Frequentar museus, exposições de arte, bibliotecas ou participar de atividades culturais pode estar associado a um envelhecimento biológico mais lento. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da University College London (UCL), no Reino Unido, publicado na revista científica Innovation in Aging.Os cientistas analisaram dados de saúde de mais de 3,5 mil adultos britânicos e observaram que pessoas que participavam de atividades artísticas ou culturais ao menos uma vez por semana apresentavam sinais mais lentos de envelhecimento biológico. Segundo os autores, o efeito identificado foi comparável ao de praticar exercícios físicos semanalmente.A pesquisa também avaliou atividades culturais e sociais, como dança, associadas a sinais mais lentos de envelhecimento biológico – Imagem: Madrugada Verde / ShutterstockPesquisa analisou “relógios epigenéticos”O estudo utilizou sete modelos diferentes de chamados relógios epigenéticos, ferramentas que estimam o ritmo do envelhecimento biológico com base em alterações relacionadas à expressão gênica e aos impactos do estilo de vida na saúde.Entre as atividades avaliadas estavam visitas a museus e bibliotecas, participação em exposições, além de práticas como pintura, artesanato, dança e canto.De acordo com os pesquisadores, participantes que realizavam alguma atividade cultural semanalmente apresentaram um envelhecimento 4% mais lento em um dos modelos analisados. Os resultados foram mais expressivos entre adultos de meia-idade, e a diversidade de atividades culturais também esteve associada a indicadores melhores.“Nossa pesquisa fornece a primeira evidência de que o engajamento com artes e cultura está ligado a um ritmo mais lento de envelhecimento biológico”, afirmou em comunicado a epidemiologista Feifei Bu, autora sênior do estudo e pesquisadora da UCL.Segundo ela, os resultados reforçam evidências anteriores de que atividades artísticas podem ajudar a reduzir estresse, inflamação e riscos cardiovasculares.Diferença também apareceu em outro indicadorOutro modelo utilizado no estudo, chamado PhenoAge, compara a idade cronológica de uma pessoa com a idade que seu estado de saúde aparenta refletir biologicamente.Nesse caso, pessoas que participavam de atividades artísticas ou culturais ao menos uma vez por semana foram classificadas, em média, como biologicamente um ano mais jovens do que aquelas que raramente tinham esse tipo de envolvimento.Os pesquisadores destacaram ainda que essa diferença foi quase o dobro da observada entre pessoas que praticavam exercícios físicos semanalmente e aquelas que não se exercitavam.A epidemiologista Daisy Fancourt, autora principal do trabalho, afirmou que os dados mostram impactos biológicos mensuráveis relacionados às artes.“Esses resultados demonstram o impacto das artes na saúde em nível biológico”, disse Fancourt, que há quase uma década pesquisa os efeitos das atividades artísticas sobre a saúde na UCL.Atividades culturais podem ganhar espaço na saúdeMédicos no Canadá já chegaram a “prescrever” visitas a museus para pacientes, oferecendo acesso gratuito a instituições culturais como parte de iniciativas voltadas ao bem-estar físico e mental.Para os autores, atividades artísticas podem reunir componentes físicos, emocionais, cognitivos e sociais importantes para um envelhecimento saudável. A ideia é semelhante a iniciativas que incentivam contato com a natureza, como caminhadas e práticas conhecidas como “banho de floresta”.Os pesquisadores afirmam que o estudo amplia as evidências de que o engajamento cultural pode ser reconhecido futuramente como um comportamento promotor de saúde, de forma semelhante à atividade física.O post Visitar museus pode ajudar você a envelhecer mais devagar apareceu primeiro em Olhar Digital.