A atividade de consumo das famílias voltou a dar sinais mais claros de desaceleração em junho. O IDAT-Atividade, indicador do Itaú que acompanha os gastos realizados por meio de cartões e outros meios de pagamento, recuou 1,7% na comparação com maio, já descontados os efeitos sazonais. Foi a segunda queda consecutiva e a mais intensa desde março, reforçando a percepção de perda de fôlego da economia no fim do segundo trimestre. Meta dobra para mais de US$ 50 bi investimento em megadata center de IA Inflação da Venezuela mais que dobra em junho e atinge 544% ao ano TSMC expande capacidade em Taiwan para atender à demanda de IA O movimento representa uma deterioração da trajetória recente do indicador. Depois de avançar 1,7% em março, o IDAT praticamente estagnou em abril (-0,1%) e passou a recuar em maio (-1,4%), aprofundando a queda em junho (-1,7%). A sequência sugere que o impulso observado no início do ano perdeu força diante do ambiente de juros elevados e crédito mais restrito.A desaceleração foi disseminada entre os principais segmentos da economia. O IDAT de serviços caiu 2,2% no mês, enquanto o indicador de bens recuou 1,1%. A retração nos serviços foi generalizada, atingindo alimentação fora do lar, hospedagem, lazer, serviços de beleza e outros serviços pessoais.Entre os bens, o comportamento foi desigual. Os setores mais ligados à renda das famílias ainda registraram leve alta de 0,5%, sustentados principalmente pelo avanço das vendas em supermercados, que é o segmento de maior peso nessa categoria. Em contrapartida, os setores mais dependentes de financiamento apresentaram queda de 3,1%, evidenciando o impacto do custo elevado do crédito sobre o consumo de bens duráveis.O principal destaque negativo ficou com o segmento de veículos, motos e peças, que recuou 4,0% em junho, acompanhado por perdas em móveis, eletrodomésticos, materiais de construção e equipamentos de informática e comunicação. O desempenho reforça o efeito da política monetária restritiva justamente sobre os setores mais sensíveis às condições de financiamento.Focus traz surpresa positiva com inflação de junho, diz economista | ABERTURA DE MERCADOA desaceleração também foi observada em todas as regiões do país. O Sudeste apresentou a maior retração da atividade (-2,5%), seguido pelo Sul (-2,7%), enquanto Nordeste (-0,7%), Centro-Oeste (-0,7%) e Norte (-0,3%) também registraram queda, mostrando que o enfraquecimento do consumo não ficou concentrado em uma única região.Nos setores específicos acompanhados pelo Itaú, o destaque positivo ficou com o segmento de pet shops, que cresceu 4,1% na comparação anual, enquanto shopping centers recuaram 2,1% e lojas de departamento ficaram praticamente estáveis, com leve queda de 0,2%.Tendência de quedaO resultado do IDAT é consistente com outros indicadores recentes que apontam para uma desaceleração gradual da economia brasileira. O padrão observado é exatamente o esperado em um ambiente de juros ainda elevados: primeiro enfraquecem os bens financiados, como veículos e eletrodomésticos; depois, a perda de dinamismo começa a aparecer também no consumo de serviços, que vinha sustentando a atividade econômica.Embora o mercado de trabalho ainda permaneça relativamente resiliente, os dados sugerem que esse suporte já não é suficiente para compensar o encarecimento do crédito e a perda de poder de compra em alguns segmentos. Se essa tendência se confirmar nos indicadores oficiais do IBGE nas próximas semanas, o segundo trimestre deve mostrar uma economia crescendo em ritmo mais moderado do que no início do ano.Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco