Exportações de café recuam 16% com EUA fora da liderança pós-tarifaço

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As exportações brasileiras de café encerraram a safra 2025/26 com queda de 15,7% em volume na comparação com o ciclo anterior, refletindo uma combinação de menor disponibilidade do produto, problemas logísticos nos portos brasileiros e os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro.Ainda assim, a receita cambial permaneceu praticamente estável e atingiu o segundo maior patamar da série histórica, sustentada pelos preços elevados registrados ao longo da temporada.Segundo relatório mensal divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 38,462 milhões de sacas de 60 quilos entre julho de 2025 e junho de 2026, para 125 países.A receita somou US$ 14,595 bilhões, apenas 1% inferior à registrada na safra anterior. O preço médio de exportação alcançou US$ 379,48 por saca, alta de 17,4% e recorde histórico.No acumulado do primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram 17,831 milhões de sacas, queda de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cambial recuou 13,3%, para US$ 6,534 bilhões. Leia Mais Exportação de café em abril tem volume estável e receita em queda Exportações de café recuam em março e receita despenca com entressafra Exportação de café da Cooxupé deverá recuar em 2026, prevê superintendente Efeito do tarifaço nos Estados UnidosO Cecafé atribui parte importante da retração ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que vigorou entre agosto e novembro de 2025.Nesse intervalo, os embarques brasileiros ao mercado americano despencaram 54,9%, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas na comparação com igual período do ano anterior.Mesmo após a retirada da sobretaxa para a maior parte dos cafés brasileiros — com exceção do café solúvel, que continua sujeito à tributação — o Cecafé avalia que as exportações ainda não retornaram ao ritmo normal.Segundo a entidade, a instabilidade da política comercial americana e a expectativa pelo resultado da investigação da Seção 301 conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) seguem gerando incertezas para o comércio bilateral.O impacto aparece também no ranking dos principais compradores do café brasileiro. Pela primeira vez desde a safra 2009/10, os Estados Unidos perderam a liderança entre os destinos das exportações. A Alemanha assumiu o primeiro lugar, com a compra de 5,188 milhões de sacas (13,5% do total), enquanto os EUA ficaram na segunda posição, com 4,243 milhões de sacas, volume 43,2% inferior ao registrado na temporada anterior.No recorte de janeiro a junho de 2026, os Estados Unidos continuaram como principal destino individual do café brasileiro, com 2,18 milhões de sacas, mas as compras acumulam retração de 34,3% frente ao mesmo período de 2025. Apenas em junho, os embarques ao mercado americano somaram 409,6 mil sacas, queda de 7,7% na comparação anual.Oferta menor e gargalos logísticosAlém das tarifas, o Cecafé destaca que a redução das exportações era esperada devido à menor disponibilidade de café após os embarques recordes de 2024, que reduziram significativamente os estoques brasileiros. A safra de 2025 também foi prejudicada por adversidades climáticas, enquanto atrasos nos principais portos do país dificultaram o embarque de centenas de milhares de sacas e elevaram os custos para os exportadores.Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, outro fator foi a postura mais cautelosa dos produtores, que permaneceram capitalizados após os bons preços dos últimos anos e preferiram negociar seus estoques remanescentes em momentos considerados mais favoráveis de mercado. O atraso da colheita e as incertezas climáticas também reduziram o ritmo das vendas antecipadas e contribuíram para limitar as exportações em junho.