Andy Burnham tornou-se oficialmente primeiro-ministro do Reino Unido após uma reunião com o rei Charles III no Palácio de Buckingham, nesta segunda-feira (20).O líder do Partido Trabalhista é o sétimo primeiro-ministro do país em dez anos e assume no lugar de Keir Starmer, que renunciou.Os resultados do Partido Trabalhista nas eleições locais de maio foram vistos como um indício do que poderia acontecer se Starmer — amplamente impopular, apesar de ter conquistado uma vitória eleitoral esmagadora há dois anos — liderasse o partido na próxima eleição nacional.Burnham, então prefeito da Grande Manchester, surgiu como a melhor alternativa viável na busca do partido por um novo líder. Andy Burnham discursa pela primeira vez como premiê do Reino Unido Linha do tempo: Como foi a última década da política do Reino Unido Andy Burnham se torna premiê do Reino Unido após encontro com rei Charles Comunicador afável e instintivo, ele tem popularidade que persiste mesmo com a instabilidade de seu partido, e ele construiu uma narrativa que falta ao partido, embora as posições políticas nacionais que defendeu durante esta campanha estejam, em linhas gerais, alinhadas com o governo atual.Uma eleição suplementar foi articulada — com seu aliado Josh Simons renunciando ao cargo em Makerfield, um reduto histórico do Partido Trabalhista no norte da Inglaterra onde o partido populista de extrema-direita Reform UK vem ganhando força —, e Burnham saiu vitorioso dessa disputa que atraiu grande atenção.Apesar de ter prometido permanecer no cargo, Starmer anunciou sua intenção de renunciar poucos dias depois.Ao vencer em Makerfield, Burnham demonstrou aos parlamentares trabalhistas — receosos de perderem suas cadeiras na próxima eleição geral — que era capaz de enfrentar o Reform, partido que liderava as pesquisas de opinião nacionais há meses.A eleição para a liderança rapidamente se transformou em uma aclamação, uma vez que uma maioria incontestável dos 403 parlamentares do partido declarou apoio a Burnham.Carreira políticaEle assumirá o cargo na sede do governo britânico (o número 10 de Downing Street) na segunda-feira (20), coroando uma longa carreira política.Durante sua primeira passagem por Westminster, entre 2001 e 2017, integrou os gabinetes de Tony Blair e Gordon Brown, chegando a ocupar o cargo de ministro da Saúde e a disputar, por duas vezes sem sucesso, a liderança do Partido Trabalhista.Pouco depois de sua segunda tentativa, ele retornou ao noroeste da Inglaterra — sua terra natal — e candidatou-se ao recém-criado cargo de prefeito de Manchester em 2017.Lá, ele se estabeleceu como um contraponto a Westminster, evidenciando a profunda divisão norte-sul do país e ganhando a alcunha de “Rei do Norte”. A economia e a rede de transporte público de Manchester prosperaram durante sua gestão.Ao contrário de Starmer, Burnham tem uma narrativa clara — a descentralização de poder para além de Londres — que permeia suas políticas.Andy Burnham assume como sétimo premiê do Reino Unido em 10 anos | CNN NOVO DIADesafios do cargoNo entanto, as armadilhas que derrubaram Starmer espreitam a maioria das questões que Burnham precisa enfrentar. As promessas que ele apresentou em um discurso em junho — como intensificar a construção de habitações sociais, a reindustrialização e colocar serviços públicos essenciais sob maior controle estatal — precisam ser financiadas de alguma forma, em meio às mesmas restrições orçamentárias que prejudicaram Starmer.“As pessoas têm a sensação subjacente de que o Estado não está funcionando muito bem no momento”, disse Simon Kaye, diretor de políticas do think tank Re:State, apontando para as dificuldades enfrentadas pela economia, pelo NHS (Serviço Nacional de Saúde) e pelo sistema de assistência social.A apresentação de uma análise fundamental sobre a disparada dos custos da previdência social está prevista para o outono, o que provavelmente forçará decisões difíceis — especialmente para um novo primeiro-ministro de centro-esquerda ciente dos custos políticos que seu antecessor enfrentou ao tentar cortar gastos com o bem-estar social.Além disso, por uma coincidência de cronograma, Burnham assume o cargo justamente quando reformas significativas na imigração tramitam no Parlamento, obrigando-o a definir imediatamente sua posição sobre essa questão altamente controversa.Ainda assim, embora Burnham atue no mesmo ambiente que Starmer, ele é considerado um comunicador melhor do que seu antecessor tecnocrata.“Trata-se, na verdade, de um experimento em tempo real sobre a importância do mensageiro”, disse Kaye à CNN. “A questão da descentralização de poderes já está em andamento sob a gestão de Starmer. Burnham vai impulsioná-la com mais força e falar muito mais sobre o assunto.”“As restrições fiscais serão as mesmas… Então, qual é a importância — para a bancada parlamentar do Partido Trabalhista e para o sentimento nacional — de o mensageiro ser apenas um pouco mais carismático?”Os ventos contrários à economia — incluindo os desdobramentos do Brexit, a pandemia de Covid e a crise energética provocada pela invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia — permanecem tão fora do controle de Burnham quanto estavam para Starmer.Anos de austeridade após a crise financeira de 2008 fizeram com que o crescimento econômico — e a renda das famílias — estagnassem em grande parte desde então.Conheça Andy Burnham, futuro primeiro-ministro do Reino Unido