Boa Safra (SOJA3): Alavancagem elevada e baixa visibilidade pressionam leitura do 1T26; analistas veem cenário desafiador

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A Boa Safra (SOJA3) reportou um primeiro trimestre de 2026 (1T26) marcado por pressão operacional e financeira, em um período tradicionalmente menos representativo para o negócio devido à sazonalidade da produção de sementes de soja.Apesar do crescimento da receita líquida consolidada para R$ 132 milhões, alta anual de 20%, os analistas destacaram preocupações com a geração de caixa, a visibilidade reduzida para o restante do ano e o avanço da alavancagem.O Bradesco BBI ressaltou que o Ebitda do trimestre ficou negativo em R$ 25 milhões, enquanto o indicador acumulado em 12 meses caiu 10% na comparação anual, para R$ 130 milhões. A carteira de pedidos de sementes de soja encerrou o trimestre em R$ 1,3 bilhão, recuo de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, ainda equivalente a cerca de dois terços da projeção anual do banco.Na visão do BBI, a companhia enfrenta um ambiente mais desafiador após um forte ciclo de crescimento no pós-IPO, com desaceleração operacional, maior necessidade de capital, compressão de margens e aumento da alavancagem.O banco destacou ainda que produtores seguem mais cautelosos nas decisões de compra para a safra 2026/27, postergando aquisições de insumos e reduzindo a previsibilidade da demanda. Diante desse cenário, o Bradesco manteve recomendação neutra para o papel.Indicadores abaixo do esperado A XP Investimentos também classificou o trimestre como pouco acionável do ponto de vista operacional, mas apontou que os principais indicadores vieram abaixo do esperado. Segundo a corretora, o crescimento do backlog foi modesto, em meio ao atraso das compras por parte dos produtores, enquanto o consumo de caixa ficou acima das estimativas, ainda que dentro da dinâmica sazonal do negócio.O principal ponto de atenção, porém, foi a desconsolidação do fundo SNAG11, que elevou significativamente a dívida líquida reportada da companhia. Com a mudança contábil, a dívida líquida incluindo arrendamentos subiu para aproximadamente R$ 900 milhões, fazendo a alavancagem alcançar 6,1 vezes dívida líquida sobre EBITDA.Embora a XP não veja risco imediato de liquidez — já que a maior parte da dívida está concentrada no longo prazo — a corretora acredita que o novo patamar de alavancagem reportada tende a gerar reação negativa do mercado no curto prazo.O Bradesco BBI também destacou que a alavancagem consolidada alcançou 6,5 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses, acima do covenant de 3,5 vezes, ainda que a métrica seja avaliada apenas anualmente.Para os analistas, a recuperação operacional ao longo de 2026 será decisiva para a tese de investimento da companhia, em um momento em que o agronegócio brasileiro enfrenta crescimento mais limitado de área plantada e maior seletividade por parte dos produtores.