Por que um supercomputador sabe mais de futebol que muita gente?

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Acertar o campeão de uma Copa do Mundo nunca foi tarefa simples. Mesmo assim, antes de a bola rolar em 2026, o supercomputador da Opta acertou as quatro seleções que acabariam nas semifinais.O resultado nasceu de milhares de simulações matemáticas alimentadas por um enorme volume de dados. Nada de bola de cristal: só estatística e poder de processamento.Cada passe, finalização e desarme pode entrar na conta dos supercomputadores que fazem previsões para o futebol. – Imagem: Anton Vierietin/ShutterstockO que está por trás das previsõesA ideia de tentar antecipar o resultado de uma partida existe há séculos. A diferença é que, hoje, praticamente tudo o que acontece em campo vira dado. Cada passe, finalização, desarme ou assistência pode entrar na conta.É aí que entram os supercomputadores. Em vez de apostar na intuição, eles analisam milhões de informações e cruzam estatísticas sobre equipes e jogadores. No caso da Opta, o sistema combina inteligência artificial, modelos estatísticos e um amplo banco de dados para simular o torneio milhares de vezes e calcular as probabilidades de cada seleção.Entre os fatores avaliados estão:Desempenho recente das equipes;Histórico de confrontos entre os adversários;Estatísticas individuais dos jogadores;Lesões, suspensões e outros fatores que podem influenciar cada partida.Essas máquinas nasceram longe do futebol. O CDC 6600, lançado em 1964 e considerado por muitos o primeiro supercomputador, foi desenvolvido para aplicações científicas, como simulações nucleares, previsões meteorológicas e pesquisas aeroespaciais. Só décadas depois esse tipo de processamento passou a ser usado também no esporte.O sistema da Opta combina inteligência artificial, estatísticas e um enorme banco de dados para projetar cenários. Imagem: NicoElNino/ShutterstockPor que um PC comum não consegue fazer o mesmo?Antes do Mundial de 2026, a Opta simulou a competição 25 mil vezes. A Espanha aparecia com a maior probabilidade de conquistar o título, à frente de França, Inglaterra e Argentina.As projeções mudavam conforme a Copa avançava. Cada rodada acrescentava novos dados ao modelo, que recalculava as probabilidades considerando apenas os cenários ainda possíveis. Depois das quartas de final, a França assumiu a liderança nas estimativas.Na prática, um computador doméstico conseguiria executar parte desses cálculos. O problema é o tempo necessário e a quantidade de memória exigida. Já um supercomputador divide bilhões de operações matemáticas entre milhares de processadores funcionando em paralelo.A Opta não divulga as características da máquina que utiliza. Como comparação, o El Capitan reúne mais de 11 mil unidades de processamento, cerca de 1,1 milhão de núcleos de CPU e 46 mil GPUs.Mesmo com toda a tecnologia, um gol improvável ainda pode mudar completamente o rumo de uma partida. – Imagem: Rost-9D/iStockO futebol continua desafiando os cálculosO desempenho da Opta impressionou, mas as previsões trabalham apenas com probabilidades. Elas indicam o cenário mais provável, nunca um resultado garantido.Leia mais:Supercomputador crava favorito para a final da Copa 2026O segredo dos qubits que pode revolucionar a computaçãoChina ultrapassa EUA e agora tem o supercomputador mais poderoso do mundoA própria história do futebol mostra isso. O Fluminense escapou do rebaixamento em 2009 depois de uma arrancada improvável, enquanto o Palmeiras conquistou o Brasileirão de 2023 mesmo quando aparecia atrás nas projeções estatísticas.Os modelos matemáticos tendem a ficar cada vez mais precisos, mas sempre haverá espaço para uma virada inesperada, um gol improvável ou uma atuação fora do comum. No fim das contas, a decisão continua acontecendo dentro das quatro linhas.O post Por que um supercomputador sabe mais de futebol que muita gente? apareceu primeiro em Olhar Digital.