Polícia arquiva ocorrência sobre morte de homem dentro de UPA no DF

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) arquivou a ocorrência registrada após a morte de Vilmar da Silva (foto em destaque), de 49 anos,  na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas (DF) em junho deste ano. Em nota ao Metrópoles, a corporação informou que a morte de Vilmar foi por “causa natural” e, por esse motivo, não será instaurado inquérito policial e a ocorrência será arquivada. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) informou que a apuração interna para esclarecer as circunstâncias da morte permanece em andamento.Segundo o instituto, após a conclusão da etapa preliminar, que contou com a participação das áreas assistenciais, de Governança, Corregedoria, Qualidade e Segurança do Paciente, o caso foi encaminhado às instâncias responsáveis para continuidade das análises técnicas e administrativas. Atualmente, o procedimento tramita na Controladoria do IgesDF.O instituto informou ainda que adotou medidas para reforçar os fluxos assistenciais na unidade.Relembre o casoVilmar morreu em 20 de junho na UPA do Recanto das Emas.Imagens obtidas pela coluna Grande Angular mostram o homem antes de morrer dentro da UPA.Silva chegou à UPA em uma cadeira de rodas, às 21h14 no dia anterior.Ele bebeu água e foi posicionado, por um vigilante, em um canto da sala de espera da unidade de saúde.De acordo com as imagens, aproximadamente duas horas depois, ele foi ao banheiro. Na ocasião, às 23h07, ele estava sem a pulseira de identificação para atendimento.Já durante a madrugada, aproximadamente às 2h40, o homem permanecia na cadeira de rodas. Aparentemente, Silva toma um líquido não identificado, às 2h43.Um minuto depois, às 2h44, o segurança se aproxima e fala com ele. Às 3h, Silva se cobre com o cobertor. Ao lado, três pessoas estavam dormindo nas cadeiras da UPA.Uma testemunha, que preferiu não se identificar, contou ao Metrópoles que estava na UPA acompanhando a filha quando a esposa percebeu que Vilmar havia morrido.Segundo o relato, a equipe de plantão foi avisada, mas um enfermeiro teria afirmado inicialmente que o homem não estava morto.“Paralelamente, a unidade implementou, em conjunto com os setores Humanizar, Qualidade e Segurança do Paciente e demais áreas envolvidas, medidas de aprimoramento dos fluxos assistenciais voltadas ao fortalecimento do acolhimento, da identificação precoce de situações de vulnerabilidade e da segurança do paciente”, afirmou.O IgesDF acrescentou que, em razão do sigilo dos procedimentos administrativos, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e da necessidade de preservar pacientes, familiares e profissionais envolvidos, “não divulgará informações adicionais nem antecipará conclusões enquanto a apuração estiver em curso”. Leia também Grande AngularNovas imagens mostram homem antes de morrer dentro de UPA Distrito FederalAntes de morrer em UPA no DF, homem disse que não comia há 15 dias Distrito FederalHomem morre durante espera por atendimento em UPA do DF Distrito FederalHomem morto em UPA tinha saúde debilitada e passou 6 meses em coma Saúde debilitadaApós a morte, as filhas de Vilmar relataram ao Metrópoles que ele enfrentava problemas de saúde desde uma convulsão sofrida há cinco anos, que resultou em traumatismo craniano e seis meses de coma.De acordo com a filha Emily Silva, após a convulsão há cinco anos, Vilmar teve o traumatismo e precisou de internação, chegando a permanecer seis meses em coma. Depois da alta, ficou bastante debilitado.“Nessa convulsão ele teve uma traumatismo craniano, ficou internado. [Ele] ficou bem debilitado depois que saiu do hospital porque ficou seis meses em coma“, disse Emily.Segundo a família, Vilmar enfrentava um quadro de alcoolismo, que agravou ainda mais sua condição de saúde e sua situação de vida. Ele chegou a morar com Emily em Água Quente (DF), mas depois deixou a casa e passou a viver em situação de rua.“A gente nesse tempo todo quis pegar ele, porém ele não queria vir para nossa casa, porque queria continuar no vício”, contou.Ela relata ainda que, dois dias antes da morte, o pai havia pedido novamente para deixar a casa dela e voltar ao Recanto das Emas.“Porém há 2 meses atrás eu consegui convencer ele de vir para minha casa e ele veio, ele estava 2 meses comigo. No dia do ocorrido que aconteceu na UPA, tinha 2 dias que ele que ele tinha pedido para sair da minha casa e foi e voltar para o Recanto e foi assim que aconteceu”.Emily e e a irmã Evelyn Silva ficaram sabendo da morte do pai pós a circulação de vídeos na internet.“No Recanto, a gente é bem conhecido, meu pai é bem conhecido, todo mundo conhece. Então, na hora que começou a circular os vídeos na internet, o familiar começou a ligar para gente”, disse.A outra filha, Evelyn Silva, afirmou que a forma como recebeu a notícia foi “horrível, cruel e devastadora”.“Eu descobri através de redes sociais, infelizmente. Então, automaticamente eu me dirigi a UPA. Fui atendida pela assistente social, pela gestora da UPA. E aí, que estamos agora esperando a liberação do corpo”, afirmou Evelyn.