Os índices de Wall Street enfrentaram um pregão volátil nesta quarta-feira (15) com os investidores dividindo as atenções entre novos dados de inflação e desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.Confira o fechamento dos índices:Dow Jones: +0,29%, aos 52.658,52 pontos;S&P 500: +0,38%, aos 7.572,40 pontos; Nasdaq: +0,62%, aos 26.269,227 pontos.Alta de juros só em outubro O mercado adiou as apostas de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) após novos dados de inflação abaixo do esperado. Os preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) caiu 0,3% no mês passado, após alta de 0,6% em maio em dado revisado para baixo, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos. Os economistas consultados pela Reuters esperavam estabilidade na comparação mensal. Nos 12 meses até junho, os preços ao produtor subiram 5,5%, após alta de 6,0% em maio.O dado acompanhou o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) divulgado ontem. O CPI registrou deflação de 0,4% em junho, a maior queda mensal dese abril de 2020 e abaixo das expectativas do mercado.Embora o dado não seja a referência inflacionária para o Fed, o CPI e o PPI são usados pelo mercado para calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros. Agora, os investidores esperam o índice de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), principal referência para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) e que deve ser divulgado no próximo dia 30. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava para 89,8% de chance de o Fed manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na decisão prevista para o fim deste mês, no dia 29. Antes do PPI, a probabilidade de manutenção de 84%.Para a reunião seguinte, em setembro, o mercado ajustou a aposta majoritária também para manutenção, com probabilidade de 51,9% de juros inalterados. Antes do PPI, os traders viam 52,1% de chance de alta nos juros pelo Fed. Agora, outubro é o mês mais provável para uma nova alta nos juros, com probabilidade de 57,3%, segundo a ferramenta do CME. Warsh no SenadoDepois de audiência na Câmara dos Representantes ontem, o presidente do Fed, Kevin Warsh, discursou no Senado. Warsh afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não lhe pediu para fazer nada impróprio e que, caso Trump o fizesse, ele não atenderia ao pedido.O mercado corporativo norte-americano também deu o pontapé na temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 com os resultados dos bancos. A declaração de Warsh veio em resposta a uma série de perguntas feitas por senadores sobre se ele havia conversado com Trump — que o nomeou — desde que Warsh tomou posse, há quase dois meses. Ele se recusou a dizer diretamente se havia conversado com Trump, mas afirmou que não considerava apropriado divulgar o conteúdo de suas comunicações com autoridades do governo.Tensão entre EUA e IrãNo final da tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não gosta de estabelecer prazos, quando questionado por repórteres se o Irã teria um prazo antes que os EUA começassem a atacar pontes iranianas.“Não gosto de estabelecer deadlines, mas eles já sabem muito bem, conhecem a história… é melhor que se comportem”, disse Trump.Na noite de ontem (14), o republicano declarou que ampliará ataques contra o Irã nos próximos dias, em entrevista à Fox News. “Na semana que vem, a situação ficará muito pior para eles, porque vamos avançar para infraestrutura de eletricidade, pontes, a não ser que negociem conosco. Eles não tem escolha a não ser fazer um acordo”, disse Trump.De acordo com uma reportagem do Wall Street Journal, Trump está inclinado a expandir as operações militares dos EUA no Irã. O chefe da Casa Branca realizou uma reunião na Situation Room na noite desta terça-feira. Entre as opções discutidas, segundo o jornal, estão a apreensão da Ilha Kharg e outros territórios na região do Estreito de Ormuz, além de bombardeio da Montanha Pickaxe – local ligado a um programa nuclear iraniano que os EUA ainda não alvejaram.Do outro lado, o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que, caso o Irã não se beneficie do memorando de entendimento com os EUA, “não temos motivo para respeitar tal acordo”.A segurança nacional do Irã depende da manutenção dos “arranjos iranianos” no Estreito de Ormuz, acrescentou Qalibaf em uma declaração publicada no Telegram nesta quarta-feira.Segundo ele, a abordagem do Irã em relação à guerra com os EUA e às negociações para pôr fim ao conflito deve se basear nos interesses nacionais, na segurança nacional e em uma perspectiva de longo prazo, acrescentando que Teerã não tem outra escolha a não ser contar com suas próprias forças.