A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender visitas com finalidade político-eleitoral ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inviabiliza o encontro solicitado pela defesa do ex-chefe do Executivo com o presidente da Argentina, Javier Milei.A visita estava prevista para 25 de julho, data em que o líder argentino também participará da convenção nacional do PL, em São Paulo, para declarar apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).Na decisão assinada nesta sexta-feira (17/7), Moraes manteve Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária, apesar de concluir que o ex-presidente descumpriu as medidas cautelares ao divulgar uma carta de conteúdo político por meio do filho, Flávio Bolsonaro.Como sanção, o ministro determinou a suspensão do direito de receber visitas por 30 dias, autorizando apenas a entrada de advogados, médicos e fisioterapeutas.Além disso, Moraes proibiu visitas com finalidade político-eleitoral e vetou a divulgação de manifestos de natureza política, inclusive por terceiros, até o fim das eleições gerais de 2026.Na prática, as novas restrições impedem a visita de Milei, que havia sido solicitada pela defesa de Bolsonaro horas antes da decisão.3 imagensFechar modal.1 de 3Milei vem ao Brasil e diz que pretende se encontrar com Jair Bolsonaro Lucas Aguayo Araos/Anadolu via Getty Images2 de 3Flávio Bolsonaro e Javier MileiReprodução/Redes sociais3 de 3Hugo Barreto/MetrópolesDefesa pediu autorização para encontroO pedido foi protocolado nesta sexta-feira pelos advogados do ex-presidente, que solicitaram autorização para que Milei visitasse Bolsonaro na residência no Jardim Botânico (DF), onde cumpre prisão domiciliar desde março deste ano.Segundo a defesa, o encontro ocorreria no dia 25 de julho, às 16h, e teria caráter oficial.Os advogados argumentaram que a viagem do presidente argentino foi previamente comunicada pelas autoridades do país à Embaixada do Brasil em Buenos Aires.A comitiva prevista para acompanhar Milei seria formada pelo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, pela secretária-geral da Presidência, Karina Milei — irmã do presidente argentino —, além do intérprete Enrique Luis de Boero Baby.Na semana passada, o presidente argentino confirmou que participará da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, em São Paulo, quando deve ser oficializada a candidatura do filho 01 de Bolsonaro à Presidência da República. Leia também Igor GadelhaAliados sugerem que Flávio peça ajuda de Milei contra tarifaço Blog do NoblatMilei cruza a fronteira para inflar o palanque de Flávio BrasilMilei diz que pretende visitar Bolsonaro durante viagem ao Brasil BrasilMilei vem ao Brasil para lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro Moraes vê descumprimento, mas mantém domiciliarNa mesma decisão, Moraes acompanhou o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que reconheceu que Bolsonaro violou as medidas cautelares ao permitir a divulgação de uma carta com conteúdo político, mas entendeu que a conduta, isoladamente, não justificava o retorno ao regime fechado.O ministro, entretanto, advertiu que novos descumprimentos poderão levar à revogação da prisão domiciliar.“A estrita observância de todas as condições fixadas por lei e pelas decisões judiciais constitui pressuposto para a manutenção do regime de cumprimento atualmente deferido”, escreveu. “Eventual descumprimento poderá ensejar a imediata reavaliação do benefício concedido, inclusive a reversão da prisão domiciliar humanitária em regime fechado.”