O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes volte a ser alvo das sanções previstas na Lei Magnitsky após a decisão que suspendeu visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar.Em publicação nas redes sociais na noite de segunda-feira (13), Eduardo afirmou ainda que, devido à proibição das visitas, outros países não deveriam reconhecer as eleições presidenciais brasileiras como democráticas.“Se em um país inteiro apenas um prisioneiro for proibido de se comunicar com seu filho – e candidato à Presidência – por razões políticas, essa eleição não deveria, antecipadamente, ser reconhecida como democrática pelos países livres. A sanção Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Alexandre de Moraes, deve ser restabelecida”, escreveu.A restrição às visitas foi determinada por Moraes após Flávio divulgar nas redes sociais carta escrita pelo pai para dar aval à sua candidatura à Presidência. No documento, Jair Bolsonaro pede união de seus apoiadores pelo filho senador e o apresenta como seu “porta-voz” e “a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”. Flávio ficará sem se comunicar com o ex-presidente por 90 dias, até depois do primeiro turno.Moraes ainda determinou o envio do caso ao procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, para que apure se a conduta configura propaganda eleitoral antecipada de Flávio. Para o ministro, a carta foi um instrumento de promoção política da candidatura do filho à Presidência, “com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto”.Ao defender a retomada de sanções contra o ministro, Eduardo Bolsonaro citou a Lei Magnitsky, criada pelo governo dos Estados Unidos para impor restrições financeiras e administrativas a pessoas acusadas de corrupção ou de violações de direitos humanos. Quem é afetado pode enfrentar bloqueio de bens e contas bancárias nos EUA, além de ter o visto cancelado e ser proibido de entrar no País.Alexandre de Moraes foi incluído na lista de sancionados em julho do ano passado, sob a justificativa que estaria promovendo uma “caça às bruxas ilegal” contra Jair Bolsonaro e empreendendo “campanha de censura”. Ele foi o relator do processo que condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. As medidas contra Moraes foram revogadas em dezembro.A atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA para provocar ações de autoridades americanas levou a sua condenação pelo STF, em junho deste ano, por coação no curso do processo. Em ação relatada por Moraes, a Primeira Turma votou pela condenação do ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, multa de R$ 165 mil e inelegibilidade de oito anos.A Defensoria Pública da União, que representa Eduardo uma vez que ele não apontou advogado, tenta uma redução de pena em recurso apresentado à Corte na semana passada.