A probabilidade de um fenômeno climático El Niño mais intenso está aumentando, com o Centro de Previsão Climática da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos atribuindo 61% de chance de desenvolvimento entre maio e julho e 25% de um evento “muito forte”. Segundo relatório divulgado pelo Bradesco BBI na última quarta-feira (13), este aquecimento das águas do Pacífico ocorre ao mesmo tempo que o petróleo está sendo negociado a US$ 100 por barril.Os analistas acreditam que o aumento dessas pressões das mudanças climáticas faz com que os riscos de alta na inflação e impacto no PIB possam tornar a situação de alguns países como Brasil, Colômbia e Peru mais complexa, especialmente quando se trata de alimentos e energia.Leia mais: Ormuz e El Niño preocupam cafeicultor – e podem deixar o cafezinho de 2027 mais caro“Nosso índice de exposição macro ao El Niño mostra África, ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), Brasil, Colômbia e Peru como alguns dos mais expostos aos impactos na inflação de alimentos”, afirma o relatório do Bradesco BBI.Quando se trata de ações do setor financeiro que podem ser mais impactadas, o Banco do Brasil (BBAS3) e a Credicorp no Peru enfrentam desafios operacionais durante esses ciclos climáticos. “No geral, vemos os impactos do El Niño nas ações e na inflação na América Latina como idiossincráticos e mistos”, afirmam os analistas. O banco mantém o Brasil como sua escolha principal na região, sustentando uma visão de compra para o mercado doméstico. “O Brasil continua sendo nossa principal escolha na região, apesar das incertezas climáticas”, conclui o Bradesco BBI.Crise hídricaNo setor de utilities no Brasil, a métrica central para avaliação é o Índice de Energia Natural Afluente (ENA), que mede o volume de água que flui para os reservatórios hidrelétricos. O Bradesco BBI frisa que nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno El Niño tende a tornar as chuvas irregulares e causar ondas de calor, o que aumenta a demanda por energia e força o despacho de usinas termelétricas mais caras. “Neste cenário, a Axia (AXIA3) se beneficiaria, pois os preços mais altos compensariam mais do que qualquer impacto negativo de volumes menores”, destaca o documento.De acordo com o relatório, outra potencial beneficiada seria a geradora térmica Eneva (ENEV3), que pode ver receitas maiores se o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aumentar o despacho térmico. Leia também: El Niño deve encurtar inverno e fazer varejo redesenhar estratégias de vendasJá para a Sabesp (SBSP3), o cenário se tornaria negativo, pois o fenômeno pode afetar os reservatórios regionais, tornando a água mais escassa. “Para a Sabesp, o impacto é negativo, pois não há benefício compensatório de preços para volumes menores de reservatórios”, diz o relatório.Impactos regionais na agricultura e alimentosA geografia brasileira dita o impacto na agricultura: chuvas intensas no Sul costumam beneficiar os rendimentos de soja e milho, enquanto o Norte e Nordeste sofrem com condições mais secas. Para a SLC Agrícola (SLCE3), a maior exposição ao Nordeste torna o El Niño um desenvolvimento negativo. Em contrapartida, a 3tentos (TTEN3) e a São Martinho (SMTO3) tendem a ser favorecidas. “O Brasil tende a ver melhores condições para milho, cana-de-açúcar e, em menor grau, soja e algodão, enquanto arroz e trigo são geralmente afetados negativamente”, afirma o Bradesco BBI.No setor de alimentos, a Camil (CAML3) é apontada como beneficiária pelo BBI, já que o arroz representa cerca de 45% de suas receitas e a empresa ganha com a valorização do produto se a produção nacional enfraquecer. “A Camil é uma beneficiária clara, dado que o arroz é um componente central de suas operações”, destaca o banco. A São Martinho também se beneficia pois a produção de cana na ASEAN costuma ser prejudicada pelo El Niño, o que melhora a perspectiva para os preços globais do açúcar. Dinâmica de proteínasO mercado de proteínas sente os reflexos via preços de grãos, com impactos mistos para JBS (BDR: JBSS32) e Marfrig (MBRF3) devido à diversificação geográfica.Na Austrália, as operações da JBS poderiam se beneficiar inicialmente da liquidação de gado impulsionada pela seca, aumentando os abates no curto prazo. “O aumento do abate na Austrália pode favorecer as margens da JBS no estágio inicial do fenômeno”, diz o relatório do BBI. Nos Estados Unidos, a dinâmica é oposta, com chuvas encorajando a retenção do rebanho, o que pode pressionar as margens de carne bovina no curto prazo.The post Ações listadas na B3 podem ser impactadas com o El Niño deste ano; veja quais appeared first on InfoMoney.