Eloy Casagrande surpreendeu os próprios colegas ao anunciar a sua saída do Sepultura. Poucos dias antes do início da turnê de despedida “Celebrating Life Through Death” em fevereiro de 2024, a banda comunicou o desligamento do baterista e afirmou que foi “pega de surpresa, sem aviso prévio ou qualquer tipo de debate sobre como fazer a transição”.Segunda a nota publicada pelo grupo, o músico revelou em “uma reunião extraordinária” que estava saindo no dia 6 de fevereiro daquele ano. A questão é que o primeiro show do giro aconteceria no dia 1º de março – ou seja, menos de um mês depois. Fato é que Andreas Kisser não escondeu o ressentimento quanto à atitude do ex-colega, que tomou a decisão para entrar para o Slipknot. Numa entrevista a Zé Luiz e Bebé Salvego para o Uol No Tom, o guitarrista chamou o movimento de “esquisito, para dizer o mínimo”, já que o baterista estava inteiramente envolvido nos planos da excursão derradeira. Derrick Green também relembrou recentemente que a saída do integrante “foi um choque”. Ao The Razor’s Edge, conforme transcrito pela Blabbermouth, o vocalista reforçou que o Sepultura não fazia ideia de que Casagrande negociava sua ida ao Slipknot:“Naquele momento [quando Eloy nos disse que estava deixando o Sepultura], foi um choque porque não fazíamos ideia [de que ele tinha feito teste para o Slipknot e acabado conseguindo a vaga]. E também faltava uma semana, talvez uma semana e meia, para começarmos a turnê. Eu literalmente estava arrumando minhas coisas para ir ao Brasil iniciar os ensaios que já tínhamos organizado e combinado. Então, sim, foi uma droga. É ruim quando qualquer pessoa decide sair, e a maneira como tudo aconteceu.”Ao mesmo tempo, porém, o cantor diz entender o baterista e garante que os problemas ficaram no passado. Citando o substituto Greyson Nekrutman e a facilidade com o que o “novato” encaixou na formação, ele contou:“Fico feliz por ele. Eu entendo a oportunidade. Acho que todos nós entendemos. Foi só a forma como tudo acabou se desenrolando que não foi das melhores. Essas coisas acontecem. Agora, olhando para trás, ficou no passado. É como se tudo tivesse acontecido da maneira que deveria acontecer, honestamente. E, claro, na época foi muito difícil enxergar esse lado. Pensávamos: ‘outra grande surpresa surgindo do nada, como vamos conseguir sobreviver a isso?’ Tivemos tantas situações assim ao longo da história da banda. Então conseguimos seguir em frente rapidamente. E tivemos muita sorte, muita felicidade, de Greyson estar disponível e disposto a entrar na banda. E o fato de termos nos dado bem também conta muito, em termos de personalidade […]. Tivemos muita sorte de conseguir encontrar alguém para completar a turnê de despedida literalmente na última hora. Naquele mesmo dia já estávamos procurando [um novo baterista] quando descobrimos [que Eloy estava saindo].”No fim das contas, Derrick acredita que tudo deu certo para os dois lados. E mencionou o que deseja para Casagrande:“Acho que tudo acabou funcionando da maneira que tinha que funcionar. Espero que o Eloy esteja feliz onde está. Tenho certeza de que está. E nós certamente estamos felizes com a forma como a turnê vem acontecendo.”O lado de Eloy CasagrandeDurante uma entrevista concedida ao Uol, Eloy Casagrande explicou que só aceitou fazer a audição para o Slipknot por causa do fim do Sepultura. Como assinou um documento de confidencialidade a respeito do teste, iniciado em dezembro de 2023, ficou impossibilitado de compartilhar a notícia. À Veja SP, ainda destacou que “rolou um papo com o Slipknot, se daria para conciliar as duas bandas, mas eles falaram que não, não teria como”. Sendo assim, não teve outra alternativa. Também ao Uol, o artista declarou nunca ter feito parte da banda brasileira como integrante, limitando sua definição a “músico autônomo, contratado”. Ele afirmou:“O primeiro fator para eu querer tocar no Slipknot foi o fim do Sepultura. Eu tenho 33 anos. Respeitei a decisão do Andreas [Kisser, guitarrista e líder do grupo], mas eu precisava seguir com minha vida. O convite do Slipknot não tinha como esperar um ano. Era sim ou não […]. Não sei se o Sepultura entendeu meus motivos. Não conversei mais com eles. A gente tinha uma relação boa, mas eu nunca fiz parte de Sepultura. Sempre fui um músico autônomo, contratado.”Quer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.O post A reflexão de Derrick Green sobre saída de Eloy Casagrande do Sepultura apareceu primeiro em Igor Miranda.