A defesa de Thiago Miranda afirmou que entregou, nesta segunda-feira (13), o passaporte do publicitário à PF (Polícia Federal). Na última quinta-feira (9), Thiago foi alvo de busca e apreensão no âmbito da 10ª fase da Operação Compliance Zero, que apura indícios de uma “atuação coordenada em redes sociais” para comprometer a credibilidade do BC (Banco Central).A entrega do documento ocorre após determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). No último domingo (12), a PF pediu que a Corte determinasse a apreensão do passaporte do publicitário por risco de fuga do país.No documento enviado a Mendonça, a PF detalha uma informação que já circulava entre pessoas próximas a Miranda: a troca de telefone antes de ele ser alvo da operação que cumpriu mandados de busca em sua residência. Leia Mais Putin ameaça resposta "várias vezes mais poderosa" a ataques da Ucrânia Flávio critica decisão e diz que Moraes tenta "interferir nas eleições" Cidadão dos Estados Unidos com Ebola é internado na Alemanha O publicitário também anunciou, por meio das redes sociais, o encerramento das atividades de sua agência de comunicação, a MiThi. Como mostrou a CNN, a empresa já havia interrompido as operações há cerca de dez dias.Segundo a nota, Miranda está tirando um “ano sabático” após dez anos à frente da agência. “Estou cansado. Foram dez anos ininterruptos, vivendo a agência 24 horas por dia, sem parar. Agora quero aproveitar um ano sabático antes de pensar no meu próximo negócio”, declarou na publicação.Por meio da empresa, Thiago era um dos responsáveis pela seleção de influenciadores contratados pelo dono do Banco Master para atacar o Banco Central e jornalistas.Em depoimento à Polícia Federal, Miranda admitiu ser o responsável pela contratação dos influenciadores e por ter apresentado o plano a Daniel Vorcaro no fim do ano passado. Segundo ele, tratava-se de um serviço de “gestão de crise”, com contratos que chegavam a R$ 8 milhões.Quem é Thiago MirandaA PF deflagrou, na última quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que apura indícios de uma “atuação coordenada em redes sociais” para comprometer a credibilidade do BC. Um dos alvos da nova fase foi Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi.Nome recorrente nas conversas obtidas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Thiago Miranda também é sócio do Portal LeoDias, voltado para notícias de celebridades e entretenimento. Além de sua atuação como publicitário, ele também era um dos responsáveis pela seleção de influenciadores contratados para atacar o Banco Central e jornalistas.Sob o princípio de “discrição absoluta”, Thiago Miranda, segundo a PF, tornou-se um dos intermediários entre o ex-dono do Banco Master e os influenciadores que participariam da ação após a liquidação do banco.Conhecida por atender o público chamado de “triple A” (consumidores de altíssima renda), a empresa de Miranda trabalhou com mais de 200 clientes, entre eles Gucci, Balenciaga, Prada e XP Investimentos. No site da agência, o cartão de visita apresenta aos clientes especialização em “construção de reputação” e “gerenciamento de crise”.Além disso, conforme revelado nas conversas obtidas pela corporação, Miranda foi responsável por tentar cooptar jornalistas que Vorcaro acusava de prejudicar sua imagem.Ainda na última semana, a PF encontrou mensagens em que o ex-banqueiro solicitava ao publicitário que buscasse informações sobre a jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo, na tentativa de impedir que ela produzisse reportagens sobre o Banco Master.No diálogo, Vorcaro afirma que eles precisavam “encontrar algo dessa mulher no pessoal”. Em seguida, Miranda responde que não encontrou nada, “nem multa na CNH”, que pudesse ser usada para extorqui-la. As mensagens, registradas entre março e abril de 2025, foram reveladas pelo site Fatos Online e confirmadas pela CNN Brasil.Além disso, Thiago Miranda foi quem intermediou as conversas entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro. Segundo o senador, a relação entre eles era estritamente profissional, e as mensagens com o ex-banqueiro tratavam da cobrança de R$ 62 milhões em investimentos no filme sobre Jair Bolsonaro, Dark Horse.Em uma linha do tempo elaborada pela corporação, foram identificados pelo menos 40 perfis que podem ter sido contratados no chamado “Projeto DV” entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano.Os conteúdos, quase todos com o mesmo tom e formato, sustentavam as narrativas de que “pessoas comuns serão prejudicadas com o ‘desmoronamento’ do Master”, de que havia “indícios de precipitação na liquidação do Master” pelo Banco Central e de que “o banco foi liquidado em tempo considerado incomum”. Além da instituição, o então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomes, também figurava entre os alvos dos ataques.