“Chat, mude meu rosto”: especialistas alertam para nova tendência

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Durante anos, filtros de redes sociais que afinavam o nariz, aumentavam os lábios ou redefiniam o contorno do rosto reforçarem padrões estéticos inalcançáveis. Hoje, embora essas ferramentas não sejam mais tão utilizadas, a transformação virtual permanece com o avanço da IA (inteligência artificial) generativa.A “Kaiser Family Foundation”, uma instituição focada em pesquisa de saúde dos Estados Unidos, divulgou em 2026 que: 32% dos adultos afirmam ter usado chatbots de IA para obter informações ou aconselhamento em saúde no último ano e esse uso já é comparável ao das redes sociais como fonte de informação em saúde.“Em vez de simplesmente aplicar um filtro, usuários passaram a recorrer a plataformas capazes de gerar imagens altamente realistas a partir de fotografias, simulando diferentes estilos, mudanças faciais e até possíveis resultados de procedimentos estéticos. Embora essas imagens não representem previsões médicas e tampouco possam antecipar com fidelidade o resultado de uma cirurgia plástica, elas podem transmitir uma impressão de precisão que não corresponde à realidade”, explica a cirurgiã plástica Dra. Flávia Bonato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Leia Mais A IA pode se tornar sua amiga? Entenda a opinião dos especialistas IA não substituirá papel do professor em sala de aula, dizem especialistas ChatGPT está morrendo ou ficando complexo demais para o usuário comum? A cirurgiã plástica explica que a inteligência artificial é capaz de produzir imagens muito convincentes, mas isso não significa que elas representem aquilo que a cirurgia realmente pode oferecer.Embora ainda não haja nenhuma pesquisa específica sobre o uso de IAs generativas para prever resultados estéticos, um estudo publicado no Journal of Medical Internet Research mostrou que: 60,2% dos participantes acreditam que chatbots podem ajudá-los a tomar melhores decisões sobre saúde; 38,3% poderiam confiar em um chatbot para fornecer conselhos sobre tratamentos; e 59,2% consideram chatbots mais confiáveis do que uma busca tradicional no Google para responder dúvidas de saúde.Para a especialista, uma das principais diferenças entre os antigos filtros e as atuais ferramentas de IA está justamente na percepção do usuário. “Os filtros eram claramente entendidos como efeitos digitais. Já algumas imagens produzidas por inteligência artificial são tão realistas que podem gerar a impressão de que representam um resultado possível ou até garantido. Esse é um risco importante, porque cirurgia plástica não funciona como uma edição de imagem”, diz a Dra. Flávia.A cirurgiã destaca que mesmo softwares utilizados dentro da prática médica para auxiliar no planejamento cirúrgico têm limitações e devem ser apresentados apenas como recursos educativos durante a consulta, nunca como promessa de resultado.Outro ponto destacado pela médica é que a decisão por um procedimento cirúrgico depende de uma avaliação muito mais ampla do que a aparência capturada em uma fotografia. Além disso, a médica reforça que a IA não é capaz de avaliar condições clínicas, identificar limitações técnicas específicas nem considerar o processo de cicatrização individual, fatores que influenciam diretamente o resultado final.IA fez crescer interesse por chips de memória | LIVE CNNQuando a tecnologia pode ajudar?Isso não significa que a inteligência artificial não tenha espaço na medicina. Pelo contrário. “Ferramentas baseadas em IA podem auxiliar na organização de informações, educação do paciente, produção de conteúdo informativo e até apoiar pesquisas científicas. Em algumas áreas, também contribuem para análise de imagens e otimização de processos. O problema surge quando imagens geradas artificialmente passam a ser interpretadas como previsões confiáveis do resultado de um procedimento estético”, diz a Dra. Flávia Bonato.A especialista ressalta ainda que qualquer recurso digital capaz de modificar a aparência deve ser utilizado com senso crítico.