuperar maior visibilidade sobre os principais fatores que podem impactar os resultados da empresa.Por que o BBA rebaixou as ações da Minerva (BEEF3)?Entre os principais motivos para a revisão negativa, o Itaú BBA apontou a mudança do ciclo pecuário brasileiro. Após anos de forte ritmo de abate, os analistas avaliam que a disponibilidade de gado no Brasil deve diminuir gradualmente, elevando os custos para os frigoríficos.“Após três anos de atividade acelerada de abate no Brasil, a ampla disponibilidade de gado provavelmente desaparecerá mais cedo ou mais tarde”, afirmou o banco.A expectativa é que a retenção maior de fêmeas para recomposição do rebanho reduza a oferta de animais disponíveis para abate. Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citadas no relatório, o rebanho bovino brasileiro deve cair 1,4% em 2026, enquanto a produção de carne bovina pode recuar 5,3% no período.Além do ciclo pecuário, o banco também demonstrou preocupação com a demanda chinesa por carne bovina brasileira. O relatório cita o mecanismo de salvaguarda da China como um dos principais fatores de risco para o setor, já que a cota anual de importação do país pode ser totalmente utilizada até agosto.“Estimativas atuais sugerem que a cota anual de importação pode ser totalmente esgotada até agosto”, destacaram os analistas.Na avaliação do Itaú BBA, isso poderia obrigar o Brasil a redirecionar parte das exportações para outros mercados, reduzindo a opcionalidade comercial do setor. Ainda assim, o banco pondera que a plataforma diversificada da Minerva pode amenizar parte desse impacto.Outro ponto de atenção envolve o câmbio. Embora os preços internacionais da carne bovina permaneçam elevados, a valorização do real frente ao dólar pode pressionar a rentabilidade das exportadoras brasileiras. O banco destacou que o preço da carne bovina exportada pelo Brasil subiu para US$ 6,2 por quilo em maio, ante US$ 5,2 um ano antes, mas afirmou que a apreciação do real pode compensar parte desse movimento positivo.O Itaú BBA também revisou para baixo suas projeções financeiras para a Minerva (BEEF3). Para 2026, a estimativa de lucro líquido caiu 60,5%, enquanto a projeção para o EBITDA ajustado foi reduzida em 5,4%.