A curva de juros futuros devolveu parte dos ganhos da véspera e fechou a sessão desta terça-feira (14) em queda na esteira dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries, após a deflação registrada em junho. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu 6 pontos-base e fechou a 13,895% ante 13,955% do fechamento anterior.Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,020% ante 14,230% do fechamento anterior, queda de 21 pontos-base. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, recuou 11 pontos-base e terminou o dia a 14,280% ante 14,395% do fechamento da última segunda-feira (14).O mercado de títulos brasileiros acompanhou o desempenho dos títulos Tesouro norte-americano, os Treasuries, que fecharam em alta.Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,191% ante 4,263% do ajuste anterior.Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — caía para 4,587%, de 4,610% da última segunda-feira (13), no mesmo horário.O que mexeu com os DIs hoje? O cenário geopolítico ficou no radar com o recuo do presidente norte-americano Donald Trump sobre a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz, mas o destaque do dia foi a inflação nos EUA. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) registrou deflação de 0,4% em junho, a maior queda mensal dese abril de 2020 e abaixo das expectativas do mercado.No acumulado de 12 meses, a inflação norte-americana registrou uma desaceleração de 4,2% em maio para 3,5%, também abaixo do esperado pelo mercado.CPI: Inflação dos EUA recua em junho e acumula alta anual de 3,5%, abaixo das expectativasEmbora o dado não seja a referência inflacionária para o Fed, o CPI é usado pelo mercado para calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros.Após o dado, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava para 83,4% de chance de o Fed manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na decisão prevista para o fim deste mês, no dia 29. Antes do CPI, a probabilidade de manutenção de 63,1%.Para a reunião seguinte, em setembro, as apostas também mudaram: o mercado segue com a aposta majoritária em uma nova alta, mas agora os traders veem 56,5% de chance de uma elevação nos juros contra 71,7% antes do CPI.Por aqui, a atuação do Tesouro no leilão regular de títulos no Brasil corroborou a baixa das taxas dos DIs. O órgão vendeu 1,250 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, e apenas 150 mil Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), papéis vinculados à inflação.Como vem ocorrendo nas últimas semanas, o Tesouro optou por uma oferta pequena de NTN-Bs para não gerar uma pressão de alta de taxas na curva a termo brasileira.*Com informações de Reuters