'Eu não vou deixar de ser quem eu sou para caber em lugar algum': o mercado de luxo no Brasil é diverso?

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Três palestrantes com trajetórias diferentes e que atuam em ramos distintos dentro do mercado de luxo. Ao mesmo tempo, todas compartilham histórias difíceis em seus caminhos. Como evitar que a descriminação interrompa a sua ascensão? Em um bate-papo inspirador, “Luxo para todos ou luxo para poucos?” no São Paulo Innovation Week (SPIW), as três dominaram o ambiente e trouxeram provocações sobre a diversidade no mercado de luxo.Roberta Freitas, ⁠Comunicadora de Beleza e Apresentadora, Danni Rudz, apresentadora de TV, criadora de conteúdo e empresária, e Vivi Siqueira CEO do Espaço VS Hair&CO, todas mulheres pretas embaixadoras de marcas gigantes do luxo, participaram de um painel mediado por Edu Santos, mentor de marketing e mercado de luxo. Confira abaixo o que rolou no painel!Como garantir a inclusão na práticaComo Vivi Siqueira garantiu que nenhuma pessoa seria constrangida em seu salão? A conscientização de sua equipe e a sensibilidade especial com as mulheres pretas que chegassem ao seu salão é uma exigência indispensável. E essa consciência veio até antes dela se informar ainda mais sobre o assunto.“Antes de eu ser letrada, eu sempre tive pra mim que ninguém deveria julgar ninguém pela cara. Todas são tratadas da mesma forma no meu salão (...) Treinei toda a minha equipe a lidar com essas mulheres que já chegam cheias de dores. Quando receber uma mulher preta, a receba com muito cuidado.”Ela até citou como exemplo uma fala comum em muitos salões do país quando o profissional vai cuidar de um cabelo de uma pessoa negra e fala que vai “dar um jeito”. Vivi deixou claro: “Não é dar um jeito, é lidar (...) Somos tratadas como sujeito indesejado, mas no meu salão isso nunca vai acontecer.”Mas isso ainda acontece?Sim. Quando passaram a compartilhar as situações racistas que passaram, onde se sentiram constrangidas e desconfortáveis, Danni Rutz contou que, vindo de uma família mista, sempre que entrava com sua irmã branca em lojas de luxo, os atendentes sempre conversavam primeiro com sua irmã: “Eu nunca vou em uma loja de luxo sem um vendedor indicado para evitar o constrangimento.”Roberta e Vivi também compartilharam situações similares e revoltantes, muitas delas recentes e envolvendo o dia a dia. Mas, pelo menos no mercado de luxo, a que se deve essa discriminação que persiste até os dias de hoje, mesmo com o aumento de campanhas mais diversas? Danni tem uma resposta“Dentro da estrutura do mercado de luxo, quem está com a caneta na mão não é uma pessoa diversa. Quem aprova, quem assina, quem testa. Se quem decide é uma pessoa normativa, ela só vai buscar dentro do próprio universo”, disse a empresária.As três ainda concordaram que muitas vezes em uma campanha inclusiva, a mulher preta é adicionada quase como cota: “A mulher preta trabalha sempre por oportunidades, com o menor cachê, excluída.”A solução não é se adequarMas o que fazer, então? Quem quiser entrar nesse mercado precisa se adequar aos padrões que são mais facilmente aceitos? O sucesso das três palestrantes está aí para provar que não. Apesar de muitas marcas de luxo esperarem uma estética clean beauty, aquela popularizada por Hayley Bieber e aderida por muitas modelos (em sua maioria, brancas), o caminho da originalidade também é possível.Vivi, CEO, embaixadora da L'Oréal, carioca e uma grande entusiasta do samba e funk, se recusa a mudar para se encaixar em um padrão: “Eu não vou deixar de ser quem eu sou para caber em lugar nenhum.”Roberta disse que, sem nenhuma grande entrada em vista para esse universo do mercado de luxo, precisou apostar em seu carisma para começar a sua carreira.E deu certo viu? Enquanto trabalha com as maiores marcas de luxo do mundo, a comunicadora não pretende mudar seu jeito: “Às vezes o mercado de luxo te deixa tão engessado que você não pode viver, rir, se divertir.”Para que o cenário mude, o público geral precisa se envolver e entender a diversidade como uma prioridade. Pessoas mais diversas não devem ser olhadas como cotas, mas sim como representação de uma realidade que sempre existiu. Tanto no mercado de luxo, quanto em qualquer outro espaço. O TecMundo está no São Paulo Innovation Week! O SPIW 2026 começou nesta quarta-feira, 13, na capital paulista, reunindo líderes de grandes companhias brasileiras e globais, empresas e startups. Centros de pesquisa, investidores e governos também estarão presentes, participando de debates em tecnologia, ciência, educação, saúde, finanças e muitas outras áreas. Para todos os detalhes acesse o site oficial do evento.