Longe dos Holofotes: cadeia produtiva da VEJA vira documentário

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Em 2023, a VEJA levou o coletivo francês La Blogothèque à Amazônia, ao semiárido e ao sul do Brasil, e deu total liberdade criativa para que o estúdio registrasse o que acontece no coração das comunidades que tornam os tênis da marca possíveis. Três anos depois, o projeto resultou em curta-metragens, dirigidos pelas lentes do francês Christophe Abric, do franco-canadense Jérémie Battaglia.“É a primeira vez, em 20 anos, que documentamos de fato, por meio de um filme, o que acontece no Brasil. Não queríamos cair em uma forma de comunicação corporativa, formatada ou excessivamente polida. Então produzimos algo completamente inesperado, uma espécie de OVNI cultural”, conta Sébastien Kopp, cofundador da VEJA.Foto: DivulgaçãoDuas décadas atrás os franceses François-Ghislain Morillion e Sébastien Kopp desembarcaram no Brasil, onde decidiram criar uma marca de tênis com materiais ecológicos e práticas de comércio justo que beneficiassem comunidades, famílias e terras por onde a marca passasse. Indo contra a lógica de mercado, escolheram comprar diretamente de famílias produtoras e criaram uma relação de confiança e co-criação entre marca e cadeia produtiva que se expandiu para todas as etapas da confecção dos tênis VEJA. Desde então, esse modelo de negócio se aprimorou, sem nunca perder seus valores. Em 2026, a marca decidiu que era hora de contar essa história.Fugindo do estilo corporativo padrão de comunicar a própria marca, a VEJA apostou em um estúdio reconhecido por seus trabalhos alternativos e autênticos no universo musical para retratar a realidade de uma forma diferente do convencional, com uma lente artística sensível aos detalhes. O resultado são filmes que convidam o espectador a viajar para universos diferentes a partir da música, das paisagens e das histórias. Leia também: 1.VEJA integra materiais biológicos em tênis de corrida 2.Depois de 10 anos, VERT passa a se chamar VEJA no Brasil Sobre os filmesNo centro do projeto está “Longe dos Holofotes”, um documentário de 30 minutos, onde Jérémie Battaglia apresenta, de forma autêntica e pessoal, quatro retratos: Richard Alexander, contramestre em uma fábrica que produz VEJA no Rio Grande do Sul; Irisnete de Castro, seringueira na floresta amazônica; Osvaldo Mamédio, agricultor no sertão do Piauí; Luênia Maria, líder de uma rede de catadores de materiais recicláveis em Minas Gerais. Frente à câmera, cada um compartilha emoções, passados por vezes dolorosos, ambições e esperanças. Separados por milhares de quilômetros, eles narram, à sua maneira, a história de um território complexo e os laços invisíveis que os unem.O algodão agroecológico gera renda para produtores familiares e ajuda a promover uma cadeia de produção mais justa e sustentável. Foto: VEJA Leia também: 1.Ultra-fresh fashion agrava custo ambiental da moda 2.Biotecido é alternativa mais limpa para indústria da moda “O que eu gosto é de mostrar aqueles que raramente são vistos, ou que são vistos através de uma lente distorcida. Tenho interesse em suas trajetórias de vida, na forma como encontram seu lugar na sociedade. Foi isso que tentei fazer aqui”, diz Jérémie Battaglia, diretor do documentário.Como desdobramento desse projeto, o mesmo estúdio também assina o curta: “Catadores”, que apresenta o cotidiano de uma cooperativa de reciclagem pelo olhar de catadores e catadoras, dirigido pelo francês Christophe Abric.Seringueiros ajudam a manter a floresta em pé com o extrativismo. Foto: VEJA“As pessoas tendem a pensar que a VEJA é apenas ‘uma marca descolada’, mas não sabem realmente o que está por trás do tênis”, diz Sébastien Kopp. “Elas sabem que fazemos as coisas de forma diferente, mas nem todas têm noção do que isso significa”, acrescenta François-Ghislain Morillion, cofundador da VEJA. “Com este filme, mostramos que o que realmente importa são essas pessoas, muitas vezes invisibilizadas, que tornam o projeto possível”, concluem.Ao abrir as portas de sua própria cadeia produtiva, sem medos ou amarras, a marca reforça o convite que seu próprio nome faz ao consumidor e telespectador: veja além dos tênis.Fábrica da VEJA, na região Sul do Brasil. Foto: Divulgação Leia também: 1.Roupas vão precisar de “Passaporte Verde” 2.Estudo revela impacto das roupas em organismos marinhos Estréia no BrasilApós estréia em Paris, os filmes chegaram em São Paulo no dia 07 de maio, em uma sessão única e aberta ao público no Theatro São Pedro, seguida de um painel com os personagens dos curtas, o diretor Christophe Abric e os fundadores da VEJA François-Ghislain Morillion e Sébastien Kopp.A estreia do documentário reuniu personagens do filme: seringueiros e seringueiras, catadores e catadoras de recicláveis, agricultores, colaboradores da fábrica e toda a equipe de campo da marca, além dos fundadores da VEJA e diretores. Foto: DivulgaçãoOs filmes terão sessões especiais nas cidades onde foram gravados, além de exibições em eventos, festivais e circuitos em diferentes países. A ideia é que os documentários passem primeiro pelo circuito de festivais e mostras e depois sejam disponibilizados no YouTube e em outras plataformas. Leia também: 1.Aventura de Tamara Klink vira documentário da Maria Farinha 2.Documentário apresenta conceitos da Agricultura Biodinâmica VEJAEm 2004, os amigos franceses Sébastien Kopp e François-Ghislain, fundadores da VEJA, vieram ao Brasil com a ideia de reinventar o processo produtivo de um artigo icônico para sua geração: o tênis. A ideia era fazer, de modo diferente, cada etapa desse sistema de fabricação até o produto final. O objetivo não era somente criar um item de moda, e sim um tênis com impacto positivo.A VEJA está à frente de todo desenvolvimento dos produtos, que usam algodão agroecológico do Nordeste do Brasil e do Peru, produzido pela agricultura familiar, a borracha nativa da Amazônia e couro do Rio Grande do Sul e do Uruguai, e de sua nova cadeia produtiva, inovadora no mercado, o PET, produzido a partir de garrafas pós-consumo e sem uso de água.Foto: VEJAAlém disso, elaboram novos materiais e novas tecnologias em um processo de melhoria contínua e com visão global de negócio. A distribuição desses calçados no mercado brasileiro começou em 2013, ampliando a atuação da marca, já presente na Europa, Ásia e nos Estados Unidos.Que saber mais? Clique aqui.The post Longe dos Holofotes: cadeia produtiva da VEJA vira documentário appeared first on CicloVivo.