Audiência Pública discute mineração na Chapada dos Veadeiros

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Mais um crime ambiental pode ganhar status de legalidade com a liberação da mineração na Chapada dos Veadeiros. Na gestão de Ronaldo Caiado (PSD), o governo de Goiás decidiu revisar e afrouxar as regras ambientais da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto para viabilizar a extração de minerais críticos na região. Na prática, a APA funciona como uma espécie de cinturão de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros que, apesar de ter sido reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade desde 2001, já sofre com a pressão do avanço do agronegócio.Segundo matéria da Folha de São Paulo, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) criou um grupo de trabalho para discutir a mineração na área. Alterando o plano de manejo atual, o grupo quer permitir juridicamente que a exploração aconteça em Pouso Alto.Existem 496 processos minerários registrados na Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisa e exploração na APA. Esses projetos somam 527 mil hectares, uma área maior do que três vezes a da cidade de São Paulo. Do total, 131 projetos (26%) dizem respeito à exploração de minerais críticos.Foto: ClimaInfo Leia também: 1.Lobby da mineração avança sobre terras indígenas e pressiona STF 2.Noruega suspende mineração em águas profundas até 2029 Para Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, a alteração nas regras configurará um verdadeiro crime ambiental. A premissa de uma APA, de proteger a diversidade biológica, disciplinar a ocupação da área e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, não poderá ser efetivada se houver alteração no plano de manejo para beneficiar o setor minerário.Por isso, o Ministério Público de Goiás ajuizou uma ação civil pública questionando a composição do Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, que abriga a Chapada e também mais de 130 projetos ativos de pesquisa e exploração de minerais críticos.A ação foi protocolada no dia 12 de maio de 2026 e alega que a composição do conselho não garante a representação da sociedade civil local e que interesses econômicos e empresariais predominam nas decisões. O caso será analisado pela 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia. Se os pedidos forem atendidos, os atos do Conselho Consultivo serão anulados, o que invalidará a revisão do plano de manejo aprovado pelo grupo.Cachoeiras e cânions que encantam visitantes em meio às paisagens do Cerrado. Foto: Jairo Valverde CC 4.0 Leia também: 1.O que é Mineração Urbana? 2.Mineração Urbana: ao invés de descartar eletrônicos, reaproveitar “Esse é só mais um capítulo das manobras que acontecem sob o pretexto de ‘apoiar a transição energética’, mas que colocam em risco áreas ambientais que ainda estão protegidas”, declarou o Greenpeace.Na Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado Antônio Gomide (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da casa e coordenador da Frente Parlamentar em defesa da Chapada dos Veadeiros, apresentou um requerimento solicitando a realização de uma audiência pública sobre o tema.A audiência pública está sendo realizada nesta quarta-feira com representantes de comunidades quilombolas Kalunga, Ministério Público, universidades, organizações ambientais e órgãos públicos para debater os impactos ambientais, sociais, jurídicos e hídricos da proposta.Além de funcionar como um cinturão de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade desde 2001, a APA do Pouso Alto se sobrepõe ao território Kalunga, maior território quilombola do Brasil.Quiolmbola em canoa no Rio Paranã e Morro Dedo do Moleuqe ao fundo – Comunidade Kalunga de Vão do Moleque, localizada no sítio histórico que abriga o Patrimônio Cultural Kalunga na Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás. Foto: André Dib Leia também: 1.Áreas úmidas do Cerrado guardam carbono milenar 2.Cerrado abastece oito das 12 principais bacias hidrográficas do Brasil Entre os pontos em debate estão os possíveis impactos sobre áreas úmidas e nascentes estratégicas para o abastecimento hídrico do Centro-Oeste, além de questionamentos sobre a consulta prévia às comunidades tradicionais e sobre possíveis precedentes para a flexibilização de regras ambientais em outras APAs brasileiras.“Recebemos com enorme preocupação a proposta de alteração do plano de manejo da APA do Pouso Alto. Áreas de Proteção Ambiental existem justamente para conciliar a presença humana com a conservação da biodiversidade e a proteção dos recursos naturais. A mineração, especialmente em uma região tão sensível do ponto de vista ecológico e hídrico como a Chapada dos Veadeiros, entra em evidente conflito com os objetivos que orientam a criação e a gestão desse território e sua vocação ambiental”, afirma Reuber Brandão, professor de Manejo Integrado da Fauna da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN). O professor será um dos expositores da audiência pública desta quarta-feira.Com informações de ClimaInfo e Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) The post Audiência Pública discute mineração na Chapada dos Veadeiros appeared first on CicloVivo.