Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra o Irã nesta quinta-feira, no quinto dia consecutivo de ofensivas, em meio à escalada das hostilidades no Oriente Médio e à forte queda no tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz.Segundo o Comando Central dos EUA, os novos ataques começaram às 15h de Brasília e tinham como objetivo “degradar ainda mais as capacidades militares iranianas”. A ofensiva ocorreu após bombardeios anteriores que atingiram um navio-tanque perto do principal terminal de exportação de petróleo do Irã.Leia tambémBofA recomenda ações “parecidas com títulos” com maior tensão EUA-Irã; veja quaisBanco recomenda exposição a utilities, concessões rodoviárias e shoppings diante dos riscos para a curva de juros; Equatorial, Motiva, Ecorodovias e Allos estão entre as favoritasIrã ameaça fechar mais rotas marítimas e eleva tensão sobre estreitoApós bombardeios americanos perto de Teerã, a Guarda Revolucionária declarou que o fornecimento de combustíveis da região pode ser totalmente interrompido para todos os paísesTeerã respondeu aos ataques anteriores disparando contra bases americanas no Kuwait e na Jordânia. As Forças Armadas do Kuwait disseram ter interceptado 32 drones iranianos que tinham como alvo instituições “vitais” no país. Destroços causaram danos em áreas residenciais.O petróleo fechou em queda, apesar de seguir acumulando forte alta na semana. O WTI recuou cerca de 1%, para perto de US$ 79 por barril, enquanto o Brent caiu em torno de 1%, encerrando próximo de US$ 84. Ambos os contratos sobem mais de 10% na semana por causa da retomada das hostilidades.O Irã não recuou diante do aviso do presidente Donald Trump de que ampliaria os ataques militares — citando usinas e pontes iranianas como possíveis alvos — até que a República Islâmica reabra o Estreito de Ormuz, gargalo crucial para o fornecimento global de energia e agora epicentro do conflito.Se os EUA atacarem infraestrutura iraniana, “tudo o que permaneceu intacto até agora por nobreza do Irã será reduzido a pedaços — ou seja, toda a infraestrutura da região”, disse um porta-voz do comando militar central do país, segundo a agência estatal iraniana IRNA.O Irã também pediu a seus aliados houthis no Iêmen que fechem a rota petrolífera do Mar Vermelho caso os EUA ataquem a rede elétrica iraniana, informou a Reuters, citando fontes com conhecimento do assunto.“Enquanto os Estados Unidos não aceitarem o sistema jurídico iraniano, esse estreito permanecerá fechado”, disse um porta-voz do Exército iraniano, segundo a agência semioficial Iranian Students’ News Agency. A fala parece se referir à exigência de Teerã de que navios peçam autorização ao país antes de atravessar Ormuz e sigam suas regras, incluindo eventual cobrança de tarifas de serviço.Os dados de rastreamento marítimo compilados pela Bloomberg mostram que o tráfego comercial observável pelo estreito ficou escasso, com a maior parte das travessias limitada a embarcações ligadas ao Irã e autorizadas por Teerã a usar a rota ao norte. Ainda assim, há indícios de que algumas cargas de petróleo continuam cruzando a região sem transmitir sua localização.Dois superpetroleiros carregando petróleo saudita e iraquiano reapareceram perto de Omã no fim de quarta-feira, depois de desaparecerem dos sistemas de rastreamento no Golfo Pérsico ao longo do fim de semana, sinalizando que provavelmente concluíram a passagem por Ormuz no começo da semana. Alguns navios iranianos também mudaram de rota depois que os EUA retomaram o bloqueio a embarcações do país nesta semana.A desaceleração fez a média móvel de sete dias do fluxo de petróleo bruto pelo estreito, incluindo a oferta iraniana, cair para cerca de 5,5 milhões de barris por dia até quarta-feira, ante aproximadamente 9,4 milhões na semana anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados de rastreamento naval e informações da Kpler e da Vortexa.Os EUA estão cada vez mais frustrados com a disposição e a capacidade do Irã de atacar embarcações no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito de países como Arábia Saudita, Iraque, Catar e o próprio Irã. Washington e Teerã se acusam mutuamente de violar os termos de um acordo de paz interino, que deveria reabrir o estreito, mas foi redigido de forma ambígua sobre a velocidade dessa reabertura.Em meio à piora das tensões desde o início da semana passada, os EUA restabeleceram o bloqueio a portos iranianos e encerraram uma isenção sobre sanções ao petróleo. O bloqueio, que ameaça enfraquecer ainda mais a já pressionada economia iraniana, havia sido imposto pela primeira vez em abril e suspenso com a assinatura do acordo de paz.O rial iraniano se desvalorizou no último mês. Nesta quinta-feira, a moeda era negociada perto de 1,9 milhão por dólar, cerca de 20% abaixo do nível anterior ao acordo interino, segundo o site Bonbast.com, que acompanha sua cotação no mercado paralelo.Em entrevista ao podcaster Joe Rogan, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, rejeitou a ideia de que as negociações com o Irã sejam inúteis e afirmou que o país não pretende enviar tropas terrestres para derrubar o governo iraniano.“Não vamos enviar 150 mil soldados em terra para promover uma mudança de regime, a menos que as próprias pessoas no terreno queiram esse resultado”, disse ele, em referência aos iranianos.Já o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país nas conversas de paz agora paralisadas com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Irã não tem “motivo para continuar comprometido” com o acordo interino assinado há cerca de um mês. Ele, no entanto, evitou dizer que Teerã deixará formalmente o memorando de entendimento.Mais cedo nesta quinta-feira, os EUA disseram ter atingido um superpetroleiro perto do terminal de exportação iraniano na ilha de Kharg, no primeiro ataque a uma embarcação desde a retomada do bloqueio. Os militares americanos afirmaram que o navio, de bandeira de Curaçao e “sem carga”, ignorou múltiplos alertas enquanto se dirigia a um porto iraniano.Analistas do RBC, entre eles Helima Croft, disseram a clientes que “o cessar-fogo acabou, com embarcações sob forte fogo iraniano”. “Não vemos o tráfego em Ormuz voltando aos níveis pré-guerra enquanto armadores tiverem que lidar com a ameaça de minas, mísseis, drones e pedágios impostos por Teerã”, escreveram.A nova onda de ataques dos EUA tem se concentrado principalmente em alvos militares, como radares e instalações de mísseis e drones. Ainda assim, a campanha está longe da intensidade observada no auge da guerra, em março e no começo de abril, quando Teerã e outras grandes cidades eram bombardeadas de forma contínua.The post EUA voltam a atacar Irã nesta quinta, e fluxo de navios em Ormuz cai pela metade appeared first on InfoMoney.