Claude muda personalidade conforme o idioma, diz Anthropic

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Pesquisa observa mudanças de comportamento do Claude em cada idioma (imagem: reprodução) Resumo Anthropic analisou mais de 300 mil conversas anônimas e concluiu que o chatbot Claude muda o tom das respostas conforme o idioma.Em português, o Claude apresenta respostas mais técnicas e orientadas à tarefa.Os idiomas inglês, hindi, árabe, russo, holandês e indonésio apresentaram variações nos eixos de simpatia, profundidade, franqueza e execução.O Claude, IA da Anthropic, pode adotar tons de conversa diferentes em cada idioma. Um estudo divulgado pela empresa nesta semana mostra que o chatbot varia entre tons mais cautelosos, diretos, simpáticos ou detalhados a depender da língua. Em português, o modelo apresenta uma tendência a respostas mais técnicas.Segundo a Anthropic, a análise foi feita com mais de 300 mil conversas reais e anônimas na plataforma. O objetivo era entender como o modelo se comporta em difertentes contextos linguísticos e culturais — e se essas variações podem indicar inconsistências nas respostas. Como o Claude se comporta em português?Português não teve variações muito acima da média (imagem: reprodução/Anthropic)O Claude em português apresenta uma leve inclinação para respostas mais técnicas e orientadas à tarefa. Na análise da Anthropic, baseada em mais de 15 mil conversas, o idioma teve pequenas variações positivas em:RigorExecuçãoCautelaProfundidadeSegundo o levantamento, os comportamentos associados ao português são:Refinar e corrigir detalhes mesmo sem pedido explícito;Oferecer informações ou caminhos adicionais;Adicionar elementos criativos ou contexto extra às respostas.Como mediram as diferenças?Anthropic trabalhou com quatro eixos (imagem: reprodução/Anthropic)Para comparar idiomas, os pesquisadores organizaram o comportamento do Claude em quatro eixos:Deferência ou cautela: mede se o modelo tende a seguir o pedido do usuário e validar suas ideias, ou se adota uma postura mais cuidadosa, com alertas sobre riscos e limites. Simpatia ou rigor: compara respostas mais acolhedoras e encorajadoras com respostas mais preocupadas com precisão, correção de detalhes e transparência factual. Profundidade ou concisão: avalia se o chatbot costuma explicar mais ou se prefere respostas curtas e diretas. Franqueza ou execução: observa se o Claude admite incertezas e limitações ou se prioriza entregar uma resposta pronta, confiante e focada na tarefa. “Duas pessoas pedindo feedback em um mesmo plano de negócios, um em hindi e outro em russo, podem ter impressões diferentes sobre a qualidade porque o Claude expressou valores diferentes na avaliação”, diz a pesquisa. Os resultados também podem variar de modelo para modelo. A versão Opus 4.7, por exemplo, tende a ter uma linguagem mais cautelosa e priorizar o rigor em comparação com o Opus 4.7.Outras diferenças entre idiomasAs diferenças ficam mais claras em comparação a outros idiomas. Inglês: apareceu como mais cauteloso e mais voltado à profundidade. Segundo a análise, o Claude tende a questionar suposições incorretas e pedir mais evidências nesse idioma.Hindi: teve a maior inclinação para simpatia, com respostas mais encorajadoras, leves e bem-humoradas.Árabe: ficou mais associado à deferência e à concisão, com linguagem mais polida e adaptação ao tom emocional do usuário.Russo: se destacou pelo rigor, com respostas mais diretas e analíticas.Holandês: teve maior tendência à franqueza, ou seja, o modelo admitiu limitações com mais frequência.Indonésio: apareceu mais voltado à execução, priorizando a conclusão da tarefa.Por que isso acontece?Anthropic ainda quer entender por que mudanças ocorrem (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)A Anthropic afirma que ainda não sabe exatamente por que essas diferenças surgem. Uma das hipóteses é a de que alguns idiomas aparecem em bases menores ou mais concentradas em certos tipos de texto. Outro fator possível é a adaptação cultural e o reflexo das características dessas línguas. Nota-se, no entanto, que a pesquisa não diferencia a variação falada em cada país, como o português no Brasil ou eu Portugal, o que também reflete costumes de cada localidade. A empresa diz que pretende continuar monitorando essas variações e que isso também pode evoluir para a identificação da “correlações entre perfis de valores e comportamentos problemáticos”. Em estudos anteriores, o Claude já se mostrou menos propenso a auxiliar em planos potencialmente criminosos e a ser complacente com comportamentos questionáveis de usuários. Tragédias envolvendo orientação de chatbots de IA foram frequentes nos últimos anos.Claude muda personalidade conforme o idioma, diz Anthropic