Um dos aspectos mais marcantes da carreira solo de Ozzy Osbourne é sua relação com Randy Rhoads. Após render os discos “Blizzard of Ozz” (1980) e “Diary of a Madman” (1981), a famosa parceria entre o vocalista e o guitarrista chegou ao fim em 1982, quando o músico morreu em um trágico acidente de avião.Desde então, o saudoso Madman fazia questão de exaltar o falecido amigo. Ao longo dos anos, o cantor destacou não só a proximidade com o instrumentista, mas também o grande papel exercido nos álbuns dos quais participou. À Rolling Stone em 2021, chegou a dizer que devia sua carreira ao guitarrista e complementou: “Eu o conheci por muito pouco tempo. Mas o que ele me proporcionou nesse curto período foi algo de uma grandeza imensurável. Conseguir alguém como Randy Rhoads para tocar em dois álbuns, e esses dois discos soarem tão bem hoje quanto no dia em que foram gravados, é algo extraordinário. E serei eternamente grato por isso. Só Deus sabe onde aquele homem estaria hoje. O simples fato de ele não estar aqui para respirar o ar é uma verdadeira tragédia.”Bob Daisley, porém, acredita que há um exagero na maneira com que a relação dos dois é retratada. Ao canal Cassius Morris, o baixista, que trabalhou com o vocalista do Black Sabbath entre 1979 e o início da década de 1990, afirmou que todos da banda criaram um laço profissional e pessoal — não apenas Ozzy e Randy, como parece. Conforme transcrição da GuitarPlayer, o músico garantiu:“Exageraram para fazer parecer que era o ‘show de Ozzy e Randy’. Mas não era assim, posso garantir isso. Todos nós criamos laços à nossa maneira. Randy e eu nos dávamos muito bem musicalmente e costumávamos criar ideias e trabalhar em músicas juntos. E todos nós meio que fazíamos refeições juntos, saíamos juntos, convivíamos juntos socialmente. Não existia um vínculo especial entre uma ou duas pessoas, entre ninguém, na verdade. Não era uma coisa exclusiva de Randy e Ozzy.”Numa entrevista antiga publicada em seu site oficial, Bob descreveu-se como “cansado” do destaque concedido à colaboração entre Osbourne e Rhoads. Ao seu ver, a carreira solo do Príncipe das Trevas só deslanchou por um esforço conjunto de todos os envolvidos:“Para ser honesto, fico um pouco cansado dessa coisa de ‘Ozzy/Randy’. Já vi até publicarem que ‘Randy Rhoads salvou sozinho a carreira de Ozzy Osbourne’. Com todo o respeito ao Randy — e não me entendam mal, ele merece todos os elogios e respeito que recebe —, ele não fez isso sozinho. Ozzy havia sido demitido do Black Sabbath por ser improdutivo e estar constantemente bêbado e, consequentemente, conquistou uma má reputação. Randy, Lee [Kerslake] e eu demos apoio ao Ozzy para ajudá-lo a se reerguer […]. Toda aquela química foi uma união mágica de todos nós, não apenas de Ozzy, que recebeu mais crédito do que merece, e de Randy, que merece muito reconhecimento, mas, como eu disse, não fez tudo sozinho.”Sobre Bob DaisleyNascido em Sydney, Austrália, Robert John Daisley começou a se destacar na cena tocando com nomes como Chicken Shack, Mungo Jerry e Widowmaker (não a banda de Dee Snider pós-Twisted Sister), com quem lançou dois álbuns.Seu primeiro trabalho de maior reconhecimento internacional foi com o Rainbow. Gravou o baixo em três faixas do álbum “Long Live Rock ‘N’ Roll” (1978), fez a turnê e se retirou.O momento de maior exposição viria na parceria com Ozzy Osbourne. Entre idas, vindas, brigas, processos e acusações, participou de quase todos os discos de maior sucesso da carreira do Madman, tendo atuação destacada como compositor. Nos anos 1980, ainda gravaria e/ou excursionaria com Uriah Heep e Yngwie Malmsteen, entre outros. Desde a década de 1990, mantém uma carreira low profile como músico de palco, participando de discos de vários artistas. Em 2013 lançou a biografia “For Facts Sake”O post Ozzy Osbourne mentia sobre relação com Randy Rhoads, segundo Bob Daisley apareceu primeiro em Igor Miranda.