Perícia descarta estupro e aponta asfixia em morte de bebê no Ceará

Wait 5 sec.

A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu os laudos dos exames cadavéricos – ou necroscópicos – e laboratoriais da bebê de 10 meses morta na segunda-feira (13), em Fortaleza. Os resultados descartaram violência sexual e indicaram que a causa da morte foi asfixia mecânica indireta. Com base nas conclusões periciais, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) passou a investigar o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.Segundo a nota oficial da Pefoce, os exames laboratoriais de alcoolemia e de drogas no sangue não detectaram a presença de substâncias químicas no corpo da criança. Além disso, o exame sexológico e as análises de material genético não constataram a presença de sêmen ou de DNA dos dois homens que haviam sido presos em flagrante suspeitos de envolvimento no caso.O caso aconteceu em um apartamento no bairro Dionísio Torres. No local, estavam a mãe da menina, o namorado dela, Francisco Ray Rodrigues Magalhães, de 22 anos, e o primo dele, Roberto Levy Oliveira Magalhães, de 26 anos. Inicialmente, a mãe acreditou que a filha estivesse engasgada e a levou a uma unidade de saúde particular.No hospital, a equipe médica, composta por pediatras e cardiologistas, relatou ter identificado uma laceração anal na bebê e levantou a suspeita de abuso sexual e asfixia. Com base nesse protocolo hospitalar, a Polícia Civil efetuou a prisão preventiva de Francisco Ray e Roberto Levy por estupro de vulnerável seguido de morte.Entretanto, a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) informou que, após o confronto das informações médicas com os laudos definitivos da perícia técnica, a hipótese de crime sexual foi integralmente afastada.Pai da bebê estava viajandoO pai da bebê, Erisvaldo Almeida, relatou em entrevista ao g1 que estava em viagem quando soube do falecimento. Ele afirmou que a primeira versão recebida foi a de que a filha teria sofrido uma asfixia acidental, mas que a suspeita de abuso surgiu posteriormente, na delegacia.A defesa de Francisco Ray Rodrigues Magalhães declarou que o jovem colaborou com as investigações desde o início e se submeteu voluntariamente à coleta de DNA. Em nota após a divulgação dos laudos, a defesa criticou o que chamou de “tribunal da internet” e reforçou que os resultados técnicos comprovam a inocência dos homens em relação à acusação de violência sexual.A investigação prossegue agora para esclarecer as circunstâncias da asfixia mecânica indireta que levou ao óbito da criança. Até o momento, a mãe da bebê não é tratada como investigada no inquérito policial.