Antes de matar vizinho, militar já foi preso por assassinar um pastor

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Belo Horizonte – O sargento, ex-fuzileiro naval da Marinha do Brasil, Guilherme Augusto Rodrigues, de 34 anos, preso em flagrante suspeito de matar o vizinho Carlos Alberto dos Santos, de 61 anos, na zona rural de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nesta terça-feira (14/7), já havia cometido outro crime de grande repercussão nacional. Em setembro de 2014, ele assassinou o pastor Alessandro Veloso Pires, de 40 anos, com golpes de espada dentro de um ônibus interestadual, após uma discussão envolvendo um assento durante uma viagem entre Goiânia e Brasília.Na época, Guilherme Augusto tinha 23 anos e integrava a Marinha do Brasil. Segundo a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o pastor viajava acompanhado dos filhos, de 5 e 12 anos, para assistir ao desfile de 7 de Setembro, onde o filho mais velho participaria das comemorações da Independência.Ao embarcar, Alessandro encontrou o suspeito sentado em uma das poltronas que havia comprado. Conforme testemunhas ouvidas pela polícia, o pastor pediu educadamente que o homem deixasse o assento reservado. Não houve discussão nem troca de agressões. O militar permaneceu na viagem e, quando o ônibus estacionou no terminal de Taguatinga, levantou-se repentinamente e atacou a vítima com uma espada.O primeiro golpe arrancou um dos olhos do pastor. Em seguida, ele desferiu outros golpes na cabeça da vítima, que segurava o filho de cinco anos no colo. Um passageiro retirou a criança antes que ela fosse atingida. Alessandro foi levado ao Hospital de Base de Brasília, mas morreu seis dias depois em consequência dos ferimentos.Confissão e prisãoA investigação enfrentou dificuldades porque as câmeras do ônibus não funcionavam. O suspeito deixou a rodoviária caminhando normalmente logo após o crime.A Polícia Civil conseguiu identificá-lo por imagens das câmeras das rodoviárias de Goiânia e Taguatinga e pelo cruzamento da lista de passageiros com um registro policial. Dias depois do homicídio, ele foi abordado portando uma espada, três facas e um estilete. A perícia encontrou vestígios biológicos em uma das armas.Dias depois do homicídio, ele foi abordado portando uma espada, três facas e um estilete.Preso em 16 de setembro de 2014, o militar confessou o assassinato. Ao delegado Moisés Martins, afirmou que se sentiu ofendido pelo comportamento do pastor, alegando ter interpretado como “deboche” e “soberba” as conversas e brincadeiras entre a vítima e os filhos durante a viagem. Todos os passageiros ouvidos pela polícia negaram essa versão e disseram que Alessandro teve uma postura tranquila durante todo o trajeto.O delegado afirmou, na ocasião, que o suspeito não demonstrava arrependimento pelo crime.Ele foi indiciado por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e por impossibilitar a defesa da vítima.Surto psicótico e interdiçãoSegundo resultados de um laudo médico da época do julgamento em 2016, Guilherme Augusto sofreria de esquizofrenia, psicose, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e síndrome de burnout o que o tornaria “incapaz de entender o caráter criminoso de seu ato”.O júri popular considerou que o agressor sofria de transtornos mentais e o absolveu. O juiz determinou que o agressor fosse internado em um hospital, sob custódia e acompanhamento psiquiátrico. Após o homicídio do pastor, ele permaneceu preso por cerca de um ano no Complexo Penitenciário da Papuda esperando julgamento, posteriormente, ficou aproximadamente quatro anos internado em um sanatório psiquiátrico.Novo homicídio em BetimOnze anos depois do assassinato do pastor, o militar voltou a ser preso, agora apontado como principal suspeito da morte do vizinho Carlos Alberto dos Santos, de 61 anos.O crime ocorreu na Rua das Flores, na região da Fazenda Saraiva, zona rural de Betim.Imagens de câmeras de segurança mostram Carlos saindo de casa com o carro. O portão permanece parcialmente aberto e, logo em seguida, o suspeito aparece caminhando pela rua em direção ao veículo.Poucos segundos depois, a vítima desce do automóvel e corre atrás do militar. Em seguida, os dois entram em luta corporal e cerca de cinco disparos são ouvidos. Ferido, Carlos ainda consegue correr de volta para casa, mas cai no quintal. Ele foi socorrido por vizinhos e levado ao Hospital Regional de Betim, onde morreu após ser atingido por quatro tiros. Leia também BrasilMulher que planejava assassinato é presa após denúncia do filho São PauloCaso Nelson: empresário acusado de assassinato vai a júri popular Distrito FederalForagido por morte de empresária cumpria pena por homicídio Minas GeraisDiarista que matou casal em BH é indiciada por duplo latrocínio Em nota, a Polícia Civil informou que o suspeito “foi ouvido pela Central Estadual do Plantão Digital, onde teve a prisão em flagrante delito ratificada pelo crime de homicídio e, logo após os procedimentos de polícia judiciária, ficou à disposição da Justiça”.A Marinha do Brasil também se manifestou, em nota, e informou que tomou conhecimento de uma ocorrência envolvendo um militar reformado da Força. “A MB lamenta o ocorrido, se solidariza com os familiares da vítima e reitera seu firme repúdio a condutas e atos ilegais que atentem contra a vida, a honra e os princípios militares”, diz o texto.