O vazamento do áudio e a visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro são capazes de inviabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência, segundo o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman.Ao WW, Roman pontuou que o tema corrupção é uma das maiores preocupações do brasileiro, que tende a dar atenção ao assunto.“É um problema social e estrutural na política brasileira, de altíssima relevância”, explica. Ele relembra de casos como o Mensalão, escândalo no primeiro governo Lula, e os “pedalinhos” com nomes dos netos de Lula no sítio de Atibaia. Leia Mais Com desgaste de Flávio, centrão testa nomes para a disputa presidencial Como as redes sociais respiraram a crise entre Flávio e Vorcaro Troca de candidatura de Flávio não foi discutida, diz líder da oposição Com isso, ele aposta que a relação entre Flávio e Vorcaro deve seguir no imaginário do eleitor.“A gente espera que o eleitor simplesmente vai esquecer? Que não vai mais de repente se preocupar com isso, por que vai começar o horário eleitoral do Flávio Bolsonaro e ele fala de segurança pública? Acredito que não é razoável esperar que as coisas vão se desenrolar dessa maneira”, disse ao WW.Flávio estaria envolvido em uma suposta negociação de R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro. No áudio, o senador chama o ex-banqueiro de “meu irmão” e pede a verba para a produção. Flávio também visitou Vorcaro em 2025, depois do empresário ter sido preso pela primeira vez.O pré-candidato diz que a mensagem se trata de um “filho procurando patrocínio”. E que a visita serviu para colocar um “ponto final” na relação entre ambos.A pesquisa mais recente da Atlas, divulgada nesta terça (19), mostra uma queda de quase seis pontos percentuais para Flávio frente a Lula diante das revelações. No levantamento, o senador tem 41,8% das intenções de voto; e o atual presidente tem 48,9% em um eventual 2° turno.Roman avalia que o cenário tende a piorar para o pré-candidato. Com isso, ele diz que, para oposição ter mais chance de vencer as eleições, Flávio teria que deixar a corrida. Mas que isso poderia ser prejudicial para a sobrevivência política do bolsonarismo.“Uma questão é querer derrotar o Lula, onde provavelmente o Ronaldo Caiado teria chances melhores do que o Flávio Bolsonaro nesta altura”, afirmou. “Para garantir a sobrevivência dos Bolsonaros enquanto clã político, relevância, domínio e prestígio, provavelmente não [substituiria Flávio na campanha].”Visando frear o desgaste, a campanha de Flávio aposta em citar casos de corrupção dos adversários políticos. A ideia seria “neutralizar” os danos, deixando todos “no mesmo patamar”. No entanto, para Roman, o espaço para esse discurso funcionar é curto.“Mas eles não eram contra isso como projeto político? Não foi o DNA do bolsonarismo justamente isso que eles não são farinha do mesmo saco? Então agora eles são. E eles acreditam que com isso eles vão reter o capital político? Parece uma contradição”, conclui.Análise: O impacto do caso “Dark Horse” na campanha de Flávio Bolsonaro | WW