Briga com Michelle deixa de ser ruído e pesa contra Flávio Bolsonaro

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O racha público com Michelle Bolsonaro (PL) deixou de ser apenas um ruído para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e passou a aparecer de forma objetiva nas pesquisas.Levantamento Genial/Quaest divulgado na quarta-feira (15/7) mostra que 42% dos entrevistados concordam mais com a ex-primeira-dama no desentendimento, enquanto 18% ficam ao lado do senador e pré-candidato à Presidência. Outros 22% não concordam com nenhum dos dois.A pesquisa também perguntou se Michelle acertou ao publicar o vídeo no qual afirmou ter sido desrespeitada e humilhada pelo enteado. Para 45%, ela tomou a decisão correta, enquanto 38% consideraram que errou.O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.O confronto começou por divergências sobre o palanque do PL no Ceará. Michelle se opôs à articulação de integrantes do partido para apoiar Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual e defendeu a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE).No vídeo publicado em 24 de junho, ela afirmou que Flávio foi ríspido durante uma ligação, disse que ela deveria ficar fora das decisões partidárias e declarou que a madrasta não entendia de política.Michelle também acusou os filhos de Jair Bolsonaro (PL) de agirem de forma coordenada contra ela, com manifestações públicas semelhantes.Flávio negou ter desrespeitado a ex-primeira-dama e afirmou que jamais faria isso com a mulher do próprio pai. Dois dias depois, durante agenda na Romaria do Divino Pai Eterno, em Goiás, o senador evitou prolongar o confronto e declarou que, da parte dele, o episódio era uma “página virada”.A tentativa de encerrar publicamente a crise não recompôs a relação política.3 imagensFechar modal.1 de 3Racha entre Flávio Bolsonaro e Michelle passou a pesar na estratégia eleitoral do senadorArte Metrópoles2 de 3Pré-campanha de Flávio tenta conter o desgaste com eleitoras e reorganizar a frente femininaVINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto3 de 3Michelle ampliou o embate ao tornar públicas as divergências sobre as articulações do PLDANILO M. YOSHIOKA/ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka Leia também Milena TeixeiraA nova campanha do PT para associar Flávio ao tarifaço Milena TeixeiraO apelido de Flávio entre mulheres da direita após foto com Sicário Blog do NoblatO isolamento de Flávio Bolsonaro BrasilCalúnia contra Lula: Moraes diz que Flávio não comprovou pedido para adiar depoimento O peso do eleitorado femininoEm 30 de junho, Michelle anunciou que deixaria a presidência nacional do PL Mulher para se dedicar aos cuidados com Bolsonaro e com a filha, Laura. No dia seguinte, Flávio reuniu lideranças femininas em Brasília, agradeceu o trabalho da madrasta à frente da ala do partido e afirmou que as portas continuavam abertas para ela. Michelle e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) não participaram do encontro.É justamente entre o público feminino que Flávio sofre uma das maiores resistências. Na última pesquisa Datafolha, enquanto a rejeição de Lula entre as mulheres era de 40%, a de Flávio era de 53%.Sem a ex-primeira-dama como principal ponte com as eleitoras, a pré-campanha reforçou outras frentes. A mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, passou a aparecer com mais frequência nas redes sociais e nas agendas do senador, com foco em propostas relacionadas à saúde. Racha com Michelle pesa na estratégia de FlávioPesquisa Genial/Quaest mostra que 42% concordam mais com Michelle no conflito, enquanto 18% ficam ao lado de Flávio;Para 45% dos entrevistados, Michelle acertou ao publicar o vídeo em que afirmou ter sido desrespeitada pelo enteado;A crise começou por divergências sobre o palanque do PL no Ceará e a possível aliança com Ciro Gomes;Após deixar o PL Mulher, Michelle se afastou das articulações, enquanto Fernanda Bolsonaro ganhou mais espaço na pré-campanha;Daniella Marques passou a liderar a estratégia para mulheres e ganhou força como possível candidata a vice de Flávio.A pré-campanha do senador também lançou o programa Brasil por Elas, com propostas sobre segurança pública, combate à violência doméstica, acesso ao crédito, empreendedorismo, mercado de trabalho, economia do cuidado, saúde da mulher e apoio a famílias atípicas.A elaboração ficou sob a coordenação da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), que reuniu contribuições de lideranças bolsonaristas e passou a ocupar espaço simultaneamente nos núcleos econômico e feminino da pré-campanha.Daniella também passou a acompanhar Flávio em agendas e participou, nessa quinta-feira (16/7), da live de lançamento do Brasil por Elas. Durante a transmissão, o senador voltou a defender que sua candidata a vice seja uma mulher e citou diretamente a ex-presidente da Caixa. “Estão falando muito do nome da Dani. Então vai ser importante vocês conhecerem”, declarou.Aliados ouvidos pelo Metrópoles apontam Daniella como o nome mais próximo de ser anunciado para a vaga, mas a escolha ainda depende de negociações entre PL e Republicanos em Roraima e Mato Grosso.O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, elogiou a economista, mas afirmou que a candidata a vice precisará agregar votos à chapa. A avaliação interna é que a escolha de uma mulher, já discutida antes do confronto com Michelle, ganhou mais peso com a repercussão do episódio.