Isto não é a Dinamarca

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Há semanas, passei um par de dias em Copenhaga. Na Dinamarca vi muita gente jovem com bebés e muitos homens a passear carrinhos de bebé. Vi carrinhos com bebés estacionados do lado de fora de uma loja, sozinhos, enquanto pais ou mães estavam lá dentro. E vi, é fácil de ver, uma sociedade próspera. Eis o segredo, que tinha encontrado num artigo do Sunday Times: elevada confiança social (donde os carrinhos à porta), sindicatos fortes e cooperação duradoura entre sindicatos e empresas. As negociações laborais são, dizia o jornal, calm and exacting.Este modelo é difícil de replicar porque a confiança não se decreta. As negociações, cá – se é que se lhes pode chamar negociações, veja-se a chamada reforma laboral – não são calm nem exacting. E na verdade, em Portugal, parecemos mais interessados em derrotar o adversário (nacional) do que em colaborar para criar um país mais competitivo. Como não é fácil antever a chegada súbita de elevada confiança, sindicatos fortes e negociações a sério, talvez se consiga perceber porque é que Portugal não é – nem vai ser – a Dinamarca.P.S. Dito isto, não me pretendo mudar para a Dinamarca. Acredito é que Portugal podia ser melhor país para os novos (e os velhos). E que podíamos aprender alguma coisa com os nórdicos.O conteúdo Isto não é a Dinamarca aparece primeiro em Revista Líder.