Após mais de 25 anos de atuação consolidada no Mato Grosso, a Nutripura iniciou uma nova etapa de crescimento com a expansão estruturada de suas operações para o Mato Grosso do Sul. A empresa, especializada em nutrição animal e soluções voltadas à intensificação da pecuária, aposta no potencial do estado para sustentar seu plano de crescimento orgânico, que prevê dobrar de tamanho nos próximos seis anos.A expectativa é de que a nova operação represente um incremento de até R$ 100 milhões na receita anual da companhia até 2032.Embora já atendesse produtores sul-mato-grossenses há cerca de 15 anos, a Nutripura nunca havia mantido uma estrutura comercial própria no estado. A partir deste ano, a empresa passará a contar com escritório em Campo Grande, previsto para ser inaugurado em novembro deste ano, além de uma equipe multidisciplinar dedicada exclusivamente ao mercado local.Em entrevista exclusiva à CNN Agro, o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Nutripura, Lainer Leite, afirmou que a decisão de expandir para o Mato Grosso do Sul foi resultado de um estudo estratégico realizado pela empresa após a aprovação, pelo conselho societário, de um plano de crescimento nacional. Leia Mais Mato Grosso alcança 75% da meta de recuperação de pastagens do Plano ABC+ Pamplona Alimentos vai investir R$ 64 milhões em genética suína Com estratégia interpaíses, Agrihold quer chegar aos US$ 700 milhões Segundo ele, diversos estados foram avaliados antes da definição da nova fronteira de atuação da companhia.“A escolha do Mato Grosso do Sul veio como consequência de um plano de crescimento e expansão da empresa. Após a definição desse crescimento pelo conselho societário, buscamos em diversos estados quais reuniam as condições para implementar um modelo que já é bem-sucedido e consolidado há mais de 25 anos no Mato Grosso”, afirmou.Entre os fatores considerados pela empresa estão o crescimento da agricultura, a expansão das áreas de eucalipto e, principalmente, a transformação pela qual passa a pecuária sul-mato-grossense.“O Mato Grosso do Sul se destacava porque possui uma crescente intensificação do agronegócio, consequência do uso cada vez mais intensivo do solo. É uma região que vem ampliando a agricultura, o cultivo de eucalipto e também a intensificação das pastagens, criando um ambiente muito favorável para o nosso modelo de atuação”, disse.A expectativa da empresa é que o estado se torne um dos principais motores de crescimento da Nutripura nos próximos anos. O investimento integra um planejamento mais amplo de expansão, cujo objetivo é praticamente dobrar o faturamento da companhia até o início da próxima década.“A meta dos R$ 100 milhões é consequência desse plano de crescimento. Acreditamos que o Mato Grosso do Sul reúne todas as características necessárias para contribuir de forma significativa com esse objetivo e implementar o sistema de trabalho da Nutripura”, explicou o executivo.Para a empresa, entretanto, a expansão não está baseada apenas no potencial econômico do estado, mas também na convergência entre o perfil dos pecuaristas locais e a filosofia de trabalho desenvolvida pela companhia ao longo de sua trajetória.Lainer explica que a companhia busca produtores dispostos a investir em gestão, tecnologia e aumento de produtividade, construindo soluções personalizadas para cada propriedade.“O nosso propósito é construir, junto com clientes e colaboradores, fazendas mais produtivas, lucrativas e sustentáveis. Primeiro identificamos produtores que tenham sinergia com esse modelo. Depois realizamos um diagnóstico completo da propriedade, entendemos a realidade de cada cliente e desenvolvemos um planejamento técnico para ser executado em conjunto”, destacou em entrevista.Esse acompanhamento vai além da venda de suplementos nutricionais. A empresa trabalha com equipes multidisciplinares que acompanham indicadores produtivos, manejo de pastagens, estratégias nutricionais, gestão da propriedade e planejamento da produção.A expansão acontece em um momento de profundas mudanças na pecuária brasileira. O aumento da competição pelo uso da terra, impulsionado principalmente pelo crescimento da agricultura e das florestas plantadas, vem pressionando os pecuaristas a produzir mais na mesma área.Na avaliação de Lainer Leite, esse movimento tornou a intensificação praticamente inevitável para quem deseja manter a rentabilidade da atividade.“Essa nova realidade trouxe uma preocupação muito grande em aumentar a rentabilidade das propriedades. Nesse sentido, a intensificação se torna inevitável. Quem não adotar tecnologias e práticas já consolidadas para melhorar a produtividade e tornar a gestão mais eficiente certamente enfrentará dificuldades com a lucratividade da atividade”, informou.Concentração de negócios divide mercado da pecuária | CNN AGRO NEWSSegundo o diretor, a nutrição animal passou a exercer um papel estratégico em todas as etapas da produção pecuária.“O uso crescente da nutrição na pecuária de corte vem justamente para melhorar nossos indicadores, seja na cria, aumentando as taxas de prenhez e desmama, seja na recria, elevando a taxa de desfrute do rebanho, ou ainda na fase de engorda.”Ele destaca que uma das maiores mudanças ocorridas nos últimos anos foi a evolução dos sistemas de suplementação alimentar.Durante décadas, o confinamento era utilizado quase exclusivamente durante o período seco do ano, entre junho e novembro. Hoje, segundo ele, o cenário é bastante diferente.“Atualmente já existem práticas consolidadas de suplementação a pasto também durante o período das águas. Isso permite entregar ao mercado animais com o mesmo padrão de acabamento ao longo de todo o ano”, comentou.Essa regularidade beneficia toda a cadeia produtiva, especialmente a indústria frigorífica, que depende de previsibilidade no fornecimento de animais terminados.“Os frigoríficos precisam de uniformidade e previsibilidade. Trabalhamos junto aos nossos clientes para fornecer animais em condições de abate durante todo o ano e, ao mesmo tempo, atuamos próximos aos fornecedores de insumos, como as empresas de coprodutos do etanol de milho, criando uma relação de ganho para todos os envolvidos”, destacou.A empresa também aposta na proximidade com os produtores como um dos principais diferenciais competitivos.Apesar da instalação do escritório em Campo Grande, a Nutripura já possui uma carteira consolidada de mais de 30 clientes no Mato Grosso do Sul e pretende utilizar essas propriedades como vitrines tecnológicas para demonstrar os resultados obtidos por meio da intensificação da produção.Segundo Lainer, uma das regiões prioritárias será São Gabriel do Oeste, onde a empresa já acompanha propriedades consideradas referência em produtividade.“Nós temos clientes no norte do estado, entre São Gabriel do Oeste e Sonora, onde já desenvolvemos um trabalho há vários anos. Em São Gabriel do Oeste temos exemplos bastante consistentes de intensificação da pecuária”, reportou.Entre esses casos está a Fazenda Palmares, da família Migliavacca, apontada pela empresa como um dos principais exemplos da aplicação do modelo desenvolvido pela Nutripura.“A Fazenda Palmares apresenta resultados muito expressivos e demonstra como é possível alcançar níveis elevados de produtividade utilizando manejo adequado, tecnologia e planejamento. Queremos mostrar esses exemplos aos futuros clientes para que eles visualizem o potencial da intensificação”, disse.De acordo com informações da empresa, a propriedade alcança produtividade próxima de 180 arrobas por hectare ao ano, índice muito superior à média brasileira, impulsionada pelo uso de confinamento, suplementação estratégica e manejo intensivo das pastagens.Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Nutripura, Lainer Leite • Crédito: Clever FreitasA atuação da Nutripura no Mato Grosso do Sul também combinará produção própria de suplementos para nutrição animal com a comercialização de outros insumos utilizados nas propriedades rurais.“A nossa atuação envolve tanto a produção de suplementos para os animais quanto a revenda de fertilizantes, sementes, herbicidas e outros produtos necessários para a produção agropecuária. Toda essa estrutura será oferecida por uma equipe multidisciplinar dedicada ao estado”, comentou.Apesar de o Mato Grosso do Sul representar o primeiro movimento dessa nova fase de crescimento, os planos da companhia não se limitam ao estado.Segundo Lainer Leite, outras regiões brasileiras já estão sendo avaliadas para receber o mesmo modelo de atuação nos próximos anos.“A ideia é iniciar pelo Mato Grosso do Sul, mas já estamos mapeando outros estados que apresentam características semelhantes para que possamos implementar o modelo Nutripura nessas regiões”, destacou.Para o executivo, o avanço da pecuária brasileira será cada vez mais determinado pela capacidade dos produtores de integrar gestão, tecnologia e eficiência produtiva.Ele avalia que a expansão da empresa acompanha justamente essa transformação do setor, em que produzir mais deixou de ser apenas uma estratégia de crescimento e passou a representar uma condição para manter a competitividade.“Acreditamos muito no potencial do Mato Grosso do Sul. O estado vem crescendo, intensificando sua produção e possui um perfil que tem muita sinergia com o que a Nutripura faz. Nosso trabalho é caminhar ao lado dos produtores para prepará-los para o futuro, superar desafios e aproveitar oportunidades, tornando as fazendas cada vez mais produtivas, lucrativas e sustentáveis”, concluiu.Pesquisa: brasileiros devem continuar a consumir carne bovina