A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou nesta quarta-feira (13) novas imagens captadas pela sonda Mars Express que mostram uma paisagem acidentada de Marte esculpida por enchentes catastróficas há bilhões de anos. Os registros destacam a região de Shalbatana Vallis, um vasto sistema de canais próximo ao equador marciano.As imagens foram feitas pela câmera High Resolution Stereo Camera (HRSC), instrumento da missão que mapeia o planeta em cores e em 3D. Segundo a ESA, a área revela um tipo de formação chamado de “terreno caótico”, caracterizado por blocos rochosos fraturados e desordenados.Mapa topográfico de Shalbatana Vallis, em Marte, criado a partir de dados coletados pela sonda Mars Express em outubro de 2024. A coloração destaca diferenças de altitude no terreno esculpido por antigas enchentes no planeta vermelho. – Imagem: ESA/DLR/FU BerlinRegião foi moldada por grandes fluxos de águaDe acordo com a agência espacial, o chamado terreno caótico pode ter surgido após o derretimento de gelo subterrâneo, o que teria provocado o colapso da superfície. Em Shalbatana Vallis, essas formações aparecem ao lado de vales sinuosos criados por enormes enchentes que cruzaram Marte há cerca de 3,5 bilhões de anos.Vista aérea de uma parte de Shalbatana Vallis, grande sistema de canais próximo ao equador de Marte, registrada pela câmera High Resolution Stereo Camera da missão Mars Express, da ESA. A imagem destaca áreas de terreno caótico e um cânion esculpido por antigas enchentes no planeta vermelho – Imagem: ESA/DLR/FU BerlinOs pesquisadores acreditam que grandes volumes de água subterrânea emergiram na superfície em uma série de inundações catastróficas. Esses fluxos teriam escavado rapidamente os canais observados atualmente.O principal canal visto nas imagens possui cerca de 10 quilômetros de largura e aproximadamente 500 metros de profundidade. A ESA destacou que esse tipo de terreno é relativamente comum no planeta e já havia sido registrado anteriormente pela Mars Express.Imagem contextualiza a localização de Shalbatana Vallis em Marte. Os quadros indicam a região analisada pela câmera High Resolution Stereo Camera, da missão Mars Express, em registros divulgados pela ESA – Imagem: NASA/USGS; ESA/DLR/FU BerlinImagens revelam passado geológico complexoAs novas observações também mostram diferentes camadas da história geológica marciana. Segundo os cientistas, Shalbatana Vallis pode ter sido ainda mais profunda no passado, antes de ser preenchida gradualmente por sedimentos, cinzas e outros materiais ao longo do tempo.Depósitos escuros espalhados pelo vale são interpretados como cinzas vulcânicas redistribuídas pelos ventos de Marte. Além disso, crateras de impacto, cristas enrugadas e mesas isoladas sugerem ciclos repetidos de enchentes, fluxos de lava e erosão durante bilhões de anos.Imagem em 3D de Shalbatana Vallis, em Marte, criada com dados captados pela câmera High Resolution Stereo Camera da missão Mars Express. O anáglifo permite visualizar em relevo o canal formado por antigas enchentes no planeta – Imagem: ESA/DLR/FU BerlinOs pesquisadores têm interesse especial em regiões como Shalbatana Vallis porque elas preservam evidências de que Marte já foi um planeta mais quente e úmido do que é atualmente.Missão Mars Express segue ativa após mais de 20 anosO canal analisado desemboca em Chryse Planitia, uma das áreas mais baixas de Marte. Alguns pesquisadores sugerem que a região pode ter abrigado um antigo oceano marciano, segundo a ESA.Lançada em 2003, a missão Mars Express continua em operação e está entre as mais duradouras já enviadas ao planeta vermelho. Ao longo de mais de duas décadas, a sonda ajudou a reunir evidências sobre o passado aquático de Marte.Entre as contribuições da missão estão o mapeamento de minerais formados na presença de água, o estudo de depósitos subterrâneos de gelo e análises relacionadas à possível existência de água líquida sob a calota polar sul do planeta.O post ESA revela vales de Marte criados por enchentes antigas; veja imagens apareceu primeiro em Olhar Digital.