Diretriz pede exame de colesterol hereditário ao menos uma vez na vida

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Um tipo de colesterol determinado principalmente pela genética ganhou destaque na nova diretriz sobre o tratamento das dislipidemias publicada em março de 2026 pelo American College of Cardiology (ACC) e pela American Heart Association (AHA).O documento passou a recomendar que todos os adultos façam, pelo menos uma vez na vida, o exame para medir a lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), um fator de risco que muitas vezes passa despercebido nos exames tradicionais.A Lp(a) é uma partícula semelhante ao colesterol LDL, popularmente chamado de “colesterol ruim”. A diferença é que seus níveis dependem, em grande parte, da herança genética. Por isso, mesmo pessoas que mantêm uma alimentação saudável, praticam atividade física e apresentam o LDL controlado podem ter a Lp(a) elevada.Outra característica da partícula é que ela não costuma responder ao tratamento com estatinas, medicamentos usados para reduzir o colesterol LDL. Atualmente, ainda não existem terapias amplamente disponíveis aprovadas para diminuir especificamente a Lp(a), embora novos medicamentos estejam em fase de desenvolvimento. Leia também SaúdeFDA aprova primeiro comprimido que reduz em até 60% o colesterol ruim SaúdeNovo teste de colesterol se mostra mais eficaz que o convencional Claudia MeirelesMédico lista os melhores alimentos para aumentar o colesterol bom SaúdeColesterol silencioso pode elevar risco cardíaco em 1 a cada 5 pessoas Diante das evidências acumuladas nos últimos anos, a diretriz orienta que a dosagem da Lp(a) seja incorporada ao rastreamento cardiovascular.Como seus níveis permanecem praticamente estáveis ao longo da vida, uma única medição costuma ser suficiente para identificar pessoas com predisposição genética.O que muda com a nova diretrizTodos os adultos devem medir a Lp(a) pelo menos uma vez na vida.O exame ajuda a identificar um fator de risco hereditário para doenças cardiovasculares.Pessoas com histórico familiar de infarto precoce podem se beneficiar da investigação.O resultado complementa, mas não substitui, os exames tradicionais de colesterol.Segundo o ACC, níveis elevados de Lp(a) aumentam o risco de doenças cardiovasculares, mesmo quando o colesterol LDL está controlado. Valores a partir de 125 nmol/L (ou 50 mg/dL) já são considerados elevados e podem indicar maior probabilidade de desenvolver problemas como infarto e AVC.A alteração é comum. Estima-se que cerca de 20% da população tenha níveis elevados de Lp(a), embora a maioria das pessoas não saiba disso, já que a condição não provoca sintomas e só pode ser identificada por exame de sangue.Embora ainda não exista um tratamento específico amplamente disponível para reduzir a Lp(a), conhecer o resultado do exame ajuda o médico a definir estratégias mais intensivas para controlar outros fatores de risco, como colesterol LDL, pressão arterial, tabagismo e excesso de peso.Ao incluir a dosagem da Lp(a) entre as recomendações de rotina, a nova diretriz busca ampliar a identificação precoce de pessoas com predisposição genética às doenças cardiovasculares, permitindo um acompanhamento mais individualizado e medidas preventivas antes do surgimento de complicações.