O Banco Central informou nesta terça-feira (14) que R$ 6,24 bilhões permanecem disponíveis para devolução a clientes de instituições financeiras que ainda não retiraram seus recursos. O levantamento considera valores registrados até maio de 2026.Do total identificado, R$ 4,43 bilhões pertencem a mais de 24 milhões de pessoas físicas, enquanto cerca de R$ 1,8 bilhão está relacionado a quase 2,3 milhões de empresas. Os valores podem ser consultados por meio do sistema oficial criado pela autoridade monetária.A atualização ocorre após parte dos recursos esquecidos ter sido destinada a um fundo público para apoiar o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas. A medida passou a ser examinada pelo Tribunal de Contas da União, que avalia a utilização dos valores fora do orçamento federal.Uso de recursos esquecidos para programa de renegociação entra no radar do TCUEm tempos difíceis, não se pode deixar dinheiro esquecido (Imagem: @Mateus-Andre/Freepik)O montante disponível nas instituições financeiras caiu em relação ao levantamento anterior do Banco Central. Em março, havia aproximadamente R$ 10,6 bilhões aguardando retirada por cidadãos e empresas.A redução ocorreu após o governo encaminhar cerca de R$ 5,7 bilhões para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), estrutura usada para oferecer garantias às instituições financeiras que participam do Desenrola 2.0.A iniciativa foi anunciada no início de maio, quando o governo informou que pretendia utilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões dos recursos não movimentados pelos clientes para ampliar as condições do programa de renegociação.De acordo com a explicação apresentada pelo governo na época, uma parcela equivalente a 10% do saldo transferido permaneceria separada para atender possíveis solicitações futuras de devolução feitas pelos correntistas.A movimentação dos recursos chamou a atenção do Tribunal de Contas da União. Técnicos do órgão analisam se a utilização desse dinheiro para financiar ações federais sem passagem pelo orçamento público segue as regras estabelecidas.A preocupação está relacionada ao fato de que os valores transferidos ao fundo não entram no limite anual de despesas da União, que restringe o crescimento dos gastos públicos acima da inflação em até 2,5% ao ano.Caso esses recursos fossem contabilizados dentro do orçamento, o governo precisaria compensar o valor com bloqueios em outras áreas de livre aplicação. Essa alternativa poderia aumentar a pressão sobre as despesas discricionárias.O governo informou que, para cumprir o limite de gastos vigente, já havia bloqueado R$ 23,7 bilhões dos orçamentos dos ministérios neste ano. Segundo a administração federal, a restrição de recursos já afeta atividades como fiscalização, investimentos tecnológicos e serviços prestados por agências reguladoras.Como consultar valores disponíveis no Banco CentralCriado pelo Banco Central em 2020, o Pix se consolidou como um dos principais meios de pagamento utilizados pelos brasileiros – Imagem: Blossom Stock Studio / ShutterstockA consulta dos recursos esquecidos deve ser feita exclusivamente pelo sistema Valores a Receber, disponibilizado pelo Banco Central. A plataforma permite verificar quantias deixadas por pessoas físicas, empresas e também por cidadãos falecidos.Para solicitar a devolução, o usuário precisa informar uma chave Pix. Quem não possui cadastro desse tipo deve procurar diretamente a instituição financeira responsável pelo valor para definir outra forma de recebimento ou criar uma chave Pix e retornar ao sistema.Nos casos envolvendo pessoas falecidas, somente herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais podem realizar a consulta. Além disso, é necessário apresentar um termo de responsabilidade e seguir os procedimentos indicados pelas instituições que possuem os valores.O post Banco Central informa que ainda há R$ 6,24 bilhões para devolver aos cidadãos apareceu primeiro em Olhar Digital.