O contrato futuro do trigo com vencimento em setembro encerrou a sessão desta sexta-feira (17) em alta de 1,19% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 6,82 por bushel.Segundo a Farm Futures, os preços do cereal foram sustentados pelo aumento das preocupações geopolíticas no Oriente Médio e na região do Mar Negro, fatores que seguem impulsionando o mercado de energia e influenciando o comportamento das commodities agrícolas. Entre os grãos, o trigo de inverno liderou os ganhos, com valorização entre 1% e 2% na maioria dos contratos. Milho e soja também avançaram, com altas entre 0,5% e 0,75%.No mercado brasileiro, a semana foi marcada por negociações lentas, cenário típico do período de entressafra. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, a oferta disponível permanece limitada, principalmente de trigo com melhor qualidade. Leia Mais Trigo recua em Chicago e segue movimento de realização de lucros Trigo sobe quase 3% em Chicago com foco na demanda e safra dos EUA Trigo cai em chicago com realização de lucros “O estoque remanescente continua restrito, especialmente dos lotes de padrão superior. Ao mesmo tempo, os moinhos seguem adquirindo apenas volumes pontuais, diante da dificuldade de repassar o aumento dos custos da matéria-prima aos preços da farinha”, afirmou o analista.Com a oferta doméstica enxuta e a cautela dos compradores, o mercado brasileiro segue com baixa liquidez, enquanto os agentes acompanham a evolução do cenário internacional e o desenvolvimento da nova safra nacional.MilhoO contrato futuro do milho com vencimento em dezembro encerrou a sessão com alta de 0,75% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,67 por bushel.Segundo a Farm Futures, o avanço dos preços foi impulsionado pelo forte movimento de valorização do petróleo, que elevou as cotações do trigo e acabou beneficiando também o mercado do milho por efeito de contágio entre as commodities agrícolas.No cenário internacional, o mercado também acompanha as condições das lavouras na Europa. Na França, as temperaturas acima de 35°C durante boa parte de julho provocaram uma deterioração significativa da qualidade das plantações.Atualmente, apenas 41% das lavouras de milho são classificadas como boas ou excelentes, queda de seis pontos percentuais em relação à semana anterior e bem abaixo dos 72% registrados no mesmo período do ano passado.Já no Brasil, a Safras & Mercado projeta uma produção de 5,71 bilhões de bushels de milho na safra 2025/26, volume 3,3% superior ao da temporada anterior, o equivalente a um acréscimo de aproximadamente 180 milhões de bushels.A consultoria destaca que o país está em fase de colheita da segunda safra, responsável por mais de 80% da produção nacional, consolidando o Brasil como o terceiro maior produtor mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.SojaOs contratos futuros da soja encerraram a sessão em alta na Bolsa de Chicago, com o vencimento para novembro, o mais negociado, avançou 0,67%, fechando cotado a US$ 12,03 por bushel.Segundo a Farm Futures, o mercado foi impulsionado por uma sequência de anúncios de vendas para exportação divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), incluindo uma compra da China. As negociações estimularam uma onda de compras técnicas baseada na demanda, sustentando a valorização das cotações ao longo do pregão.Os exportadores privados reportaram ao USDA três grandes operações. A primeira envolveu a venda de 12,5 milhões de bushels de soja para a China, seguida por 9,4 milhões de bushels destinados ao México e outros 4 milhões de bushels para destinos ainda não revelados. Todas as cargas serão entregues no ano comercial 2026/27, que começa em 1º de setembro.No Brasil, a Safras & Mercado projeta uma safra recorde de 6,619 bilhões de bushels de soja em 2025/26, volume 1,01% superior ao registrado na temporada anterior, caso a estimativa se confirme. A consultoria também destaca que o plantio da safra 2026/27 deverá começar entre setembro e outubro, reforçando as expectativas de uma ampla oferta brasileira na próxima temporada.Clima e degradação redesenham o lucro no agro e impulsionam integração