Irã diz que Estreito de Ormuz é “linha vermelha” e que resistirá a ataques

Wait 5 sec.

O Irã afirmou nesta quinta-feira (16) que o Estreito de Ormuz é uma “linha vermelha” inviolável, alertando que, caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprisse a ameaça de atacar pontes e usinas iranianas, o país atingiria toda a infraestrutura da região do Golfo.Os EUA lançaram uma quinta noite de ataques na quarta-feira (15) e reimpuseram um bloqueio naval aos portos do Irã, medida que, segundo Washington, visa reabrir o estreito, fechado pelo Irã no último sábado (11) após o colapso de uma trégua frágil entre os países.Após os primeiros ataques na noite de quarta-feira, o principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, divulgou um comunicado afirmando: “Estamos em uma guerra essencial e existencial com a América”.O porta-voz do Exército iraniano, general de brigada Mohammad Akraminia, afirmou nesta quinta-feira que o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás antes da guerra, é uma “linha vermelha” para o Irã, sobre a qual o país mantém um controle firme. Jordânia diz ter abatido oito mísseis do Irã durante a madrugada Irã ameaça destruir infraestrutura da região se EUA atacarem usinas do país Análise: Por dentro da corrida para fazer Trump recuar do pedágio em Ormuz “Os americanos pensavam que ao atacar algumas de nossas bases na costa sul do país, poderiam assumir o controle deste estreito estratégico”, disse Akraminia.“No entanto, a República Islâmica do Irã tem a capacidade de exercer controle sobre o Estreito de Ormuz a partir de qualquer ponto de seu território; essa questão não depende, de forma alguma, de costas e ilhas.”Três autoridades dos Estados Unidos disseram à agência de notícias Reuters que os ataques americanos destinados a forçar a abertura do estreito também têm como alvo capacidades militares iranianas que os EUA gostariam de destruir antes de realizar operações mais complexas.O Exército do Irã declarou anteriormente, referindo-se ao estreito: “Sem dúvida, resistiremos até o fim e neutralizaremos as intervenções americanas na região”.O porta-voz militar do Irã afirmou que a única maneira de reabrir o Estreito de Ormuz seria os Estados Unidos cumprirem o memorando de entendimento de 14 pontos assinado por ambas as partes em junho, bem como a implementação de “regulamentações iranianas” referentes ao tráfego de navios na via.Irã alerta Trump contra ataques à infraestrutura energéticaTrump ameaçou, na terça-feira (14), atacar usinas de energia e pontes iranianas na próxima semana, a menos que Teerã retome as negociações.Akraminia afirmou que, se Trump concretizasse a ameaça, as forças armadas do Irã atacariam “toda a infraestrutura restante” na região, e a resposta seria mais severa, de maior alcance e mais destrutiva do que os ataques anteriores.O Irã afirmou, na quinta-feira (16), ter mirado bases dos EUA no Kuwait e na Jordânia, alertando seus vizinhos de que permitir que os americanos lançassem ataques contra o país não ficaria sem resposta.“Nossos vizinhos devem saber que fornecer uma base aos americanos e permitir que eles disparem contra o solo iraniano é inaceitável e não ficará sem resposta”, afirmou o Exército iraniano em um comunicado.No início da quinta-feira no Oriente Médio, sirenes soaram no Bahrein, e o Kuwait informou que estava respondendo a “ameaças hostis de drones”.As Forças do Irã afirmaram ter atacado a Base Aérea de Al Azraq, na Jordânia, com mísseis balísticos, enquanto a Guarda Revolucionária do país declarou ter destruído o centro de comunicações via satélite e o radar de alerta antecipado da Base Aérea de Ali Al Salem, bem como um píer militar dos EUA na região de Al Shuaiba, no Kuwait.O Ministério da Defesa do Bahrein informou que os sistemas de defesa aérea do país interceptaram e destruíram vários ataques aéreos iranianos contra o reino nesta quinta-feira.A escalada mais recente e as ameaças do Irã de interromper mais exportações regionais de energia e, possivelmente, atacar a infraestrutura da região, levantam o espectro de um retorno a uma guerra em larga escala na região.Analistas afirmam que o Irã sinalizou que pode utilizar seus aliados Houthis no Iêmen para fechar o estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, abrindo uma nova frente contra Washington e colocando em risco mais uma das artérias energéticas mais vitais do mundo.A guerra matou milhares de pessoas e deslocou milhões, principalmente no Irã e no Líbano, onde o conflito foi retomado entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã.Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?