Justiça apreende adolescente investigado por induzir meninas à automutilação no Discord

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A Justiça de São Paulo acatou a manifestação do Ministério Público do Estado (MP-SP) e apreendeu um adolescente investigado por usar o aplicativo Discord para induzir meninas ao suicídio e à automutilação. Entre as vítimas, está uma criança de 12 anos.O jovem, morador de Pontal, no interior do Estado (a cerca de 350 quilômetros da capital), responde também por atos infracionais análogos aos crimes de associação criminosa, estupro de vulnerável, posse e divulgação de pornografia infantil. A manifestação do MP foi feita pela promotora Bruna Cristina de Oliveira, da Promotoria de Pontal.O Estadão procurou o Discord, que não respondeu ao pedido de posicionamento da reportagem. O texto será atualizado caso a plataforma se manifeste. Como o nome do adolescente não foi divulgado, não foi possível localizar sua defesa.Segundo as investigações, o adolescente agia em conluio com outras pessoas pela internet. Em um dos casos, ele levou uma menina de 12 anos a produzir cortes no próprio corpo, inclusive na língua, e a escrever na pele a palavra “blood” (“sangue”, em inglês).“Em determinada ocasião, o apreendido praticou ato libidinoso com a mesma menina por meio de videochamada. Ele armazenou vídeos contendo cenas pornográficas e de violência sexual contra a vítima”, informou o Ministério Público.Outra adolescente que tinha 13 anos à época dos fatos também foi vítima do investigado. Conforme a promotoria, o jovem publicou um vídeo de 14 segundos no qual ela aparecia em contexto pornográfico. Além disso, divulgou dados pessoais da jovem na internet.O Ministério Público afirma ainda que, para convencer as meninas a praticarem automutilação, o adolescente pagava valores entre R$ 100 e R$ 500. Em um fórum do Discord, com 155 participantes, ele publicou imagens das vítimas lesionando o próprio corpo.Ainda de acordo com as investigações, o rapaz chegou a discutir, em um grupo na mesma plataforma, a possibilidade de realizar um massacre escolar.Para a promotora Bruna Cristina de Oliveira, a estrutura organizacional revela uma rede voltada ao aliciamento, à exploração e ao abuso de menores por meio de plataformas digitais, com o adolescente investigado exercendo papel central de organização e liderança.