O Banco do Brasil (BBAS3) já foi estrela de muitas carteiras de dividendos quando lucrava acima de R$ 9 bilhões e distribuía 45% do seu lucro para os acionistas. Porém, a situação piorou e essa parcela caiu para 30%. Mais do que isso, o banco projeta lucrar menos em 2026. Se antes, via lucro de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, agora projeta lucrar de R$ 18 a R$ 22 bilhões. Ou seja, o teto virou piso.Entre os vilões para a tesoura está a projeção do custo de capital, que disparou: saiu da faixa de R$ 53 bi a R$ 58 bi para R$ 65 bi a R$ 70 bi. Para o analista da Levante, Flavio Conte, supondo um lucro líquido de R$ 18 bi em 2026 e um payout de 30%, o banco distribuiria R$ 5,4 bi, equivalente a R$ 0,9422, a ser pago durante 2026. O dividend yield seria de 4,5% em relação a cotação de fechamento de R$ 20,76. Bem distantes dos 10% dos tempos de vacas gordas.Ainda segundo ele, é provável que o banco fique com lucro no piso da faixa. Se for realmente R$ 18 bi significaria um lucro líquido de R$ 4,8 bi por trimestre que é mais alto do que os R$ 3,4 bi do primeiro trimestre de 2026.Junto com o resultado, o BB anunciou a distribuição de R$ 465,7 milhões em juros sobre o capital próprio.Sem dividendos extras do Banco do BrasilE se o investidor tinha alguma esperança de que o Banco do Brasil poderia pagar dividendos extraordinários, elas acabaram nesta quinta. Em conferência com jornalistas, Giovanne Tobias descartou completamente o pagamento.A possibilidade foi levantada ainda no terceiro trimestre de 2025. Na ocasião, Tobias havia afirmado que só teria clareza desse pagamento ao final de 2026. Porém, a situação, hoje, é pior que o esperado. Na noite da última quarta-feira, o banco divulgou lucro de R$ 3,4 bilhões, queda de 52%. Para a XP Investimentos, o banco reportou mais um trimestre “fraco”, ainda que em linha com o esperado pela casa. Os analistas destacaram que a principal preocupação migrou do resultado em si para a piora do cenário.“A pressão de crédito não está mais restrita ao Agronegócio“, afirmaram os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, em relatório.A visão do trio considera que os NPLs iniciais (Non-Performing Loan: Crédito Não Produtivo, em inglês) – considerado uma métrica de inadimplência – de Pessoa Física (PF) aumentaram quase 90 pontos-base no trimestre a trimestre e subiram 200 pontos-base na comparação anual, “sugerindo pressão adicional à frente”.“Além de o NPL 90+ seguir em trajetória de piora (+26bps T/T; +170bps A/A), observamos um aumento significativo da inadimplência em estágio inicial, de aproximadamente +90bps T/T (+200bps A/A), o que deverá pressionar ainda mais o NPL 90+ nos próximos trimestres”, diz o relatório.Segundo os analistas, ao avaliar a composição da inadimplência por produto, fica claro que os empréstimos consignados têm sido a principal fonte de pressão, provavelmente refletindo a maturação das carteiras mais recentes, especialmente no consignado privado.Com Liliane Lima