A principal preocupação do mercado nesta quarta-feira (20) continua sendo a dificuldade de enxergar uma solução para o conflito entre Estados Unidos e Irã, segundo Lucas Tambellini, head de renda variável da gestora Lifetime.“O mercado está preso a duas perguntas: quando essa guerra acaba e de que forma isso acontecerá”, afirmou Tambellini no Giro do Mercado de hoje, apresentado pela jornalista Paula Comassetto.Segundo o gestor, os efeitos do conflito no Oriente Médio — principalmente a incerteza sobre a logística global diante de um possível bloqueio do Estreito de Ormuz — vão além da alta do petróleo e pressionam as curvas de juros e os treasuries americanos.Para Tambellini, apenas um acordo formal entre EUA e Irã teria capacidade de reduzir a aversão ao risco nos mercados.“O investidor precisa enxergar um documento assinado pelas duas partes para acreditar em uma solução duradoura”, disse.Apesar do cenário de cautela, empresas de tecnologia têm atraído fluxo global de capital. Segundo Tambellini, investidores buscam proteção em companhias mais resilientes após os resultados fortes do setor no primeiro trimestre de 2026.Esse movimento é conhecido como “flight to quality” (“fuga para a qualidade”, em tradução literal), termo usado para definir a busca por ativos considerados mais seguros em momentos de incerteza. A preferência pelo setor de tecnologia reflete a expectativa em torno do balanço da Nvidia (NVDA).Tambellini também destacou a abertura de espaço para oportunidades em ações locais após a redução do fluxo estrangeiro na bolsa brasileira, movimento observado desde meados de abril.O gestor citou BTG Pactual (BPAC11), Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) como oportunidades após a divulgação de resultados sólidos no primeiro trimestre de 2026. Ressaltou, porém, que os comentários não constituem recomendação de compra ou venda.*Com supervisão de Vitor Azevedo