O que acontece com o cérebro de quem assiste muita televisão

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Passar muitas horas assistindo televisão durante a meia-idade pode estar associado a alterações cerebrais relacionadas ao Alzheimer. A descoberta vem de uma pesquisa que acompanhou 1.712 adultos por aproximadamente 24 anos.O trabalho também revelou que o sedentarismo não deve ser analisado apenas pelo tempo que uma pessoa passa sentada. A atividade realizada nesse período pode ter influência diferente na saúde cerebral.Passar horas na frente da TV na meia-idade foi associado a alterações em regiões cerebrais ligadas ao Alzheimer. Imagem: Stock-Asso/ShutterstockEstudo acompanhou adultos por mais de duas décadasPublicado na revista Alzheimer’s & Dementia, o estudo utilizou dados do ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), uma pesquisa americana que acompanha fatores ligados ao envelhecimento e às doenças cardiovasculares.Os participantes tinham, em média, 53 anos quando responderam perguntas sobre seus hábitos sedentários, entre 1987 e 1989. Cerca de 24 anos depois, entre 2011 e 2013, eles realizaram exames de ressonância magnética para avaliar estruturas do cérebro.A investigação comparou dois comportamentos:Frequência de assistir televisão durante o tempo livre;Tempo passado sentado durante atividades profissionais.Quem relatou assistir TV com muita frequência apresentou diferenças em regiões cerebrais afetadas no início do processo associado ao Alzheimer.Entre os principais achados estavam:Maior volume de hiperintensidades da substância branca, marcador ligado a alterações nos pequenos vasos cerebrais;Menor volume das regiões frontal e occipital;Redução em áreas consideradas assinaturas da doença de Alzheimer.As hiperintensidades da substância branca são alterações identificadas em exames de imagem e associadas ao declínio cognitivo e ao aumento do risco de demência.Homens apresentaram mais associações entre assistir TV e alterações cerebrais no estudo. Imagem: Gabriel Sérvio/Imagem criada por DALL-EO que acontece enquanto estamos sentados importaUm dos resultados mais curiosos foi que diferentes formas de sedentarismo apresentaram relações distintas com a estrutura cerebral.Assistir televisão frequentemente apareceu associado a indicadores menos favoráveis, enquanto permanecer sentado durante o trabalho apresentou associações diferentes, incluindo menor volume de hiperintensidades da substância branca e maior volume de algumas regiões cerebrais.Para os autores, uma possível explicação está no nível de estímulo mental envolvido. Atividades profissionais podem exigir mais concentração, raciocínio e tomada de decisões do que assistir televisão.Frequentemente incentivamos o público a não passar muito tempo sentado, mas os especialistas podem querer ampliar essa recomendação para abranger as atividades realizadas enquanto se está sentado, já que estas parecem ter impactos distintos na saúde cerebral.Natan Feter, autor correspondente do estudo e pesquisador de pós-doutorado da USC Dornsife, em nota.David Raichlen, professor de Ciências Biológicas e Antropologia da USC Dornsife e um dos principais autores da pesquisa, destacou que o tempo sentado não conta toda a história.O estudo não afirma que TV causa Alzheimer, mas encontrou uma associação que merece investigação. Imagem: DCPD/iStockResultados permaneceram mesmo entre pessoas ativasA análise considerou fatores como idade, sexo, escolaridade, hipertensão, diabetes, índice de massa corporal (IMC), atividade física, tabagismo e consumo de álcool.Mesmo após esses ajustes, a relação entre assistir televisão com frequência e alterações na estrutura cerebral permaneceu.Leia mais:Nova autópsia revela pistas sobre por que medicamentos contra Alzheimer falhamNova terapia com cannabis traz esperança para casos de demênciaUm novo tratamento para o Alzheimer? O caminho pode estar aquiA pesquisa também encontrou diferenças entre os sexos. Entre os homens, o hábito esteve associado a reduções em diversas regiões cerebrais, incluindo áreas frontal, temporal, occipital, parietal e regiões profundas do cérebro. Entre as mulheres, não foram identificadas associações significativas na maior parte das áreas avaliadas.Os autores destacam limitações, como o fato de o tempo assistindo televisão ter sido informado pelos próprios participantes e a ausência de exames cerebrais no início do acompanhamento.A conclusão é que medir apenas quantas horas uma pessoa permanece sentada pode não ser suficiente. O tipo de atividade realizada nesse período também parece ser uma variável importante para entender a relação entre sedentarismo e saúde cerebral.O post O que acontece com o cérebro de quem assiste muita televisão apareceu primeiro em Olhar Digital.