Mesmo com números fortes no 1º tri, riscos para tese da Nvidia permanecem, diz XP

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Como esperado, a Nvidia voltou a entregar um trimestre muito forte, com números acima das projeções. Os resultados foram divulgados na quarta-feira (20), após o fechamento do mercado nos EUA. Para analistas da XP, as surpresas positivas vieram na receita, 3,1% acima do esperado, e no lucro por ação, em +5,4%. Segundo Maria Irene Jordão, estrategista global do Research da XP, e Raphael Figueredo, estrategista de ações do Research da XP, os dados foram impulsionados pelo ramp acelerado da arquitetura Blackwell e pela demanda robusta por soluções de networking. Leia tambémNvidia tem receita acima, surpreende em projeções e fará recompra de US$ 80 biA empresa mais valiosa do mundo espera receita de US$ 91 bilhões no 2º trimestreA margem bruta, de 75,0%, permaneceu em um patamar excepcionalmente elevado, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, com queda de apenas 20 pontos-base, e em linha com o consenso de 75,1%, segundo a análise. O guidance para o segundo trimestre aponta para a manutenção desse nível, em 75,0% com variação de mais ou menos 50 pontos-base, o que é particularmente relevante porque transições de produto historicamente tendem a pressionar margens.O segmento de data centers segue sendo o grande motor da companhia e hoje define, em boa medida, a narrativa em torno de Nvidia, segundo a análise. Ele respondeu por 92% da receita consolidada, alcançando 75,2 bilhões de dólares, um crescimento de 92% em relação ao ano anterior e acima das estimativas de mercado, que giravam em torno de 73,5 bilhões de dólares. Neste trimestre, a empresa estreou um novo modelo de divulgação de resultados para esse negócio, segmentando-o em duas frentes: Hyperscale, que abrange grandes nuvens públicas e plataformas de internet, e ACIE, sigla para AI Clouds, Industrial & Enterprise, que inclui data centers dedicados a IA, clientes industriais, empresas e soberanos.O desempenho foi equilibrado entre os dois subsegmentos. O Hyperscale gerou 37,9 bilhões de dólares em receita, com crescimento anual de 115%, enquanto ACIE respondeu por 37,4 bilhões de dólares, com alta de 74% em base anual. Essa divisão igualitária é importante porque marca uma mudança estrutural na história da Nvidia: o crescimento deixa de ser quase exclusivamente dependente de um pequeno grupo de grandes hyperscalers e passa a refletir uma base de clientes mais ampla e diversificada. Ao diluir a concentração em poucos nomes, a companhia reforça a sustentabilidade do ciclo de investimentos em IA, abrindo espaço para um crescimento mais longo, menos cíclico e menos vulnerável a cortes de capex de poucos clientes.Fora do núcleo de data centers, o segmento de edge computing, que corresponde a PCs, workstations, aplicações automotivas e robótica, também mostrou tração. A receita alcançou 6,4 bilhões de dólares, com avanço de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior. O principal destaque para a casa foi a forte demanda por workstations baseadas em Blackwell, que ajudaram a sustentar o crescimento. Por outro lado, a fraqueza na demanda por PCs de consumo atuou como freio parcial.Ao mesmo tempo, um dos pontos mais sensíveis do resultado é a ausência completa de receita proveniente da China. Os analistas da XP consideram como potencial “risco estrutural para a tese”.Não houve qualquer envio de produtos Hopper ao país no trimestre, em contraste com os 4,6 bilhões de dólares registrados no primeiro trimestre de 2025. O guidance para o segundo trimestre de 2026 também não contempla receita de data center vinda do mercado chinês. Jensen Huang já havia estimado que a China poderia representar um mercado de cerca de 50 bilhões de dólares anuais em aceleradores de IA, segundo o relatório. Nesse contexto, a exclusão do país representa uma perda significativa de mercado endereçável, que reduz o “tamanho potencial” do horizonte da empresa. Por ora, no entanto, essa lacuna vem sendo mais do que compensada pelo crescimento em outros mercados, o que sustenta o momento operacional, mas não elimina o caráter estrutural desse risco.No lado das despesas, houve uma aceleração relevante. As despesas operacionais somaram 7,4 bilhões de dólares, alta de 49% em relação ao ano anterior, refletindo crescimento de quadro de funcionários, aumento de remuneração e maior intensidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A tendência é de nova expansão no segundo trimestre, com a empresa projetando despesas operacionais em torno de 8,3 bilhões de dólares. A geração de caixa foi outro ponto de destaque. O fluxo de caixa livre chegou a 48,6 bilhões de dólares no trimestre, quase o dobro dos 26,1 bilhões de dólares registrados um ano antes. A posição combinada de caixa e títulos negociáveis encerrou o período em 50,3 bilhões de dólares. “Com isso, observamos uma devolução de valor mais agressiva, com aproximadamente US$ 20 bi devolvidos aos acionistas via recompras e dividendos, representando recorde histórico para a companhia”, afirma a XP. Embora o dividend yield siga pouco relevante dado o nível atual de preço da ação, segundo os analistas, a combinação de recompras volumosas e aumento de dividendo é interpretada como um sinal forte de confiança da gestão na continuidade da geração de caixa.Apesar do conjunto de números muito robusto, a história da Nvidia continua acompanhada de riscos claros, na visão da XP. O primeiro é a já mencionada exclusão da China, que representa uma perda de mercado endereçável relevante e sem, por enquanto, perspectiva concreta de reversão. O segundo ponto é a pressão competitiva crescente: empresas como AMD e Broadcom, além dos chips proprietários dos hyperscalers ainda não se traduziram em perda significativa de participação de mercado, mas o ambiente concorrencial está se intensificando e deve ser monitorado com atenção. O terceiro risco é o de execução na transição para Vera Rubin, que se configura hoje como o principal risco binário de curto prazo, justamente por combinar complexidade tecnológica e expectativas elevadas do mercado.Por outro lado, há vetores importantes de sustentação da tese. A diversificação para o segmento ACIE cria um eixo de crescimento estrutural mais longo, menos concentrado em poucos hyperscalers e mais conectado a empresas, indústrias e clientes soberanos. A magnitude do programa de recompra, combinada com a forte geração de caixa, reforça a confiança da gestão na resiliência do ciclo de IA. E a manutenção de margens em nível muito elevado durante o ramp de uma nova arquitetura é um sinal claro de poder de precificação e de execução disciplinada.A visão da casa permanece construtiva, mas com um alerta: mesmo que os múltiplos atuais não exijam uma execução absolutamente perfeita, qualquer tropeço relevante na transição para Vera Rubin ou uma piora adicional no acesso à China tem potencial de gerar volatilidade significativa nas ações, em um momento em que a Nvidia segue como o principal símbolo do ciclo de investimento em IA no setor de tecnologia.The post Mesmo com números fortes no 1º tri, riscos para tese da Nvidia permanecem, diz XP appeared first on InfoMoney.