O CEO da C&A, Paulo Correa, acredita que baixar a qualidade de seus produtos não é o caminho para concorrer com as empresas estrangeiras de moda que chegaram ao país por meio do comércio eletrônico.Para ele, a “taxa das blusinhas”, – como ficou conhecida a cobrança de imposto de importação sobre compras abaixo de US$ 50 – corrigia parcialmente a falta de isonomia entre os impostos pagos pelas varejistas nacionais e os aplicativos de compras internacionais.O executivo participou de entrevista ao Capital Insights, programa feito em parceria da Broadcast com o CNN Money, desta quinta-feira (16).“Não podemos mexer nas taxas, mas também não vamos mexer na qualidade”, diz Correa.Zerado em maio deste ano, o tributo ao qual o CEO se refere deve voltar em 2027 sob o formato da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), criada na reforma tributária, mas a alíquota ainda não está definida. Correa afirmou que o setor varejista segue em diálogo com o governo para buscar igualdade de condições em relação à tributação, o que, em sua visão, pode vir em forma de taxação equivalente das plataformas estrangeiras, ou via isenção de tributos das brasileiras. Leia Mais Netflix desaponta em receita no 2T26 e reduz guidance; ação tomba Amcham explica impacto do tarifaço dos EUA e cita setores afetados Vamos manter plano de investimento ambicioso, diz novo presidente da Cedro “O ponto não é a existência da concorrência e sim as regras iguais para todos os players”, afirmou.Ele comenta, porém, que a proximidade das eleições presidenciais não favorece a resolução do tema no curto-prazo.Para lidar com essa concorrência, ele afirma que a companhia acredita em seu modelo mais ágil de produção, com coleções menores que são testadas nas lojas e escaladas rapidamente quando a resposta em vendas se mostra positiva.Além disso, a aposta está em peças mais versáteis, que sirvam a ocasiões diferentes do dia. O que também se relaciona, na visão do CEO, com o momento econômico do Brasil.Um consumidor mais endividado e, consequentemente, com menor renda disponível para consumo precisa fazer compras mais estratégicas:“Com juro alto há comprometimento de renda. Juro alto diminui capacidade de consumo. Nesse contexto, comprar roupa é quase um investimento”, disse.Uma ferramenta importante para a empresa no estímulo ao consumo é o braço de crédito C&A Pay.Responsável por quase 30% das vendas da companhia no varejo, o cartão de crédito próprio da rede permite mais autonomia da varejista nos financiamentos, o que pode ser uma tentação de aumento de receita que cobra caro no caso de inadimplência futura.No entanto, Correa avalia que conceder crédito como varejista tem um conceito diferente do que quando esse processo é feito por um banco.A C&A toma mais risco, mas, ao mesmo tempo, conhece melhor seu consumidor e sua capacidade de pagamento. Ainda assim, ele diz que a empresa tem sido conservadora nessa área.No primeiro trimestre de 2026, houve redução anual de 4,3 pontos porcentuais no crédito não performado, termo que indica créditos em atraso de difícil recuperação.Ainda assim, a companhia calcula que o cliente que usa essa ferramenta de crédito tende a gastar 50% a mais por ano do que aqueles que não usam.Juros altos desencorajam consumo e podem frear economia; entenda