O trabalho híbrido ultrapassou o salário como principal estratégia das empresas para competir por talento tecnológico. Num mercado cada vez mais pressionado pela procura de competências em inteligência artificial, análise de dados e programação, os modelos flexíveis tornaram-se um fator decisivo para atrair e reter profissionais qualificados.A conclusão é de um novo estudo da ‘International Workplace Group (IWG)’. Segundo a análise, quase três quartos dos líderes empresariais (72%) consideram que oferecer trabalho híbrido ou flexível é importante para atrair talento tecnológico.A valorização é ainda mais expressiva entre as gerações mais jovens: o indicador sobe para 80% entre líderes da Geração Z e 79% entre millennials. Flexibilidade supera salários competitivosO trabalho híbrido é agora a estratégia mais utilizada pelas organizações para competir pelo melhor talento tecnológico, sendo apontado por 37% dos líderes, à frente dos salários competitivos, referidos por 35%.Mais de três quartos dos líderes empresariais (78%) acreditam que as organizações que oferecem trabalho híbrido têm uma clara vantagem face às que não o fazem.A flexibilidade também ganhou peso na retenção. Mais de dois terços dos líderes (68%) reconhecem que salários competitivos já não são suficientes para manter os melhores profissionais tecnológicos. Entre profissionais de tecnologia com menos de 30 anos, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a flexibilidade são apontados como os aspetos mais importantes da cultura empresarial (42%), acima da compensação financeira (30%). Portugal enfrenta escassez de talentoEm Portugal, esta tendência surge num contexto de forte dificuldade de contratação. De acordo com o Global Talent Shortage Survey 2025, da ManpowerGroup, 84% dos empregadores em Portugal reportam dificuldades em encontrar o talento de que necessitam.As áreas de IT e Data estão entre as funções mais procuradas e difíceis de contratar, sendo referidas por 22% dos empregadores.Ao mesmo tempo, o país continua a enfrentar desafios de maturidade digital. Dados da ANACOM, com base no Digital Skills Indicator 2.0 da Comissão Europeia, indicam que três em cada cinco pessoas em Portugal, entre os 16 e os 74 anos, têm competências digitais básicas ou acima de básicas. Ainda assim, apenas cerca de 30% das empresas portuguesas com 10 ou mais trabalhadores apresentam um Índice de Intensidade Digital ‘alto’ ou ‘muito alto’. IA já pesa na escolha dos futuros líderesA disputa por talento tecnológico não se limita ao recrutamento. O estudo mostra que mais de quatro em cada cinco líderes empresariais (83%) afirmam que competências tecnológicas avançadas, como IA, análise de dados e programação, são fundamentais para a progressão para cargos de liderança.Um em cada cinco líderes (22%) valoriza estas competências significativamente acima dos diplomas universitários tradicionais. Já 31% consideram a proficiência tecnológica tão importante como a formação universitária formal na avaliação de candidatos para novas funções. Apenas 5% afirmam que a formação universitária continua a ser o principal critério de avaliação.Esta mudança está também a acelerar percursos de carreira: quase um quarto das organizações (23%) afirma estar a promover profissionais de tecnologia com menos de 30 anos para cargos de liderança mais cedo do que nos percursos tradicionais. O valor sobe para 45% entre empresas lideradas pela Geração Z.Jovens querem flexibilidade, autonomia e evoluçãoA valorização do trabalho híbrido cruza-se com uma mudança mais ampla nas expectativas das novas gerações. Dados da Robert Walters Portugal indicam que 45% dos profissionais qualificados da Geração Z no país rejeitam cargos tradicionais de chefia intermédia, apontando fatores como stress, burocracia, falta de autonomia e dificuldade em equilibrar a vida pessoal e profissional.Já o estudo Gen Z and Millennial Survey 2025, da Deloitte, conclui que 60% dos inquiridos portugueses da Geração Z desenvolvem competências fora da universidade pelo menos uma vez por semana para progredir nas suas carreiras.A mensagem dos líderes, e, em particular, das gerações mais jovens, é clara: as empresas que não integrarem o trabalho híbrido na sua cultura arriscam ficar para trás na corrida por talento tecnológico e no acesso às competências de que precisam para se manterem competitivas.Mark Dixon, Fundador e Executive Chairman da IWGO conteúdo Trabalho híbrido ultrapassa salário como arma das empresas para contratar talento tech aparece primeiro em Revista Líder.