O Irã anunciou a criação da “Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico”, nova força destinada a policiar o Estreito de Ormuz. Junto ao anúncio, o regime divulgou um mapa detalhando as áreas de entrada e saída do Estreito que considera sob seu controle, em um movimento interpretado como uma demonstração de força na região. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comentou o assunto ao CNN Prime Time.Para Lourival, a iniciativa iraniana revela uma notável capacidade de comunicação e articulação ao longo da crise. “O Irã demonstrou uma notável capacidade de comunicação ao longo dessa crise, criando memes na internet para um país que censura a internet para os seus cidadãos”, afirmou. Segundo ele, a mensagem transmitida pelo regime é clara: “Esse aqui é o Golfo Pérsico, ou seja, da Pérsia, do Irã, e é aqui quem manda somos nós.”Disputa pela nomenclatura e controle territorialA escolha do nome “Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico” também carrega um peso simbólico relevante. Lourival Sant’anna destacou que países árabes da região, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, rejeitam o termo “Golfo Pérsico” e preferem a denominação “Golfo Arábico”. Ao adotar explicitamente o nome persa, o Irã reforça sua reivindicação de soberania sobre a via marítima estratégica.O Irã teria ainda a pretensão de controlar a saída em direção a Fujairah, porto dos Emirados Árabes Unidos localizado no Golfo de Omã, fora do Estreito de Ormuz.Capacidade militar preservada e confronto com a ChinaO analista ressaltou que a capacidade militar iraniana para interceptar o Estreito permanece praticamente intacta. “A destruição do arsenal iraniano não envolveu essas armas que pertencem à marinha do Corpo da Guarda Revolucionária e que estão praticamente intactas na sua capacidade de interceptar o Estreito de Hormuz”, disse.Lourival Sant’anna também citou um episódio recente envolvendo a China, maior compradora do petróleo iraniano, responsável por 90% das aquisições. Segundo ele, o Irã abordou um navio armado chinês que escoltava um cargueiro e exigiu o seu desarmamento, impondo sua autoridade mesmo diante de um parceiro estratégico. Leia Mais Irã diz que possui "novas maneiras" de complicar a situação para os EUA Irã lança site para reafirmar controle sobre Estreito de Ormuz Irã diz que militares dos EUA "serão atacados" caso tentem entrar em Ormuz Negociações nucleares e custo político para TrumpNo campo diplomático, o analista observou uma mudança de linguagem por parte do presidente americano, Donald Trump, e o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em relação ao programa nuclear iraniano. “Eles dizem o seguinte: nós vamos ter certeza de que o Irã nunca vai ter uma arma nuclear. É diferente de dizer que o Irã não pode ter um programa nuclear”, explicou Lourival Sant’anna.O Irã defende que ter um programa nuclear pacífico, como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear e sob inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, é um direito soberano. Segundo informações sobre as negociações em curso, Trump estaria disposto a explorar a possibilidade de o Irã operar uma usina nuclear para fins pacíficos.Para o analista, “as coisas andam na direção que o Irã deseja, já que Trump não conseguiu nada com o Xi Jinping e o tempo está passando, a economia está cobrando um alto custo”, concluindo que a situação representa um alto custo político para Donald Trump. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.