Após cinco décadas, pinturas sacras roubadas voltam a igreja em Minas

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Belo Horizonte – Duas pinturas sacras com cerca de 200 anos voltaram ao Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, no Campo das Vertentes, após mais de cinco décadas desaparecidas. As obras, furtadas na década de 1970 e conhecidas como “Duas Telas de Doutores”, foram devolvidas nesta quinta-feira (16/7), durante uma cerimônia promovida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que atuou para localizar e recuperar os bens históricos.Obras à venda em antiquárioA investigação começou em abril deste ano, após o Ministério Público receber uma denúncia informando que duas pinturas históricas estavam sendo oferecidas para venda por um antiquário em São Paulo.Após análise técnica, especialistas da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC) identificaram que as obras apresentavam características compatíveis com parte do forro da Capela-Mor do Santuário de Santa Rita de Cássia.Segundo o MPMG, as pinturas haviam sido retiradas do teto da igreja na década de 1970, divididas em dois quadros independentes e receberam molduras para facilitar a comercialização.Após recomendação do Ministério Público, a detentora das peças decidiu aderir à Campanha Boa Fé e concordou em devolver voluntariamente os bens à comunidade de Ritápolis.Comunidade celebra retorno das pinturasA devolução emocionou moradores e fiéis da cidade.O pároco do santuário, padre Geraldo Sérgio França, afirmou que a comunidade conviveu durante décadas com a lembrança das perdas sofridas pelo patrimônio histórico da igreja e destacou que esta foi a primeira vez que peças furtadas retornaram ao templo. Leia também Minas GeraisObras sacras que viraram piada em cidade de MG têm pintura removida Minas GeraisHomem se ajoelha, finge rezar e furta doações de fieis em igreja de MG Minas GeraisApós seis anos fechada, igreja de 1721 reabre em Ouro Preto Moradores mais antigos também reconheceram as pinturas antes da devoluçãoMoradores mais antigos também reconheceram as pinturas antes da devolução. Entre eles estava Sônia Resende do Amaral, de 77 anos, que afirmou se lembrar das imagens desde a infância e classificou o retorno como um momento histórico para a cidade.“Fiz minha primeira comunhão aqui, fui catequista, me casei nessa igreja e me lembro muito bem desses quadros. Eles chamavam a atenção de todos, pois era uma coisa diferente. A volta deles para o santuário era muito importante. Foi uma graça que recebemos.”Capela guarda patrimônio do século XVIIIO Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia é um dos principais patrimônios históricos da região.A capela original foi construída por volta de 1713 e integra o conjunto histórico de Ritápolis, tombado pelo município desde 2004. O templo possui proteção especial do patrimônio cultural e é considerado um dos marcos religiosos do Campo das Vertentes.As pinturas faziam parte do forro da Capela-Mor e integravam uma composição artística dedicada à estigmatização de Santa Rita de Cássia, cercada por anjos e pelos chamados Doutores da Igreja.Em 2020, uma reprodução da pintura original foi realizada com base em fotografias antigas e relatos de moradores, já que as obras permaneciam desaparecidas.2 imagensFechar modal.1 de 2As pinturas faziam parte do forro da Capela-Mor e integravam uma composição artística dedicada à estigmatização de Santa Rita de CássiaMinistério Público MG/Divulgação2 de 2O Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia é um dos principais patrimônios históricos da regiãoMinistério Público MG/DivulgaçãoPinturas são atribuídas a Joaquim José da NatividadeAs telas devolvidas são atribuídas ao pintor Joaquim José da Natividade, um dos principais artistas da pintura sacra mineira entre o fim do século XVIII e o início do século XIX.Conhecido por decorar igrejas do Sul de Minas e da região do Campo das Vertentes, Natividade é responsável por importantes obras do período colonial e tem seu estilo marcado pelo uso da perspectiva ilusionista, cores vibrantes e riqueza de detalhes.As pinturas recuperadas têm cerca de 200 anos e representam Santo Agostinho e São Jerônimo, dois dos quatro Doutores da Igreja retratados na composição original do teto da capela.